domingo, 17 de julho de 2016

Nas Asas da Poesia - Campeões!

Um país partiu para Fança
Em forma de selecção
E, com ele, levou a esperança
De um Portugal campeão.

Começámos a jogar
Os 3 jogos empatámos
E, mesmo sem deslumbrar,
O nosso grupo passámos.

Então a Croácia chegou
Para nos ultrapassar
Mas um golo que tardou
Pôs um país a gritar.

Nos penalties contra os polacos
Toda a fé de uma nação
Em homens com nervos de aço
E nas mãos de um guardião.

As meias também passaram
E chegámos à final
E poucos acreditaram
Que este era p’ra Portugal.

Com nervosismo e sofrimento
Mas também com muito querer
Esquecemos todo o lamento
E conseguimos vencer.

Uma semana passou
E ainda custa a acreditar
Que a nossa hora chegou
E é tempo de celebrar.



Marco Gago

terça-feira, 12 de julho de 2016

Campeões!!!

Campeões!!! Somos Campeões!!! Campeões cara…torze! Catorze, não. Vinte e três! Ou 11, mas milhões, mais todos aqueles irmãos na Lusofonia e não só, que nos apoiaram e connosco festejaram do Canadá a Timor, do Brasil ao Japão! Até do espaço vieram felicitações, cortesia do astronauta da NASA, Terry Virts que não ficou indiferente à conquista do Campeonato da Europa de Futebol por Portugal e nos enviou uma foto do nosso país na grande noite! Foi sem dúvida um momento que os Portugueses não irão esquecer tão cedo, por ser o primeiro título internacional da seleção mas também pelo trajeto muito particular que fizemos até termos o caneco na mão. Como bons Portugueses, jamais poderíamos chegar lá sem uma imensa dose de emoção e sofrimento, mas já lá iremos.

Antes de mais, tenho que elogiar o trabalho gigante que Fernando Santos fez com este grupo de trabalho uma equipa habituada a… a… aaaaaa… perder com tranquilidade, como de resto fez no primeiro jogo do apuramento para este europeu contra a poderosa Albânia. A partir daí, só vitórias até chegarmos a França, mas mais do que os resultados admiro o que Fernando Santos foi capaz de fazer e que foi muito mais que ganhar jogos. Construiu uma equipa e mesmo com a contingência (e que não é pequena) de não ter um ponta-de-lança, pôs as ambições naquele caneco de imperial XXL que entregam sem tremoços a quem ganha o Campeonato da Europa de Futebol e fê-lo, com uma mistura de ambição e humildade, muito respeito pelos adversários completamente patente na maneira como adaptava tática, titulares e modo de jogo consoante o adversário, sempre com os pés na terra e acima de tudo consciente das nossa próprias limitações, e isto, é algo que nós Portugueses não estamos habituados.

Campeões da Europa de Futebol
Reconhecer as limitações que temos, individuais e coletivas, e trabalhá-las, tentar mitigá-las, potenciando os nossos pontos fortes foi, na minha opinião a chave para o nosso sucesso. Não ganhámos por sermos melhor que todos os outros, por termos o futebol mais vistoso (ou o “melhor futebol” como lhe chama muita gente) ou mais ofensivo, nem tão pouco por termos o melhor do mundo, pois o pobre Ronaldo encostou às boxes bastante cedo na final. Fomos campeões porque Fernando Santos soube montar a melhor equipa, com uma coesão fantástica, uma resistência física tremenda, com uma profundidade admirável que permitiu uma gestão de plantel inteligentíssima, trocando titulares de jogo para jogo, mantendo performances técnicas, táticas, emocionais e físicas de alto nível com uma regularidade de fazer inveja a qualquer equipa no mundo. Fomos campeões porque Fernando Santos soube construir um espírito de grupo que foi muito além dos 23 jogadores, que contagiou, todo o país e que já não se via desde o saudoso Scolari (esse abençoado pingolim) e porque efetivamente os jogadores souberam mais do que executar ao milímetro, souberam viver este espírito de grupo, esta determinação, esta vontade de superação que não estava presente na era Paulo Bento.

Aliás não seria justo pôr tanto enfase no fantástico trabalho do treinador sem fazer o mesmo com a performance dos jogadores e, verdade seja dita, que cada jogo teve os seus heróis, e que dada a maneira como jogámos, estes foram muitos e de diversos setores, da baliza ao apanha-bolas (o rapaz que marcou o golo na final) mas de todas as contribuições fantásticas que estes 23 deram quero destacar o Cristiano por achar que ele foi essencialíssimo na construção desta conquista.

