terça-feira, 10 de junho de 2014

Mundopardo na 4ª Edição da Bívar - Arte, Design e Cultura

O 4º Bívar realizou-se no passado dia 7 de Junho, em Faro, enchendo as ruas da cidade com música, teatro, dança, exposições diversas, gastronomia, arte e design!

O percurso cultural montando para este evento ocupou a rua Conselheiro Bívar e espaços adjacentes proporcionando aos transeuntes um ambiente rico e diversificado, diferente do habitual, pontuado aqui e ali com eventos de destaque, desde exposições sobre diversos temas, da joalharia contemporânea à cortiça pirografada, danças variadas, capoeira e concertos de estilos díspares.

Fig. 1: Mundopardo no 4º Bívar, em Faro
Entre estes, actuaram no jardim Manuel Bívar, os Mundopardo, banda Farense constituída por alunos e antigos alunos da Universidade do Algarve, que abriram a noite com cerca de uma hora de música, enchendo o espaço envolvente com a boa disposição cantada por Ricardo Silva e acompanhada pela guitarra e bandolim de João Cardoso, o baixo de Pedro Rodrigues, o Cajón de Fábio Silva e a bateria de Filipe Cabeçadas.

Fig. 2: Capa do álbum dos Mundopardo - A Pequena Metrópole

Os Mundopardo que já conseguiram, entre outros feitos, o 2º lugar no concurso Universia Rock, concurso nacional de bandas universitárias, em 2013, marcarão a sua 2ª presença no festival MED, em Loulé, no dia 26 de Junho.
Para quem quiser conhecer mais sobre os Mundopardo e o seu recente álbum, A Pequena Metrópole, recomenda-se a visita à sua página no facebook https://pt-br.facebook.com/mundopardo.banda e para quem quiser ver o concerto que deram no Bívar deixo-vos o link http://manuelphotography.blogspot.pt/2014/06/mundopardo-no-bivar-arte-design-e.html.


Nuno Soares

terça-feira, 3 de junho de 2014

669 - A Crónica do Quiabo - Essências divinais

Bom dia!

Hoje venho falar-vos de uma arte milenar que ao fim de 6000 anos de cheirosa existência atravessa uma fase algo conturbada. Falo, claro, do fabrico de perfumes.

Segundo a wikipédia, essa infalível fonte de sabedoria e conhecimento, a utilização de perfumes remonta, pelo menos, a 4000 a.C.. Segundo Bjorg Estrongulenberg, especialista da wikipédia para cheiros esquisitos, os antigos egípcios já fabricavam e usavam perfumes para não deixarem os seus bonitos sarcófagos a cheirar a morto. Em vez disso preferiam a fragrância a pó, formol ou resina de pinheiro, algo exótico no Egipto.

Uns anos mais tarde, Cristo, também ele um conhecido apreciador de produtos de perfumaria não saía para pregar sem colocar um pouco de seu bouquet favorito, uma mescla de sal-gema, incenso e malva que fez tanto sucesso entre pescadores, vendilhões e reis magos que motivou a bispa Sônia Hernandez da igreja evangélica “Renascer em Cristo”, sediada no…wait for it…Brasil (eu sei que nunca adivinhariam) a recriar essa fragrância abençoada e a coloca-la em frascos da sua marca de produtos de higiene “De bem com a vida”.

Mas a triste realidade é que apesar destes excelentes exemplos a indústria do perfume está ameaçada pois o seu objectivo primordial vê-se cada vez mais profanado. E que objectivo místico é esse? É… cheirar bem.

No século XX com avanços tecnológicos sem precedentes a quantidade de perfumes produzidos disparou, assim como a diversidade de odores, naturais e sintéticos que, sozinhos ou combinados, invadiram o mercado e as narinas do mesmo modo que esvaziaram carteiras. Todo este progresso devia garantir cada vez melhores perfumes segundo o princípio fundamental que, relembro, é cheirar bem, mas não!

