quarta-feira, 13 de abril de 2016

Nas Asas da Poesia - Dia do Pai

Pai grande
Não, gigante
Meu peito expande
Como o de elefante

Viver cada dia
Ensinaste-me bem
A percorrer a via
Pai que ninguém tem

Pai enorme
Não, universal
Coração nunca dorme
Minha espinha dorsal

Ninguém é incompleto
Com um mestre assim
Neste labirinto incerto
Num amor sem fim

Com um pai
Maravilhoso assim
Não há dia do pai
Todos são dias do pai p´ra mim



Para o meu pai.
Paulo D. de Sousa

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Desafio de Aniversário: Crónicas de uma Viagem - Algarve: dois mundos numa única região

Quando se fala no Algarve, os primeiros pensamentos que invadem as cabeças da maioria das pessoas são de sol, verão e praia mas esta região tem muito mais para oferecer a quem a visita.
As vicissitudes da minha vida tornaram-na numa constante viagem entre Sotavento e Barlavento algarvios. Esta viagem deu-me o privilégio de poder conhecer dois “algarves” distintos e aproveitar o que de melhor cada um deles tem para oferecer.
De um lado Olhão, capital da Ria Formosa, uma cidade de origem piscatória, situada no litoral algarvio. Do outro lado Monchique, uma vila no interior algarvio que pertencendo a um dos maiores concelhos algarvio sofre de um problema de diminuição e envelhecimento da população, tão típico das regiões interiores.
Nas margens da Ria Formosa (uma das sete maravilhas naturais de Portugal) ergue-se Olhão, uma cidade que, apesar de se encontrar no litoral algarvio, não é como destino de praia que é vista pelos turistas. A sua arquitetura e a sua história fazem de Olhão um destino mais cultural para todos os que visitam a cidade.



Entre os locais mais emblemáticos encontram-se a Zona Histórica da cidade, onde pode ver-se um pouco do Olhão de antigamente (antes de ser promovida a vila ou cidade) e os Mercados Municipais que são um ex-libris da cidade e apresentam uma arquitetura que os diferencia dos restantes mercados algarvios. Junto aos Mercados Municipais é possível ver uma réplica do Caíque “Bom Sucesso”, a embarcação que partiu desta mesma cidade para informar o príncipe regente D. João (futuro D. João VI) da expulsão das tropas francesas do Algarve.
A cidade de Olhão também é conhecida pela sua gastronomia, centrada em produtos oriundos do mar como o peixe e o marisco. No caso específico do marisco realiza-se na cidade, todos os anos em agosto, o Festival do Marisco no qual este é cozinhado de diversas maneiras e para todos os gostos.
Apesar de não ser visto como um destino de praia, também se encontram praias no concelho de Olhão, nomeadamente na Ilha da Armona (única ilha barreira da Ria Formosa que pertence ao concelho).
A Ilha da Armona é, na minha modesta opinião, um paraíso na Terra, um local em que podemos desligar-nos do mundo exterior e do stress do dia-a-dia e em que podemos recarregar as nossas energias. Esta ilha apresenta duas faces distintas, uma mais civilizada onde se concentram todos os cafés, restaurantes e zonas habitacionais e outra mais natural cujas paisagens se confundem com as das ilhas desertas e inabitadas.
Do litoral para o interior encontramos Monchique, uma vila perdida no meio da serra algarvia com um património natural imenso.
O seu clima particular permite que o concelho de Monchique apresente uma biodiversidade riquíssima tanto em termos de fauna como de flora.
As suas paisagens verdejantes e os ribeiros de água cristalina fazem de Monchique um destino obrigatório para os amantes da natureza. Estes podem explorar a serra tanto de carro como em passeios pedestres, podendo optar pela contemplação da paisagem ou por fazer uma paragem para um belo piquenique num dos infinitos locais propícios que irão, certamente, encontrar.
Para aqueles menos aventureiros e com menos interesse em explorar a serra, há sempre a possibilidade de ter uma visão global da mesma num dos muitos miradouros existentes no concelho, sendo que um deles se encontra no ponto mais alto do Algarve, a Fóia, a 902 metros de altitude. Nestes miradouros irão ter a privilégio de desfrutar de algumas das mais bonitas vistas do Algarve.
Na vila propriamente dita pode-se passear pelas estreitas ruas, bem como conhecer a Igreja Matriz e o Convento de Nossa Senhora do Desterro, aproveitando para observar a arquitetura da mesma.
É impossível falar de Monchique sem falar das Caldas de Monchique na qual se situam as Termas, que existem desde o tempo da ocupação romana, nas quais água termal é utilizada para fins medicinais e estéticos.
Tal como Olhão, Monchique também é uma localidade conhecida pela sua gastronomia sendo que neste caso os enchidos são os principais produtos da mesma, tendo eles uma feira própria (Feira dos Enchidos) que se realiza todos os anos no primeiro fim-de-semana de Março.
Concluindo, apesar de serem dois mundos completamente diferentes e distarem cerca de 100 quilómetros, tanto Olhão como Monchique são locais com algo de mágico a oferecer a quem os visita. Algumas pessoas irão preferir a visita a Olhão outras irão gostar mais de Monchique mas acredito que ninguém se arrependerá de visitar qualquer destas localidades.

