sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

O Surto

Título – O Surto
Autor – António Limpo
Editora – Obnósis Editora
Data de edição – Março 2015


“O Surto” de António Limpo é uma obra de ficção pós-apocalíptica que transporta o leitor para… Lisboa. É verdade, o desafio de leitura que o autor nos propõe, exige uma viagem no imaginário, mas nem tanto no tempo e no espaço.

Assim, a história deste livro começa numa Lisboa contemporânea, igual em tudo à Lisboa real até ao fatídico dia 8 de Setembro, dia em que uma doença mortal atinge a cidade. A partir desse momento acompanhamos alguns sobreviventes enquanto estes veem os seus entes queridos, colegas de trabalho e desconhecidos morrerem, sem aviso, à sua volta. A morte é, aliás, omnipresente nesta narrativa pintada a vermelho e cinza.

Imagem 1: "O Surto" de António Limpo

O dia inicial da narrativa presenteia-nos com este choque de realidades, causado pelo “rebentar” da epidemia e, aos poucos, vamos conhecendo os personagens, as suas histórias, e com o passar do tempo, acompanhamos os efeitos pós-epidémicos da doença que transforma os infectados em zombies com clara má vontade para com os imunes, e capazes de transmitir a doença através de dentadas e outras demonstrações de afecto.

A narrativa prossegue ao longo dos meses subsequentes à infecção e leva-nos a percorrer vivências que não se conhecem na Europa há séculos, possivelmente, desde o século XIV com o advento da peste negra, e onde António Limpo nos descreve de tudo, desde amizades improváveis e momentos de sacrifício pelo seu semelhante, ao lado mais pérfido da natureza humana, com o estabelecimento de grupos de canibais que torturam as suas vítimas para obter informações antes de as matarem e consumirem.

Vídeo 1: Book trailer de "O Surto", no Youtube

Apesar das dificuldades inerentes a este cenário caótico, e não sem sofrer baixas, um pequeno grupo de sobreviventes consegue lançar-se ao mar numa embarcação tomada de assalto em pleno Tejo, rumo aos Açores, onde acreditam existir a possibilidade de encontrar outros sobreviventes e uma esperança de futuro. 

António Limpo apresenta um conceito de literatura fantástica/de ficção que, não sendo nova ou inovadora, é ainda muito pouco explorada pelos autores nacionais e da Lusofonia. “O Surto” tem o mérito de proporcionar uma leitura capaz de prender quem o lê, muito devido ao ritmo rápido, quase cavalgante, com que a narrativa avança, à ambiência cinzenta, sufocante e claustrofóbica criada pelo autor, e pela familiaridade introduzida pelas descrições de vários locais em Lisboa por onde o enredo ziguezagueia, enquanto os sobreviventes tentam fugir de uma cidade fantasma habitada por zombies.

De relevo, é ainda, o final aberto que nos aguça a curiosidade para uma futura continuação, desta vez, advinha-se, na margem Oeste do Atlântico.

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Nuno Soares

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