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domingo, 26 de fevereiro de 2017

Mês da Poesia: Nas Asas da Poesia - Ataca dores


Partem separados
Percorrendo a vida
Rumam enviesados
Do ponto de partida

Atacadores cruzados
Caminham lado a lado
Mesmo separados
Mesmo em mau estado

Nesse cruzamento
Dão um abraço
Nesse momento
Fazendo um laço

Acabam por quebrar
Acabam por romper
Se o cordão acabar
Se a corda enfraquecer

Paulo D. de Sousa

P.S: O Mês da Poesia é um desafio interactivo promovido pelo Opina com o objectivo de dar espaço aos nossos leitores para partilharem os seus escritos poéticos. O Mês da Poesia será realizado regularmente de 2 em 2 meses subordinado a uma temática apresentada no último Domingo do mês anterior. O tema do mês de Fevereiro é: Amizade. Enviem-nos os vossos poemas por mensagem privada na página de Facebook do Opina ou por comentário aqui no blog. No caso de haver uma enxurrada de poemas, faremos uma pré-selecção e os poemas seleccionados serão publicados, como de costume, aos Domingos. Boas leituras!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Nas Asas da Poesia - Silenciado


No princípio eras vazio
Nem tinhas oxigénio
Eras tipo Ricardo Rio
Disseminavas o tédio

Dei-te parte da atmosfera
Até te deixei criar porcos
Dei-te a rosa com pantera
Dei-te pensamentos tortos

A meio tornas-te peça
De fruta num teatro
Ofereci-te até o Leça
Onde nem sobrevive o rato

Ficaste frágil com alergias
Do pólen de rosmaninho
Mas o mel tu já comias
Na igreja ora o vinho

O teu meio destruíste
Em serras de mobília
Nem a guerra aboliste
Nem a seda da Sicília

Da mesquita diamantes
De sangue do teu óleo
E por mais que cantes
Agora só resta o ódio

Quando me plantas é mal
E podas-me com desprezo
És macaco tal e qual
Eu daqui não saio ileso

Da mentira partes ramos
Na terra onde te criei
Sozinhas não dançamos
Nem há feudos nem há rei

Estou podre na calçada
Diz-me o Senhor Altino
Não havia mais nada
A fazer com este fino

Bebi-o até morrer
Ao lado do jardim
Onde me viram crescer
Silenciado no fim

Paulo D. de Sousa

P.S: O Mês da Poesia é um desafio interactivo promovido pelo Opina com o objectivo de dar espaço aos nossos leitores para partilharem os seus escritos poéticos. O Mês da Poesia será realizado regularmente de 2 em 2 meses subordinado a uma temática apresentada no último Domingo do mês anterior. O tema do mês de Fevereiro é: Amizade. Enviem-nos os vossos poemas por mensagem privada na página de Facebook do Opina ou por comentário aqui no blog. No caso de haver uma enxurrada de poemas, faremos uma pré-selecção e os poemas seleccionados serão publicados, como de costume, aos Domingos. Boas leituras! 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Nas Asas da Poesia: Desarranjos do Mato


Deito as raízes no céu
D´uma terra azulada
Desfolho o seu véu
Na burca desvendada

Broto botões de água
Arredam-se da rede
Caduca está a tábua
Do ar mato a sede

Mastigo restos de luz
Encandeio-me apagado
Os pássaros nadam nus
Espelho-me em prado

Despenteio-me em raminha
Com o tronco da calma
Tesouro de matinha
Voando na minha palma

Paulo D. de Sousa

domingo, 1 de janeiro de 2017

Nas Asas da Poesia - É uma sorte


É uma sorte estares vivo
Agradece à vida todos os dias
As coisas más no arquivo
Faz das boas o teu sangue

É mesmo uma sorte
Nem sabes o que se segue
Sabes um possível caminho
Nem que a vida te cegue

E quem tens ao teu lado não importa
Porque nada enche mais que o coração
Os teus amigos, os teus familiares
A vida, amor e paixão

Pra vocês um bom ano
E nem que a vida vos cegue
Abre-se um novo pano
E pula-se de novo a sebe.