Marco Gago

quarta-feira, 30 de março de 2016

Desafio de Aniversário: Crónica Social - Entre a linha e a Parede

Em Braga observo rabiscos nas paredes sujas dos prédios. Esses rabiscos efémeros, ou duradouros que pertencem às cidades, à nossa história, à nossa cultura, à criança que declarou o amor pela paixão que tinha, aos amigos que brincaram com mensagens escritas nos muros da escola, à rebelia de um protesto político, à rebeldia de uma “crew”.
Os “rabiscos” estão incluídos na nossa liberdade de expressão, a qual é protegida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.

Foto de um original do Banksy

O graffiti surge na pré-história sob a forma de arte rupestre. Este tipo de expressão humana tomava várias formas, inscrições, desenhos a sangue em rochas, muros e paredes.
Gravura rupestre em Vila Nova de Foz CôaPortugal

Graffiti (do italiano graffiti, plural de graffito)é o nome dado às inscrições feitas nas paredes do Império Romano. É uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade. Este tipo de expressão pode ser usada com vários propósitos e objectivos.
O graffiti surge, na década de 70, nos bairros de Nova Iorque. As formas mais antigas são os tag´s que já eram utilizados nos anos 30, pelos gangues americanos, para limitação de território. Esta "moda" ressurge entre os jovens provenientes dos guetos negros e os bairros pobres dos EUA, acompanhando movimentos culturais que florescem das ruas, os quais incluem o hip-hop e o rap, na esfera musical, e o breakdance na dança. O fenómeno atingiu a Europa nos anos 80.
Foto de um tag famoso de Tracy 168

Foto de um original de Basquiat

Em Portugal, o graffiti surgiu no final da década de 80 continuando a manifestar-se até hoje.

Foto de um original de Homem Mudo

Foto de um original de João com Z

O graffiti faz parte da legislação portuguesa:  http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=1972&tabela=leis. No entanto estas leis não andam a ajudar o planeamento urbano, como confirma esta notícia do diário de notícias: http://www.dn.pt/portugal/interior/lei-incapaz-de-combater-a-realizacao-ilegal-de-graffiti-4136792.html. As câmaras municipais são até hoje, incapazes de lidarem com a linha ténue que diferencia esta arte de rua, com o ato de pichação que é o ato de escrever ou rabiscar sobre muros, fachadas de edifícios, asfalto de ruas, ou monumentos, usando tinta em spray aerossol, dificilmente removível, stencil, ou mesmo rolo de tinta. Isto traz consequências negativas relativamente à liberdade de expressão. Por exemplo, o graffiti de Nomen criado em Março de 2013 censurado pela câmara municipal de Oeiras.

Foto de um original do Nomen


Fenómeno de pichação na parede do muro da Igreja de S.Vítor, Braga.

