quinta-feira, 12 de maio de 2016

Pó na Fita - Portrait of a Serial Killer (1986)

Para o começo da Primavera fica um filme de terror perturbador para destoar.

Todos vimos o CSI, o Silêncio dos Inocentes e o Se7en e mais uma colectânea de filmes e séries com e sobre serial killers. A película que vos sugiro, despe-se dos artifícios cinematográficos e, de uma mergulho desconcertante e gelado, imerge-nos no mundo simples de um predador psicopata. O foco de toda a trama está dirigido a Henry, como ele perpetua os seus crimes hediondos, como vive com esses episódios e como os explica a si mesmo. Para além disso, é um retrato poderoso dos marginais e marginalizados pela sociedade, da violência que distorce estes seres humanos, outrora inocentes, transtornando-os em almas penadas sem lei nem moral. A história mostra o que não queremos ver, nem desejamos compreender, nem sonhar em viver, mas, paradoxalmente, leva-nos a um ponto de quase empatia com Henry!
  
Numa câmara ora voyeurista, ora omissa e sugestiva, o tom extremamente cru e real do filme deverá fazer arrepiar os mais empedernidos. Michael Rooker desenvolve a encarnação de um anjo caído, desprovido de sentido de maldade/bondade, imbuído das suas pulsões homicidas, que regem uma parte da sua vida, oscilando entre uma certa candura embrutecida e a glacial possessão demoníaca.

Um retrato sem julgamento, sem reflexão, um soco no estômago de realidade.

P.S. Para quem quiser passar a um nível superior de visceralidade, mas que espelha precisamente a temática da violência, aconselho, qual farta sobremesa, o filme The Woman.


Rafael Nascimento

domingo, 8 de maio de 2016

Nas Asas da Poesia - Um dia serei a Antártida

Quero dormir na Antártida
Esconder caimbras e assaduras
Tornando um apátrida
Em livros sem ranhuras

Não me movo, não prejudico
Escrevo sem ser profeta
Ouço a vida e calo o bico
Sem ter mensagem secreta

Não destruindo passo a criar
Está frio mas quero a Antártida
Para as lágrimas congelar
E aceitar-me sendo a sátira

Progresso torna-nos presos
Eu sou árvore e montanha
Corações saem-se ilesos
Do meu que não tem lenha

Não serei a fogueira
Para coração arrefecido
Aquecer sem fronteira
Num vácuo desmedido

Um dia serei a Antártida



Paulo D. de Sousa

segunda-feira, 2 de maio de 2016

20.000 Visualizações!

O mês de Maio trouxe-nos a vigésima milionésima visita logo no seu primeiro dia, esse Dia do Trabalhador!

Obrigado a essa alma que fez o nosso contador chegar aos 20.000 e às 19.999 que antecederam, aos Trabalhadores da Cultura que fazem dos sonhos realidade, que fazem coisas acontecer, que se desdobram em esforços para que a identidade cultural das comunidades em que se inserem não desapareça e pelo contrário, floresça, cresça e conheça novos horizontes, aos que gravam um álbum, que escrevem um livro, que rodam um filme, e que trazem ao mundo uma das muitas formas de arte que o ser humano usa para se expressar.

A todos, muito obrigado!

1, 3, 20.000... já não nos cabem nas mãos. Obrigado!


A todos os que nos seguem deixamos alguns dos artigos mais lidos do último ano, para lerem ou relerem.


segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de Abril

Hoje e sempre, o nosso desejo de um grande dia da Liberdade! Viva o 25 de Abril!


E deixamos a sugestão da banda sonora para o dia:



domingo, 24 de abril de 2016

Nas Asas da Poesia - Chega a noite e adormeço

Chega a noite e adormeço,
Sonho e volto a acordar
Saio da cama e recomeço
Sem dar p’lo tempo passar.

Mais um dia começou
Sem saber o que esperar
Mais um dia se passou
Sem o que quero encontrar.

Chega a noite e adormeço,
Sonho e volto a acordar
Olho ao espelho e reconheço
No que me estou a tornar.

Cresci ao passar o tempo
Muito eu já aprendi
Em cada simples momento
Em que sorri ou sofri.

Chega a noite e adormeço,
Sonho e volto a acordar
Saio da cama e reconheço
Que continuo a sonhar.



A dormir ou acordado
Sempre estarei a sonhar
E em cada sonho sonhado
Está o que quero alcançar.

Chega a noite e adormeço,
Sonho e volto a acordar
Olho ao espelho e desconheço
O que ainda irá mudar.

Mudarei aquilo que sou?
Mudarei aquilo que quero?
Mudarei eu onde estou?
Serei aquilo que espero?

Chega a noite e adormeço,
Sonho e volto a acordar
Saio da cama e recomeço
Sem dar p’lo tempo passar.

