O
som ruidoso do aspirador
Na
tua cabeça não vai parar
Enquanto
a poluição continuar
Que
ninguém me faça calar
Em
2015 lançaram-se foguetes
Foguetinhos,
petardos, metralhadoras
Ao
destinatário a carta remetes
Contos
com premissas assustadoras
Passou-se
o Natal e a passagem de ano
Passou-se
mais um dia se não me engano
Andou-se
pelas ruas com presente em mente
Enfeitou-se
o plástico de uma estrela cadente
Juntaram-se
pessoas, conheceram-se outras
Bebeu-se
o vinho do porto à noite
Rimaram-se
versos de líricas soltas
Atracou-se
o barco com o mesmo deleite
Imitou-se
a lua cheia no lusco-fusco
Irritou-se
a vizinha durante o jantar
Repartiram-se
as passas no meio do pasto
Condolências
a quem me quisera matar
As
minhas boas vindas, sol da tarde
Por
entre o inverno de frio e geada
Por
entre o entrelaçado da saudade
As
minhas despedidas ao luar cobarde
No
ponto de passagem do desdém
A
esperar na fila de atendimento
Quando
atendido nem senha tem
Onde
está a memória do esquecimento?
Vendem-se
artigos em segunda mão
Trocam-se
e dão-se prendas pessoais
Sai-se
ao café, passeia-se o cão
E
os óculos de sol e os vendavais
A
poeira levanta, deixo de ver
Espirro
confuso, limpo o nariz
Caminho
p´ra poder a teia tecer
Enquanto
morre gente em Paris
O
mundo anda muito agressivo
Descaradamente
ocorre homicídio
Aumenta
gradualmente o suicídio
Em
pensamento cansado e massivo
O
mundo está em guerra
Não
há novidade nesta notícia
Mas
é só lavrar a terra
Como
se fosse carícia
Para
o mal não prevalecer
Nesta
corrida tão desigual
Para
que ninguém possa vencer
Pois
a vitória é algo banal
Não
queiras perder nem queiras ganhar
Se
o que interessa é mesmo tentar
Pois
para a tua sanidade preservar
Não
te podes render ao mal-estar
Vamos
ver se agora não lerpas
Enquanto
às árvores trepas
Por
agora tem-se as suecas
O
fim do mundo em cuecas
Paulo D. de Sousa