terça-feira, 11 de agosto de 2015

Resistance: Fall of Man

Título – Resistance: Fall of Man
Desenvolvido por – Insomniac Games
Editora – Sony Computer Entertainment
Data de lançamento – 11/2006


Foi um dos jogos de lançamento da PS3, sendo um first person shooter (FPS) que se passa nos anos 50, primeiro de uma trilogia. Aqui acompanhamos uma história relatada pela Capitã Rachel Parker sobre os actos heróicos do Sargento Nathan Hale contra a invasão dos Chimera no Reino Unido.

Os Chimera não são mais que humanos transformados após a infecção de um vírus, que se iniciou na Rússia e rapidamente se espalhou por toda a Europa. Existem vários tipos consoante o tempo de incubação, cada uns com as suas armas e diferentes aspectos.

O meu interesse pelo jogo foi aumentando à medida que percorri a campanha, a variedade de armas tornou a escolha fácil de aplicar a cada situação de jogo, os variados inimigos tornam o jogo menos repetitivo e o uso de tanques e outros veículos expandem o jogo em termos de tipos de missão. Há collectibles para apanhar, que não são mais do que pedaços de intel que explicam factos já ocorridos e ajudam a entender melhor a narrativa.

Aqui podemos mesmo explorar locais reais, com destroços de guerra, que para quem já visitou terá um bom incentivo a recordar e imaginar, para quem é a primeira vez, passa a ter uma ideia. Os gráficos estão bem datados, simples, mas que mesmo assim apelam ao olho nu.

A inteligência artificial não é nada má para a altura, muitas das vezes em que procurava abrigo das balas que voavam ou até perfuravam pelo cenário, os inimigos davam a volta e flanqueavam-me. Isso foi uma surpresa!

Quanto ao multiplayer online, infelizmente não tive oportunidade de o experimentar, mas ainda consegui apreciar o multiplayer offline até 4 jogadores com vários modos e até dá para jogar em co-op em splitscreen! Esta função, infelizmente tem vindo a desaparecer, limitando-se agora apenas a FPS, futebol, e poucos mais, o que é pena já que cada momento que vivemos tem mais valor se for partilhado com alguém.


O jogo já tem uns bons anos em cima, mas acho que posso dizer que envelheceu bem, deu-me interesse de o passar, de ficar a saber a história e procurar todas as peças de intel, a dificuldade, mesmo em hard não é suficiente para desafiar, mas após o primeiro walktrough desbloqueia-se uma dificuldade mais justa.


Rodrigo Mendes

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

EDP Cool Jazz 2015 - An Evening With Mark Knopfler

O dia 28 de Julho marcou o regresso de Mark Knopfler aos palcos portugueses, em continuação do seu tour de lançamento de “Tracker”, o seu novo álbum. E foi com casa cheia que o Estádio Municipal de Oeiras recebeu o ex-guitarrista dos Dire Straits juntamente com a sua banda que já o vem acompanhando há largos anos.


Num concerto que durou aproximadamente duas horas, Knopfler optou por mostrar inicialmente algumas canções da sua carreira a solo, tanto do seu novo álbum “Tracker”, como dos menos recentes “Privateering” e “Cal”. Apesar de não ter perdido a sua genialidade e de ter actuado como sempre habituou, o público mostrou-se algo tímido e pouco reactivo nesta fase inicial do concerto, talvez devido a um menor conhecimento destes novos temas.

No entanto, a multidão entrou em êxtase quando a banda começou a tocar temas antigos dos Dire Straits como Romeo and Juliet, Sultans of Swing, Telegraph Road e Your Latest Trick. Após o tradicional encore, também com temas clássicos de Knopfler, o público ainda tentou que o músico voltasse ao palco, mas desta vez o músico não correspondeu.

Um excelente espectáculo, protagonizado por excelentes músicos.

Luís Brito

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Heróis à Moda do Algarve

Título - Heróis à moda do Algarve
Autores - Andreia Mendes, Catarina Gil, Diogo Simão, Miguel Brito de Oliveira e Nuno Soares
Editora - Lugar da Palavra
Data da publicação original - Fevereiro de 2015


É um dicionário. É um livro de contos. É o “Heróis à moda do Algarve”.

Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que sou algarvio e é um orgulho para mim escrever sobre um livro que retrata esta minha e tão bela região.

Como colocar numa mesma linha condutora histórias tão díspares como a de uma menininha que distribui flores e a de um gigolo que perdeu as suas capacidades de sedução? A felicidade do carnaval e a desolação de um mundo pós-apocalíptico? Tudo isto numa história de emigrantes? Mas…como?