No PES é mais fácil


Este europeu foi para Cristiano a consagração de uma carreira incrível, melhor do mundo ou não, este ano, o passado ou no próximo, este homem estará sempre entre os melhores jogadores do mundo de todos os tempos, por ser um jogador de um nível que muito poucos atingem. Ronaldo foi neste europeu mais do que a vedeta, mais do que o goleador ou o homem do drible impossível e do remate imparável foi um excelente jogador de equipa, Versátil, incansável, foi um líder para a equipa, uma inspiração, Ronaldo foi sofrimento, frustração, foi alegria, foi entrega, foi superação, merecimento e no fim, no fim foi a consagração. Um pouco o espelho de todo o grupo é certo, mas como sempre com ele, num expoente bastante elevado.

Ainda com 2 joelhos
Viu-se a produção ofensiva, mesmo faltando os golos, contra a Islândia, viu-se a frustração contra a Áustria, a loucura completa contra a Hungria de quem tem que conseguir porque tem que conseguir porque não há maneira nenhuma nem que se torçam todos de que não se vá conseguir, viu-se a cabeça contra a Croácia e uma pontinha de sorte contra a Polónia, viu-se a maturidade e a seriedade contra Gales e viu-se tudo isto e muito mais contra França.

Acima de tudo viu-se uma grande equipa, viram-se incríveis jovens talentos do futebol Português que nos dão muita esperança nos próximos anos e muitas expectativas para os desafios que aí vêm, a Taça das Confederações já em 2017 e o Mundial em 2018. Estes jovens mostram que o nosso futebol tem muito para dar, mostra que as nossas instituições estão de parabéns por darem espaço e tempo de jogo a estes jogadores para se fazerem campeões (e neste capítulo particular tenho que dar os especiais parabéns ao Sporting Clube de Portugal, enquanto clube que mais jogadores formou nesta seleção), porque jogadores como Renato Sanches, João Mário, Raphael Guerreiro, William de Carvalho são sem dúvida o futuro da Seleção Nacional e olhando para como jogaram neste europeu, o futuro é certamente risonho.

Parabéns a todos! Somos Campeões!!! E o resto é palha!


Egídio Desidério


P.S: Não foi nem em uma nem em duas que mandei postas de pescada sobre a qualidade do Éder enquanto jogador de futebol, mas ó Éder, porra, aquilo foi um ganda golo! Já valeu o bilhete de avião! Parabéns! Agora é começar a fazer desses assim… vá… uma vez a cada 18 meses.




domingo, 10 de julho de 2016

Nas Asas da Poesia - Acordar cedo

Acordar cedo
Faz tão bem
Não tem medo
Quem é quem?

Acordar cedo
Arde os olhos
No enredo
Entre folhos.

Acordar cedo
Ai que sono
Indica o dedo
No seu trono.

Acordar cedo
Minha nossa
Não entendo
Ai que coça.




Paulo D. de Sousa

domingo, 3 de julho de 2016

Nas Asas da Poesia - Família

Nada há de mais sagrado
Que a família que temos
Está sempre ao nosso lado
Desde o dia em que nascemos.

Recebemos ao nascer
A maior benção da vida
Nada importa mais que ter
Uma família unida.

Nada há de mais sagrado
Que a família que temos
Está sempre ao nosso lado
À medida que crescemos.

Nem sempre damos valor
Aos que ao nosso lado estão
Mas na alegria e na dor
Sabemos que lá estarão.

Nada há de mais sagrado
Que a família que temos
Pois sabemos que a seu lado
Nunca nós nos perderemos.

Na alegria eles são
Com quem queremos festejar
E na tristeza serão
Quem nos irá levantar.

Nada há de mais sagrado
Que a família que temos
Pois sabemos que a seu lado
Amor sempre encontraremos.

Estejamos longe ou perto,
Em Invernos ou Verões,
Sempre estaremos, é certo,
Dentro dos seus corações.

Nada há de mais sagrado
Que a família que temos
Está sempre ao nosso lado
Até ao dia em que morremos.


Marco Gago

segunda-feira, 27 de junho de 2016

terça-feira, 21 de junho de 2016

Crónica Social - Aprender a (des)aprender

Sou bastante desarrumada.
Às vezes caótica até, nas misturas de coisas que faço sem nenhum critério aparente.
Vou deixando aqui e ali, em sacos e caixas (adoro caixas) que contem um bocadinho de tudo – de lixo também. E, se não me policiar (ou se não me policiarem) facilmente crio montes de desarrumação, de tralha, mais ou menos sentimental.
Quem me conhece bem diz que estou muito calada, que falo cada vez menos.
As minhas narrativas (as escritas mas também as faladas) ficam mais parcas à medida que o tempo avança. Aprecio cada vez mais o silêncio.
Gosto de pensar que nas conversas, como na vida, o que se perde em pormenores, ganha-se em essência - muita coisa perde significado e não resiste à passagem do tempo.
Hoje vou construindo a ideia de que o nosso processo de aprendizagem é uma espécie de mala de viagem. E, no meu caso a noção de essencial foi encolhendo muito.
Prefiro uma ‘bagagem’ mínima que não me tolha a mobilidade.
Porque o essencial é a viagem.
Como na vida.