Vejamos:

Em 2003 Burberry lança fragrância a “Brita” deixando encantados trolhas e calafeteiros um pouco por todo o mundo. Em 1964 Fabergé lança “Bruto”, um perfume de homem e para homem, e que homem não sonha em cheirar enfim… a bruto! Mais preocupante é o segmento de mercado estreado por Cacherel com o seu “Anais Anais”… o que dizer… bem… talvez que para não ficar atrás da concorrência, Chanel decidiu lançar em 1984 “Côcô” alimentando mais um capítulo deste perigoso desvio dos princípios da perfumaria.

Em 2005 Thierry Mugler trouxe a público a fragrância “Alien” guardada, há décadas, em grande segredo na área 51 pelo governo dos EUA e apesar de estar entre nós há quase dez anos ainda ninguém sabe muito bem ao que aquilo cheira mas um transeunte inquirido pela 669 definiu-a como “Echqjito”. Em mil nove nove e oito, Givenchy lançou “Pi” e que rapariga nunca fantasiou com o seu príncipe encantado no seu corcel branco a cheirar a 3,14159265359…

A preocupação cresce quando determinadas marcas se comercializam sobre designações olfactivamente desagradáveis como a italiana Diesel que insiste em vender perfumes ricos em hidrocarbonetos de origem fóssil ou a também italiana Just Caballi que prefere notas equídeas nos seus aromas.

Mas esta calamidade vem de trás, pois já em 1934 William Schultz vendia “Especiaria Velha” como se fosse uma coisa espectacular. É verdade que o senhor Schultz nunca especificou qual a especiaria em questão, possivelmente para não ferir os sentimentos a nenhuma droga culinária mas experimente o leitor inalar louro bolorento e verá que não é nada pelo que valha a pena largar algumas dezenas de euros.

Até à próxima e não se esqueçam: se querem cheirar bem, lavem-se.

Saúdinha,

Egídio Desidério

Mensagem do Opina: "669 - A Crónica do Quiabo" é a nova rubrica de humor do Opina, na qual o Sr. Egídio Desidério apresentará temas variados e assuntos diversos. Acompanhem no Opina!

Opina

terça-feira, 20 de maio de 2014

The Painted Man - O Homem Pintado

Titulo – O Homem Pintado
Título original – The Painted Man
Autor – Peter V. Brett
Editora – Gailivro
Data de edição – Outubro de 2009
Data da publicação original – Setembro de 2008

O primeiro volume da saga Demon Cycle, que conta já com três livros publicados, apresenta ao leitor, Thesa, um mundo fantástico onde decorre a narrativa de Peter V. Brett. Thesa é uma terra infestada de demónios que vagueiam, vindos do núcleo, sempre que o sol não brilha no céu, caçando, estropiando e atormentando as criaturas da superfície.

Aos homens resta viver amedrontados, escondidos nas suas casas, em cidades muralhadas ou em aldeias ermas protegidos apenas por guardas, símbolos mágicos que servem de barreira contra as criaturas do núcleo. As guardas têm, no entanto, muitas limitações e não raro, uma guarda pintada ou desenhada apressadamente cede perante as investidas dos nuclitas com efeitos devastadores.


É neste ambiente de insegurança que a narrativa nos introduz o primeiro dos três personagens principais, Arlen, um jovem rapaz de uma pequena aldeia perdida nos confins de Thesa no dia após um ataque nuclita. Peter Brett mostra-nos através da interacção do rapaz com os seus conterrâneos, as suas preocupações, ansias e medos, e rapidamente o leitor é confrontado com uma realidade de pobreza, precariedade e principalmente medo.

Após a trágica morte da mãe, Arlem foge da sua aldeia e dos cuidados do pai, a quem culpa pela perda, e ruma às cidades livres onde durante anos aprende a arte das guardas que se tornará, para si, uma obsessão, um modo de vida e uma luz ao fundo no túnel na resistência e luta contra os demónios do núcleo.

