quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Silêncio



“Silêncio” de Martin Scorsese é um filme que faz pensar.

Feita a ressalva, a quem procura um filme de consumo rápido, sem grande sumo ou mensagem, onde o trabalho cénico se sobrepõe a tudo o resto de que é feito uma longa metragem, não se recomenda o “Silêncio”.

Este filme do afamado realizador Nova Iorquino tem tudo o que um bom blockbuster não tem: 161 minutos (2h 41m), ritmo lento e pesaroso, separação pouco óbvia entre personagens “bons” e “maus”, grande presença religiosa, diálogos longos, planos de câmara estáticos, um tema controverso e provocador, miséria, dor e… silêncio.

Raras (ou não tão frequentes como deveriam) são as vezes em que o título de uma obra traduz tão bem o tema, a ambiência e o propósito de um filme.

“Silêncio” é uma adaptação baseada no romance do escritor Japonês Shüsako Endö, que retrata a viagem de dois padres jesuítas Portugueses do século XVII, Sebastião Rodrigues e Francisco Garupe (Andrew Garfield e Adam Driver), ao Japão para tentar encontrar o seu mentor Cristóvão Ferreira, que se acredita ter apostatado depois de submetido a tortura pelo regime Tokugawa, e para continuar o trabalho missionário começado com a chegada dos Portugueses ao Japão em 1543.

Liam Neeson como padre Ferreira
























À chegada ao Japão os dois jovens padres contactam com a dura realidade que já conheciam dos relatos escritos de outros missionários, Ferreira entre eles, mas que não haviam vivenciado ainda. A fé cristã, existindo nas ilhas, era forte e cruelmente reprimida, perseguida e condenada. Não obstante, os cristãos que receberam Rodrigues e Garupe fizeram-no de braços abertos, com grande fervor e abnegação, sedentos dos sacramentos e da doutrina que os padres traziam.

A dinamização das comunidades cristãs por onde se movimentavam os dois padres e o fervor dos Japoneses devotos depressa atraíram a atenção das autoridades que impiedosamente suprimiram a prática, torturando e ceifando as vidas dos que se recusavam a renunciar à sua fé.

Tal desenlace leva a que ambos os padres se separem e abandonem as comunidades que os abrigavam com o intuito de desviarem para si as atenções e continuarem a perseguir o seu intento de encontrar o padre Ferreira.

Após captura, tortura e a morte mais ou menos acidental de Garupe, Rodrigues é apresentado a Ferreira que havia sido mobilizado pelo governador de Nagasaki, Inoue Masashige (Issey Ogata), o grande inquisidor, para o convencer a apostatar, o que consegue.

O último capítulo do filme foca-se na vida que Ferreira e Rodrigues levaram enquanto padres apóstatas no Japão, os seus motivos, limitações, escolhas e vivências, terminando a película com a morte (presume-se natural) de Rodrigues.

Adam Driver é o padre Francisco Garupe em "Silêncio"


























O enredo desenvolve-se em redor de questões morais de interesse, relacionadas com convicções, limites, escolhas e as consequências das mesmas. Longe de ser um filme com uma história linear ou simples, “Silêncio” usa o som, ou a ausência do mesmo, um excelente trabalho de imagem, e interpretações valorosas para através da exposição, em contexto histórico, da natureza humana e de condições extremas da mesma, como a fome, o medo, a tortura, a pobreza e a fé, convidar o espectador a reflectir sobre estes mesmíssimos tópicos.

Um filme moderadamente pesado, pela componente gráfica, reflexiva e pelo silêncio que dificilmente agradará a quem não se propuser a fazer a jornada que este trabalho propõe a quem o vê.

Uma obra de grande qualidade.

Classificação:






Nuno Soares

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada



Título – Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Autores – J.K. Rowling, John Tiffany & Jack Thorne
Editora – Presença
Data de edição – 2016


Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é a continuação da heptalogia fantástica em que Joanne Rowling imortalizou o fantástico mundo dos feiticeiros de varinha na mão, uma escola de magia sem igual e um jovem rapaz de aspeto franzino e cicatriz em forma de relâmpago na testa que, miraculosamente sobreviveu ao senhor das trevas, o mais poderoso mago negro de sempre, Lord Voldemort. 

Ao contrário dos 7 livros lançados entre 1997 e 2007 que acompanhavam o crescimento e aventuras de Harry Potter durante o seu percurso na escola de magia e feitiçaria de Hogwarts, este oitavo volume, acompanha um dos seus filhos, Albus Severus Potter, após um salto temporal de duas décadas, e as suas dificuldades em lidar com as espectativas que o mundo tem de si. 

Inapto onde a maior parte dos seus pares têm performances razoáveis e onde o seu irmão mais velho brilha, Albus tem dificuldade em integrar-se e em encontrar o seu rumo, retraído pela pressão de ser filho do “rapaz que sobreviveu”, hoje um funcionário de relevo no Ministério da Magia, e pelas surpresas inesperadas com que a vida o presenteou e que o levam a viver na sombra da crença de ser uma deceção para o seu pai. 

Felizmente para o jovem Albus, as mais loucas aventuras (e escolhas) acabam por se atravessar no seu caminho e ajudam-no a encontrar um rumo que acredita ser o seu. O percorrer de tal caminho leva-o a fomentar amizades improváveis, a viajar no tempo, a enfrentar fantasmas que há muito partiram e a revelar uma nova e inesperada ameaça, vinda da sua própria linha temporal. 

O livro é o guião da peça de teatro (formato original da história) e, para quem gosta de texto dramático, uma delícia de ler. À riqueza da narrativa junta-se o detalhe cénico fornecido pelas didascálias criando facilmente magia na imaginação de cada um. 

A peça estreou no final de Julho de 2016, no Palace Theatre em Londres, onde continua em exibição, e para quem não teve ainda a oportunidade de ver, ficará certamente com mais vontade depois de ler o livro. 

Indispensável para os fãs da saga Harry Potter!

Classificação:




Nuno Soares

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Mês da Poesia: Nas Asas da Poesia - Não importa




Não importa onde estejas.
 Não importa de onde vens
nem sequer para onde irás.
 Mesmo que não me vejas,
acredita que me tens
em cada passo que dás.

Não importa o que te assuste
 ou o que te ponha em dilema,
 quem quer que te roube o pão.
 Na hora em que a vida te custe
saberás que nada é problema
se ouvires o teu coração.

 Lá dentro, sem dares por tal,
 estarei rufando tambores
 para não esqueceres (se é verdade)
 que na vida, o que é nosso afinal
são as mágoas dos bons amores
 e os amigos que deixam saudade.

Roberto Leandro


P.S: O Mês da Poesia é um desafio interactivo promovido pelo Opina com o objectivo de dar espaço aos nossos leitores para partilharem os seus escritos poéticos. O Mês da Poesia será realizado regularmente de 2 em 2 meses subordinado a uma temática apresentada no último Domingo do mês anterior. O tema do mês de Fevereiro é: Amizade. Enviem-nos os vossos poemas por mensagem privada na página de Facebook do Opina ou por comentário aqui no blog. No caso de haver uma enxurrada de poemas, faremos uma pré-selecção e os poemas seleccionados serão publicados, como de costume, aos Domingos. Boas leituras!