domingo, 8 de maio de 2016

Nas Asas da Poesia - Um dia serei a Antártida

Quero dormir na Antártida
Esconder caimbras e assaduras
Tornando um apátrida
Em livros sem ranhuras

Não me movo, não prejudico
Escrevo sem ser profeta
Ouço a vida e calo o bico
Sem ter mensagem secreta

Não destruindo passo a criar
Está frio mas quero a Antártida
Para as lágrimas congelar
E aceitar-me sendo a sátira

Progresso torna-nos presos
Eu sou árvore e montanha
Corações saem-se ilesos
Do meu que não tem lenha

Não serei a fogueira
Para coração arrefecido
Aquecer sem fronteira
Num vácuo desmedido

Um dia serei a Antártida



Paulo D. de Sousa

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