A ideia de que acumulamos conhecimento como se fosse dinheiro não me seduz. Tirando a tralha sentimental, tento não acumular. Para o dinheiro, sei bem que não tenho jeito para o acumular; para o conhecimento acredito que quanto mais sei, mais dúvidas tenho – ‘´só sei que nada sei’ como no paradoxo socrático.
Quanto à informação sinto que o excesso pode até ficar tóxico. Ou produzir o efeito inverso, que é o de nos tornar insensíveis, alheios e alheados.
Paradoxalmente, questiono-me sobre o que é que eu faço com o que aprendi ao longo de uma vida já com bastantes anos?
Talvez aqui valha a pena distinguir entre informação e conhecimento significante e a sabedoria possa construir-se à medida que essa distinção se faça.
Existe informação relevante e não relevante (face aos nossos bons critérios, claro está) e existe sobretudo a necessidade de arranjar espaço e tempo para continuar a seleccionar informação nova neste mundo de excessos em que hoje vivemos.
Quando a informação é mediada pela experiência, transforma-se em conhecimento. E este pode servir-nos para nos conhecermos melhor, a nós, aos outros e ao mundo, dando margem para continuar a aprender mas pode também fechar-nos numa barricada de certezas.
Às vezes, na minha relação com outros (os mais novos mas não só) sinto uma certa arrogância. Tento domá-la mas inquieta-me. Por vezes é defensiva, porque existe muita gente, independentemente da idade, que acha que sabe tudo e a ignorância é atrevida. Outras vezes, fico enquistada em ‘especialidades’ que fui construindo. E isso preocupa-me.
Existe em mim uma tensão entre o que de facto sei, sem falsas modéstias e que, não passa de uma matriz construída com dados e experiências, e o que não sei.
O que a vida me tem ensinado é que aumentou o espaço do ‘não sei’ sobre coisas verdadeiramente importantes:
 – Como gerir a minha vida para ser mais feliz?
- Como fazer as mudanças que pretendo para mim?
- Como aceitar o diferente, o inesperado, o que a vida me traz sem ter sido pedido?
- Como aceitar os outros como eles são, e não como eu gostaria que fossem?
- Como aceitar a impotência de não poder fazer nada para modificar coisas que me incomodam? Como?
Na maior parte dos dias aceito com alguma tranquilidade este aumento do espaço do ‘não saber’ sobre o que é verdadeiramente importante porque a arte de viver me parece uma obra inacabada.
Mas também este tipo de convicções são paradoxais e os perigos são muitos nos combates incessantes que travamos contra nós próprios.
Hoje acho que uma criança pequena pode ser muito mais sábia do que um painel de doutores.
E que neste caminho sou de facto uma aprendiz.



Isabel Passarinho

domingo, 19 de junho de 2016

Nas Asas da Poesia - Será que sou invisível?

Será que sou invisível?
Desapareci de repente?
Sei que não sou insensível
Mas como é que é possível
Sentir-me tão transparente?

Falo e só silêncio ouço
Escrevo e a resposta não vem
Faço tudo aquilo que posso
Mas não sei porque me esforço
P’ra ser o melhor que sei.

Será que eu não existo?
Não passo de uma ilusão?
Vou seguindo sem ser visto
Mas ainda assim insisto
Em querer ter coração.

Tento o melhor de mim
Mas nunca é suficiente
Penso no que já vivi
Mas estarei de facto aqui?
Ou serei inexistente?


Será que eu sou real?
Ou só existo em minha mente?
Queria ser especial
Mas sinto-me tão banal
Entre tanto sentimento.

Sinto mais do que queria
Sinto e ponho-me a pensar
Sinto e sonho todo o dia
Mas será que eu devia
Parar de sentir e sonhar?

Serão meus sonhos normais?
Sê-lo-ão meus sentimentos?
Queria crer que são reais
Mas talvez não sejam mais
Que fugazes pensamentos.

O que sinto e o que sou
Podem ser pura ilusão
Posso não estar onde estou
Ser um sonho que sonhou
Ser mais que imaginação.

Marco Gago