Alternadamente são introduzidos os dois personagens restantes, Leesha, a filha de um proeminente artesão numa comunidade rural não muito diferente da de Arlen, que acaba,entre grandes peripécias, por se tornar aprendiz de uma secular herbanária, dona de conhecimentos de botânica, química e cura esquecidos pela maior parte dos homens, e que a lançam numa desafiante carreira de curandeira, e Roger, um jovem jogral, criado em Angiers, uma das grandes cidades livres, depois de os nuclitas terem destruído a sua aldeia e morto a sua família.

O ritmo da narrativa é sempre bastante fluído e cativante independentemente do autor descrever locais, personagens ou acções, sendo, sem dúvida, um dos melhores trabalhos narrativos que li nos últimos tempos. Ao longo de seis centenas de páginas somos convidados a acompanhar o crescimento dos personagens enquanto estes vão desenvolvendo novas habilidades e lidando com novos desafios até que, inevitavelmente, os seus caminhos se cruzam abrindo fantásticas possibilidades, vedadas até então, acabando a história em aberto, deixando no entanto antever bastante acção e uma continuação emocionante em “A Lança do Deserto”, o segundo volume desta saga.

Genial!


Classificação:





Nuno Soares

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Not Bosses but Leaders - Liderança para o sucesso

Titulo – Liderança para o sucesso
Título original – Not Bosses but Leaders
Autor – John Adair com Peter Reed
Editora – Editorial Presença
Data de edição – Agosto de 2006
Data da publicação original – 1987

Com um denso historial no ramo militar e industrial John Adair é um dos mais experientes investigadores em liderança. Fervoroso adepto da importância do papel do líder nas instituições em oposição ao tradicional chefe, Adair é autor de mais de uma dezena de obras sobre liderança, motivação, construção de equipas, comunicação, entre outros temas relacionados.




“Not Bosses but Leaders” (Liderança para o sucesso em português) é um livro em que John Adair foca precisamente o papel do líder, evidencia aquelas que são, a seu ver, as qualidades da liderança e introduz conceitos como liderança situacional e funcional. É um livro algo denso, com conteúdo, em que o autor partilha uma série de pontos de vista sobre várias problemáticas comuns a gestores e líderes em vários âmbitos, aliando exemplos práticos a um sólido conhecimento teórico.

Tomadas de decisão, liderança e gestão, estabelecimento de objectivos, hierarquia e autoridade são vários temas que o autor debate com Peter Reed numa acessível conversa entre o jovem gestor e o experiente catedrático que cativa e torna mais mundana a panóplia de temas abordados.

Em suma, um livro recheado de conteúdos interessantes, com uma abordagem clara, e um conjunto de perspectivas experientes sem serem dogmáticas e opressivas.


Classificação:





Nuno Soares

terça-feira, 13 de maio de 2014

Pó na Fita - Don Jon

 Queres um filme romântico para veres com a tua miúda, que tu também gostes?

O jovem elegante, galante e galopante Jon Martello é um bon vivan que vive para si, para a sua rotina e seus vícios, entre a ida à igreja ao domingo e o visionamento interativo de filmes pornográficos (todos os dias e a toda a hora). Para revolver esta vida “pacata” surgem duas mulheres, a mulher “mais bonita do mundo”(é quase) e outra senhora que vai impor alguns desafios. Ah! Não se esqueçam da sua adorável família e seus dois amigos! Don Jon é um filme que caracteriza uma geração egocêntrica, adoradora da tecnologia e por vezes acéfala. Esta fita reformula o costumeiro filme romântico, não deixando de nos entregar um final feliz...

Joseph Gordon-Levitt é o protagonista, realizador e argumentista, encarnando muito bem os vários estereótipos do menino bonito. Scarlett Johansson é a sex symbol  que nos provoca, Julianne Moore personifica os valores da partilha, da simplicidade e do amor.