É isso que nos apresenta o “Heróis à moda do Algarve”. Uma história (ou serão mais?) na qual se viaja pelo Algarve (do Barlavento ao Sotavento), por algumas das suas tradições e alguns dos seus locais emblemáticos (seria impossível passar por todos) e na qual nos são apresentados os algarvios e a forma como se vive no Algarve.


Ao longo do livro, devido às pormenorizadas descrições dos locais e caminhos, quem os conhece, parece ser transportado para o local da acção e fazer parte da mesma e os algarvios que ficamos a conhecer, não sendo Super-Homens nem Super-Mulheres, à sua maneira são (ou passam a ser) Heróis…mas à moda do Algarve.

Mas, na verdade, o “Heróis à moda do Algarve” é muito mais do que tudo o que foi dito anteriormente. Mais importante do que o conteúdo, a forma como está escrito torna-o um livro ímpar, uma vez que não se pode dizer que esteja escrito exactamente em português mas sim…em algarvio.

Recheado, do princípio ao fim, com palavras e expressões tipicamente algarvias e com um dicionário algarvio-português (provavelmente, a parte mais importante do livro), o “Heróis à moda do Algarve” tem a missão de mostrar e ensinar o algarvio, e assim, ajudar a preservar o património (que se tem vindo a perder nesta era de turismo e desenvolvimento tecnológico) de uma região, que possui uma das maiores riquezas linguísticas do nosso país.

Posto isto, nada mais vos tenho a dizer. Certamente não fui imparcial no meu texto mas nunca o serei ao falar da minha região que adoro, mas dêem uma oportunidade ao algarvio que é muito rico e não merece ser esquecido.

Despeço-me dizendo que não sendo perfeito (como ninguém o é) também eu sou, à minha maneira, um Herói e sê-lo-ei sempre, SEMPRE…à moda do Algarve ;)

Marco Gago

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Festival Jota 2015

O Festival Jota, o maior festival de música cristã do país, começa hoje à noite e estende-se até Domingo, em Montenegro, Faro. Depois de Guarda e Viseu terem recebido o festival, respectivamente, em 2013 e 2014, este ano as centenas de participantes que acompanham este festival rumam a Sul, até ao Parque Natural da Ria Formosa, onde, para além da música, contam com diversos worshops/actividades desportivas, artísticas e culturais que dão a conhecer quer a cidade de Faro, quer a própria Ria e proporcionam experiências diferentes das do quotidiano da maioria das pessoas.


Em termos musicais, o cartaz desta edição junta jovens talentos nacionais como Xpression Cross, que espalham a mensagem de Cristo num registo rock, e os Godstones, num estilo mais Pop, a bandas internacionais como os Britânicos Crossbeam e o Espanhol Nico Montero. Nem a música electrónica foi esquecida, com a presença do Algarvio DJ Zoon

Os bilhetes ainda se encontram à venda, no recinto, com preços a partir de 3€, o que torna este festival uma opção económica, para crentes e não crentes, para um fim-de-semana de música e outras actividades, bem perto da praia e do sol do Algarve.

Para mais informações, o Festival Jota 2015 tem aqui o seu site.

E para ouvirem algumas das bandas presentes podem seguir os links abaixo:

Banda Jota
Claudine Pinheiro
Yeshua

Nuno Soares


quarta-feira, 29 de julho de 2015

Crónica Social - Overreact e o excesso

Aos 20 anos queria mudar o mundo. Queria ser ativista, agir para a mudança a favor de um mundo melhor, humanamente mais justo e menos desigual.

Ao fim de 30 anos de trabalho (em que fui acrescentando a militância social à condição de assalariada técnica) no campo da intervenção social fui reformulando os argumentos para mim própria e tentando encontrar justificação, em consciência, para o meu agir em cada momento histórico e circunstância.

Agora estou mais focada em mudar-me. Convicta de que, na luta com e contra as minhas próprias resistências, cicatrizes e handicaps, vou mudando (menos do que gostaria) e algumas mudanças acontecem, perto e longe de mim.

Continuo a querer mudar e a ser co-protagonista de mudanças. Mas admito, contas feitas, que talvez tenha sido mais adaptativa do que inovadora.

A este percurso que tem sido uma espécie de revolução pessoal on going chamo Vida.


Numa época em que quase todos os spots anunciam we can num alter-ego humano de poder sobre si próprio e sobre o mundo, admitir que ‘não se pode pregar prego nem estopa’ tem um lado terminal. Depurado. Essencial.

Tem também um conjunto de outros lados.

O lado de lidar com muitos excessos - Teorias, informações, sentimentos.

Sentimentos que não sabemos gerir. Estamos ao serviço de quê? O lado da negatividade e da frustração. O lado de pôr em causa mais do que seria necessário. O lado de fecho em explicações redondas. O lado de afogamento em perguntas retóricas que anseiam por explicações - Só queria entender!