Como qualquer tipo de arte, o graffiti possui vários estilos. Eis alguns exemplos:

Stencil por Mr. Brainwash


Rubikcubism por Invader


Graffiti 3D por Eduardo Relero 

                Um marco importante na história da arte, para o graffiti, foi a nomeação de Banksy para Oscar de melhor documentário com o filme “Exit Through The Gift Shop”.
                 À medida que fui escrevendo esta crónica mudei radicalmente a minha posição sobre o graffiti, antes de a fazer tomava uma posição de rejeição relativamente aos tags, ou à pichação. Contudo, agora que a termino, considero o tag e a pichação parte da arte do graffiti. Os “rabiscos” tornaram-se linhas e as linhas tornaram-se numa arte com vários estilos. São o reflexo da mais pura simplicidade de uma pessoa, ou artista. Tal como outras artes, o graffiti está repleto de emoções humanas que em forma de tinta respiram com as paredes das nossas cidades, seja ódio, protesto, amor, ou amizade, todas elas importantes para a nossa liberdade de expressão.
As câmaras municipais e os cidadãos, têm assim nas mãos a responsabilidade de intervir quanto ao planeamento urbanístico da sua cidade, só assim esta arte urbana se expressará na sua melhor forma, sem limites.
               

 Paulo D. de Sousa

quinta-feira, 24 de março de 2016

Europa Universalis IV


Título: Europa Universalis IV
Desenvolvido por: Paradox Development Studio
Editora: Paradox Interactive
Data de lançamento: 8/2013
Género: RTS (Real-Time Strategy)


Europa Universalis IV é o último título da coleção com o mesmo nome que fez a sua aparição em 2001. O conceito mantém-se desde o primeiro título, focando-se este jogo na gestão de um das centenas de reinos, impérios, repúblicas e confederações, espalhadas pelos cinco continentes entre 1444 e 1821.




Economia, diplomacia e força militar são os 3 pilares deste jogo que, pela dimensão do mapa e pelas dinâmicas entre os vários países garante não só uma experiência bastante rica a nível de entretenimento e de conhecimento histórico, como um desafio entusiasmante fruto da possibilidade da escolha de todo e qualquer facção existente no mapa, e de estabelecer objectivos adaptáveis à fase de desenvolvimento do país controlado e ao nível de ambição do jogador.

Construir um império global com Portugal, ressuscitar o império romano pela mão dos Bizantinos, a sobrevivência dos Aztecas até ao século XIX ou a construção de um império do meio na China são apenas algumas das quase infinitas possibilidades que o jogo proporciona ao longo de quase 400 anos.

O desenvolvimento de novas tecnologias, militares, de navegação e ciência e administrativas são essenciais para levar a campanha a bom porto, assim como o desenvolvimento das províncias, cabendo ao jogador decidir o que construir em cada cidade, podendo moldar o país às suas ambições, desenvolvendo uma potência naval, um bastião dos direitos humanos, e/ou uma bem oleada máquina administrativa e fiscal.



Europa Universalis IV destaca-se de títulos semelhantes pelo equilíbrio entre as três vertentes de gestão e pela fluidez de jogo, simples e fácil de dominar mas, que no entanto, ainda permite desafios a utilizadores mais experientes. O facto de a personalização de cada facção estar patente quer na parte tecnológica, quer nos eventos históricos a que um país está sujeito ao longo do jogo, quer ao tipo de unidades que controla enriquece bastante a experiência de jogo e aumenta, sem dúvida, o desafio.

O sistema de combate, quer terreste quer naval, ocorre numa formato de mapa-mundo, semelhante ao jogo de tabuleiro Risco, sendo bastante simples e fácil de dominar mas perdendo, por outro lado, o detalhe estratégico patente na colecção Total War em que o jogador controla as unidades em batalha, tendo a sua performance influência no resultado da mesma.



Em suma, um jogo fluído e de boa acessibilidade para quem dá os primeiros passos em RTSs e, ainda assim, com conteúdo, dinâmica e desafio suficiente para entreter durante largas horas os jogadores mais hardcore do género.

Classificação:






Nuno Soares

terça-feira, 22 de março de 2016

Mega Sorteio de Aniversário - Resultado

E hoje é dia de divulgar os resultados do Mega Sorteio de Aniversário do Opina e os seus 3 vencedores!!!

O Surto” de António Limpo saiu em sorte a: Susana Cardoso.

Imagem 1: O Surto, o livro ganho pela Susana Cardoso

Contrabando” de Conceição Gonçalves vai parar às mãos de: Paulo Sousa.

Imagem 2: Contrabando, o novo livro do leitor Paulo Sousa

À Margem” de Conceição Gonçalves irá viajar até ao domicílio de: João Ventura.

Imagem 3: À Margem, a melhor companhia do João Ventura nos próximos tempos


Parabéns aos 3!!!
  