Marco Gago

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Nas Asas da Poesia - Dia do Pai

Pai grande
Não, gigante
Meu peito expande
Como o de elefante

Viver cada dia
Ensinaste-me bem
A percorrer a via
Pai que ninguém tem

Pai enorme
Não, universal
Coração nunca dorme
Minha espinha dorsal

Ninguém é incompleto
Com um mestre assim
Neste labirinto incerto
Num amor sem fim

Com um pai
Maravilhoso assim
Não há dia do pai
Todos são dias do pai p´ra mim



Para o meu pai.
Paulo D. de Sousa

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Desafio de Aniversário: Crónicas de uma Viagem - Algarve: dois mundos numa única região

Quando se fala no Algarve, os primeiros pensamentos que invadem as cabeças da maioria das pessoas são de sol, verão e praia mas esta região tem muito mais para oferecer a quem a visita.
As vicissitudes da minha vida tornaram-na numa constante viagem entre Sotavento e Barlavento algarvios. Esta viagem deu-me o privilégio de poder conhecer dois “algarves” distintos e aproveitar o que de melhor cada um deles tem para oferecer.
De um lado Olhão, capital da Ria Formosa, uma cidade de origem piscatória, situada no litoral algarvio. Do outro lado Monchique, uma vila no interior algarvio que pertencendo a um dos maiores concelhos algarvio sofre de um problema de diminuição e envelhecimento da população, tão típico das regiões interiores.
Nas margens da Ria Formosa (uma das sete maravilhas naturais de Portugal) ergue-se Olhão, uma cidade que, apesar de se encontrar no litoral algarvio, não é como destino de praia que é vista pelos turistas. A sua arquitetura e a sua história fazem de Olhão um destino mais cultural para todos os que visitam a cidade.



Entre os locais mais emblemáticos encontram-se a Zona Histórica da cidade, onde pode ver-se um pouco do Olhão de antigamente (antes de ser promovida a vila ou cidade) e os Mercados Municipais que são um ex-libris da cidade e apresentam uma arquitetura que os diferencia dos restantes mercados algarvios. Junto aos Mercados Municipais é possível ver uma réplica do Caíque “Bom Sucesso”, a embarcação que partiu desta mesma cidade para informar o príncipe regente D. João (futuro D. João VI) da expulsão das tropas francesas do Algarve.
A cidade de Olhão também é conhecida pela sua gastronomia, centrada em produtos oriundos do mar como o peixe e o marisco. No caso específico do marisco realiza-se na cidade, todos os anos em agosto, o Festival do Marisco no qual este é cozinhado de diversas maneiras e para todos os gostos.
Apesar de não ser visto como um destino de praia, também se encontram praias no concelho de Olhão, nomeadamente na Ilha da Armona (única ilha barreira da Ria Formosa que pertence ao concelho).
A Ilha da Armona é, na minha modesta opinião, um paraíso na Terra, um local em que podemos desligar-nos do mundo exterior e do stress do dia-a-dia e em que podemos recarregar as nossas energias. Esta ilha apresenta duas faces distintas, uma mais civilizada onde se concentram todos os cafés, restaurantes e zonas habitacionais e outra mais natural cujas paisagens se confundem com as das ilhas desertas e inabitadas.
Do litoral para o interior encontramos Monchique, uma vila perdida no meio da serra algarvia com um património natural imenso.
O seu clima particular permite que o concelho de Monchique apresente uma biodiversidade riquíssima tanto em termos de fauna como de flora.
As suas paisagens verdejantes e os ribeiros de água cristalina fazem de Monchique um destino obrigatório para os amantes da natureza. Estes podem explorar a serra tanto de carro como em passeios pedestres, podendo optar pela contemplação da paisagem ou por fazer uma paragem para um belo piquenique num dos infinitos locais propícios que irão, certamente, encontrar.
Para aqueles menos aventureiros e com menos interesse em explorar a serra, há sempre a possibilidade de ter uma visão global da mesma num dos muitos miradouros existentes no concelho, sendo que um deles se encontra no ponto mais alto do Algarve, a Fóia, a 902 metros de altitude. Nestes miradouros irão ter a privilégio de desfrutar de algumas das mais bonitas vistas do Algarve.
Na vila propriamente dita pode-se passear pelas estreitas ruas, bem como conhecer a Igreja Matriz e o Convento de Nossa Senhora do Desterro, aproveitando para observar a arquitetura da mesma.
É impossível falar de Monchique sem falar das Caldas de Monchique na qual se situam as Termas, que existem desde o tempo da ocupação romana, nas quais água termal é utilizada para fins medicinais e estéticos.
Tal como Olhão, Monchique também é uma localidade conhecida pela sua gastronomia sendo que neste caso os enchidos são os principais produtos da mesma, tendo eles uma feira própria (Feira dos Enchidos) que se realiza todos os anos no primeiro fim-de-semana de Março.
Concluindo, apesar de serem dois mundos completamente diferentes e distarem cerca de 100 quilómetros, tanto Olhão como Monchique são locais com algo de mágico a oferecer a quem os visita. Algumas pessoas irão preferir a visita a Olhão outras irão gostar mais de Monchique mas acredito que ninguém se arrependerá de visitar qualquer destas localidades.

Marco Gago