São muitos os lados. De entender, de não entender, de entender apenas um bocadinho ou de ir mudando os entendimentos.
Convicções e teorias em excesso. Informações, escolhas, dualidades e paradoxos.

Na minha história tenho episódios e situações de ‘não saber’, de ‘não perceber’, de ‘não poder’, de confronto com a impotência e com a limitação. Às vezes, não quero saber.

Aliás, tenho ideia de que quanto mais próximas as pessoas e as situações mais difícil é focar – lembro-me muitas vezes daquele personagem do Woody Allen no filme Deconstructing Harry que ficava out of focus. Sei o que é este estado.

Tenho também experiência de períodos da vida em que agi como se não houvesse amanhã. Em corridas que, pelo meio, perdiam o sentido ou em que eu me perdia do significado que lhe tinha dado.

A sério e na vida, só temporariamente consegui gerir os excessos. A maior parte das vezes com danos.

E continuo a interrogar-me sobre as formas de respeito para com a ‘região demarcada do outro’. Sobre como se fazem e não fazem, as mudanças – pessoais, organizacionais, na sociedade e no mundo. Nos ecossistemas. Em mim.

Entre as questões mais macro, estruturais, societárias e ambientais e a vida de cada dia, a nossa vida de formigas em carreiros mais ou menos previsíveis, existem muitas ligações.

Alguns sucumbem ao sentimento de pequenez, de falta de poder, de zanga, da anestesia e da propaganda.

Podem passar vidas inteiras em palavras de ordem que não acontecem. Ou pelo contrário, querendo apenas seguir o carreiro.

Outros vão tentando olhar o caminho por onde andam e melhorar ‘a’ e ‘na’ caminhada.

Com os sentidos no movimento, entre a pegada e o cosmos…

Qual a medida do necessário e adequado?


Isabel Passarinho

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Overreact - Termo que designa reação ou resposta mais forte do que o necessário ou apropriado

terça-feira, 28 de julho de 2015

Nas Asas da Poesia - Deve servir

Encosto com recompensa
Aberto sem recompensa
Relvas a correr com o vento
Sujo da terra em excremento

O Bicho da conta ao quadrado
Em árvore de planta de chá
Demasiado ocupado
No som do Um-dó-li-tá

Carrapato sentado
Nas raízes do relvado
O único foco de luz
Em excremento com pus

Cigarra cigana com viola ao peito
Ou formiga com tufos de oliveiras
Em lodo de relvado desfeito
Nas raízes ranhosas sem fronteiras

Pardal que toca daninhas
À procura da minhoca
Esqueceu-se das doninhas
Escondidas em sua toca

Baleia que abraça medusas
Nas algas da terra confusas
São pedras de ouro capilar
Em baba de camelo a andar

O voo do bicho do mato
Rasteja e salta na terra
Nas ondas da grama e um cacto
Nos trevos em nevoeiro de serra

Qualquer coisa deve servir
Em palavras de uma floresta
Até o musgo posso ouvir
Até me rastejo em giesta


Paulo D. de Sousa

domingo, 26 de julho de 2015

Pó na Fita - Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964)


Uma grande comédia com um título grande para um verão grande (começou em Maio o calor e só deve acabar lá para Outubro, certo?)

O cenário? Guerra Fria ao rubro (paradoxal). Conteúdo? A esquizofrenia desses dias num cenário hipotético, que tanta gente acreditava ser possível (ainda acreditas?). Os intervenientes? Concelhos de estado (ou algo parecido) dos EUA e URSS e a tripulação de um bombardeiro nuclear (há um cowboy, um nazi parkinsonico e um general sem medo lá pelo meio). Os resultados? Uma paródia a um assunto bem sério, com momentos de pura ironia e comédia física (termina em holocausto nuclear?). A mensagem? Uma reflexão sobre as mentes iluminadas que nos governavam (e ainda governam). Uma brincadeira com os medos e paranóias mais clichés da Guerra Fria.

A ilustração do ridículo desta realidade paralela mantem-se a preto e branco, quando o cinema já era a cores. Stanley Kubrik monta um dos filmes mais cómicos alguma vez filmados, assente na diversidade vincada das personalidades que se digladiam neste cenário de crise mundial. Peter Sellers (o famoso inspetor Closeau d’ A Pantera Cor-de-Rosa) é o ator mestre, que interpreta 3 icónicas figuras!

Vale mesmo a pena ir ao baú e tirar o pó a esta fita! Para ver os resultados de brincar com o fogo…

P.S. Para acompanhar, o filme “1941” de Steven Spielberg, mais uma brincadeira com outro tipo de paranóias.



Rafael Nascimento