A todos os participantes, um muito obrigado, e continuem connosco nas celebrações e novidades deste mês de aniversário! 



segunda-feira, 14 de março de 2016

Desafio de Aniversário: Pó na Fita - Tempos Modernos/O Quarto de Jack

Isto das trocas tem os seus desafios.

Sair da zona de conforto (não sou uma cinéfila, nem nada que se pareça) e partilhar gostos. Devo dizer que gosto de filmes que me ponham a pensar, que me surpreendam e que não sejam óbvios. Gosto de muita coisa diferente, de muitos realizadores, de Bjork, a Almodovar, passando por Lars von Trier, Woody Allen e tantos outros. Cada vez aprecio mais os clássicos e os filmes, atores e realizadores que fazem o seu trabalho à margem da gigantesca indústria do ‘showbuziness’.

Escolher não foi fácil. 

Optei por um filme sem pó nenhum – ganhou Óscar 2016 para a melhor actriz, Brie Larson, no papel de mãe do garoto. E outro com muito pó, Tempos Modernos, um filme de Charlie Chaplin (1936).

Neste último, Charlot é um vagabundo que tenta sobreviver ao mundo moderno e industrializado da I Revolução. É um filme crítico do capitalismo e que passa uma forte mensagem social. Permanece actual e acho-o intemporal. Vê-lo à luz dos dias de hoje (estamos na quarta ou quinta revolução industrial?) e, com todas as diferenças que as máquinas têm em si próprias e no lugar que lhes demos nas nossas vidas, faz-nos questionar – até onde as máquinas vão tomar o lugar do homem? O que acontece aos milhões de pessoas sem ocupação, por esse planeta fora? Este filme retracta uma sociedade muito violenta, em caos e com uma desumanização crescente.


O Quarto conta uma história bonita de amor parental e resiliência, com duas excelentes interpretações. Interessa pouco a história das circunstâncias do filme a não ser pela metáfora. Aliás, o sequestro da jovem de 17 anos que fica sete anos no cativeiro, completamente isolada do mundo é marginal em relação à narrativa que dá enfoque à relação parental com o filho Jack, entretanto nascido no cativeiro.

A autora, Emma Donoghue, uma irlandesa do mundo com 47 anos, amplamente premiada vive da escrita desde os 23 anos e diz que o livro é uma metáfora das fronteiras da parentalidade. O filme emociona e lança questões sem ser melodramático. O que significa ser livre?

Ninguém é forte sozinho, sabe o pequeno Jack.



Isabel Passarinho 

quinta-feira, 10 de março de 2016

Desafio de Aniversário: Nas Asas da Poesia - O Sapateiro

Lá num vão, naquele beco da vila
Todos podiam ouvir o afincado bater
Do velho sapateiro da pele tisnada,
Coroado de seu avental de mester.

Seu testamento passeava na calçada
Velhos sapatos remendados,
fresca alpercata, bonita sandália.
As botinas dos pesados trabalhos.

O final do dia estava reservado.
Abria uma caixa por lá escondida
e, aninhadas no seu colo,
umas singelas botas aprimorava.

Escolhera a melhor borracha
Para uma sólida e longa fundação.
O couro de qualidade curtira,
macio, mas resistente à abrasão.

Afinara a alma com terno diapasão.
Forrara o interior de carícias.
O contraforte, como sua mão,
ampararia das pedras nas estradas.

Cosera ponto a ponto com esmero,
cantando uns versos antiquados,
como despreocupado encantamento
para nunca serem esgaçados.

Martelou a capa com as pancadas
da experiente disciplina paterna.
Cravou raras ilhoses argentinas,
poupadas ao longo de sua vida.

Passou por fim os cordões,
estreitando mais ainda os laços.
Rematou, engraxando adulações.
às “conquistadoras de caminhos”.
P’la tardinha veio a sua neta.
Ofereceu-lhas num sorriso tácito.
Ela pagou com beijo na bochecha
E mais nada foi preciso.



Rafael Nascimento


P.S: Neste mês em que celebramos o 3º aniversário do Opina, desafiámos os autores das nossas rubricas a sortear aleatoriamente a rubrica que escreveriam em Março em jeito de graça e desafio. Assim, ao Rafael, autor da nossa rubrica de cinema Pó na Fita, calhou o Nas Asas da Poesia. Esperamos que gostem!