O filme está estruturado na rotina do personagem principal, apresentando-nos uma montagem dinâmica e de sequências rápidas de imagens. Este formato destaca a velocidade do quotidiano e o desprendimento com que se vive cada vez mais os momentos importantes da vida.

Através do humor subtil e personagens memoráveis a mensagem é transmitida...Deslinda-a!


Rafael Nascimento

terça-feira, 6 de maio de 2014

El Anillo - La herencia del último templario - O Anel - A Herança do Último Templário

Titulo – O Anel – A Herança do Último Templário
Título original – El Anillo – La herencia del último templario
Autor – Jorge Molist
Editora – Ésquilo Edições e Multimédia
Data de edição – Janeiro 2007
Data da publicação original – 2004

Jorge Molist é um escritor catalão nascido na cidade de Barcelona em 1951 que, após uma vida de labor em diversas áreas, vida esta que culmina como director da Paramount Pictures Home Entertainment em Espanha, dedica-se à sua paixão pela escrita, iniciando em 2000 a sua carreira de escritor com o lançamento da sua primeira obra, “Los Muros de Jericó”.

Desde então, Molist publicou mais seis obras, entre as quais, em 2004, “O Anel – A Herança do Último Templário”, o seu primeiro grande êxito, a sua primeira obra premiada e hoje já traduzida em 21 línguas de distribuída em 25 países.

Neste livro, o autor traz-nos a demanda de Cristina, uma jovem advogada de origem catalã residente em Nova Iorque, que por ocasião do seu vigésimo sétimo aniversário recebe um enigmático anel com vários séculos de existência sem qualquer aviso, remetente ou explicação.


Este estranho episódio leva Cristina numa aventura ao seu passado, na sua Barcelona natal, em que, juntamente com os seus amigos de infância Luís e Oriol se vê beneficiária de uma inesperada herança de seu padrinho, morto há anos. Esta herança, da qual faz parte o misterioso anel, leva os três amigos a investigarem as causas e circunstâncias da morte de Enric, padrinho de Cristina e pai de Oriol, e a uma surpreendente caça ao tesouro, não um tesouro qualquer, mas o tesouro templário que estes, na sua derradeira hora, conseguiram esconder do rei Jaime II de Aragão, e do qual faz parte, diz-se, o Santo Graal.

Uma narrativa com forte componente histórica, com romance q.b. e recheada de mistério e de suspense que deixará satisfeitos apreciadores de uma boa dose investigação, com um estilo quase policial, sem no entanto dar à obra um ambiente pesado ou dramático de um thriller.

A lamentar fica uma tradução com erros assinaláveis e gralhas de edição frequentes que dão um ar pouco cuidado a esta obra originalmente publicada em castelhano.

Classificação:






Nuno Soares    

terça-feira, 29 de abril de 2014

Pó na Fita - The Secret of Kells

Imagina um filme animado que se vê através de um caleidoscópio. Consegues?

“The Secret of Kells” desenha a história de Brandon, um rapaz monge que vive em Kells, uma abadia com uma muralha em fase de construção e uma torre no meio.  O pequeno monge vai então desafiar as normas, descobrir o mundo e encontrar a sua vocação. Uma verdadeira dedicatória à curiosidade infantil e à sua potencialidade. Esta fabulosa história cruza pedaços de fantástico com a vida real, pincela as coisas belas e rabisca  as coisas más. Entramos nos mistérios da natureza e descobrimos a beleza, bem como a maldade, que sai das mãos dos homens.

A animação é fenomenal, com uma mistura de estilos que vai desde “Samurai Jack” (aquele do Cartoon Network), ao Calvin e Hobbes e à Art Nouveau de Alfons Mucha. Uma chamada de atenção para a fantástica banda sonora, que preenche as cores de cor. O estúdio Cartoon Saloon é o responsável por este verdadeiro acontecimento do cinema de animação.

Uma fita sobre as coisas puras, sobre o significado de um tesouro. Um filme belíssimo, uma obra de arte!



Rafael Nascimento