Paulo D. de Sousa

domingo, 4 de dezembro de 2016

Mês da Poesia: Nas Asas da Poesia



 Famílias

São os avós, os pais e os primos
Afilhados e os padrinhos
Os irmãos, os tios e amigos
Netos, filhos e sobrinhos

Paulo D. de Sousa

P.S: O Mês da Poesia é um desafio interactivo promovido pelo Opina com o objectivo de dar espaço aos nossos leitores para partilharem os seus escritos poéticos. O Mês da Poesia será realizado regularmente de 2 em 2 meses subordinado a uma temática apresentada no primeiro poema de cada mês. O tema deste mês de Dezembro é: Família. Enviem-nos os vossos poemas por mensagem privada na página de Facebook do Opina ou por comentário aqui no blog. No caso de haver uma enxurrada de poemas, faremos uma pré-selecção e os poemas seleccionados serão publicados, como de costume, aos Domingos. Boas leituras! 

domingo, 20 de novembro de 2016

Nas Asas da Poesia - Mais


Os ais demais
Não são ais a mais

Os ais dos nossos pais
O ai o carago
Os ais dos hospitais
Os ais de quando vais 
Ai agora aposta-se no mar
Ai que agora é que vai ser
Ai minha nossa Senhora, meu deus do céu
Ai, ai que me queimei no tacho
Ai que grande cabeçada na esquina
Ai onde é que deixei as chaves?
Ai que dia é hoje?
Ai que horas são?
Ai a minha prima!
Ai a tua prima!
Ai que me esqueci de lhe dizer!
Ai! Os meus genitais
Ai o aquecimento global
Os ais dos geniais
Ai que me roubaram o carro
Ai que nem posso
Ai o forno!
Os ais das avaliações ambientais
Ai onde anda a minha cabeça?
Ai que me assaltaram a casa.
Ai sim?
Ai que treta
Ai o Will Smith
Ai o João Pedro Pais
Ai os meus sinais aumentaram de tamanho
Ai que estou tão gordo
Ai a roupa no estendal!
O ai que me enganei nas contas!
Ai que não comprei a manteiga
O ai credo
O ai raios
O ai de ti
O ai de mim
Os ais dos suspiros finais

Paulo D. de Sousa

domingo, 6 de novembro de 2016

Nas Asas da Poesia - Os eternos ais



Ai Joana Vasconcelos!
Ai Miguel Sousa Tavares
Ai os galos de Barcelos
Ai que me faltam os ares

Ai agora tudo a dar ao Costa
Ai o Bagão, ai o Vitorino
Ai façam-me mas é uma tosta
Ai não se esqueçam do Lino

Ai o Sócrates e o Barroso
Ai o Guterres nas Unidas
Ai o Miguel Esteves Cardoso
Ai as crónicas desenxabidas

Ai meto-vos todos num saco
Ai a minha paciência a acabar
Ai ao menos já saiu o Cavaco
Ai agora é ver isto a afundar

Ai que malta mais chata
Ai que chato me tornei
Ai, mas que grande lata
Ai agora muda-se a lei


Paulo D. de Sousa

domingo, 2 de outubro de 2016

Mês da Poesia: Nas Asas da Poesia - Desapego


Ai que saudades das formigas!
De antigas descendentes folhas
Dos cócos de pássaro e cantigas
De me cortarem para rolhas

Ai que saudades das raízes!
E daquela verde esperança
Quando eram tão petizes
Sempre à espera da bonança

Ai que saudades do caracol!
Que me mordeu quando cresci
Escorregou por mim ao sol
E nem sequer me mexi

Saudades em terra d´ouro
Frutos que arlequim comeu
E do estrume do besouro
Que meu ramo não esqueceu

Paulo D. de Sousa


P.S: O Mês da Poesia é um desafio interactivo promovido pelo Opina com o objectivo de dar espaço aos nossos leitores para partilharem os seus escritos poéticos. O Mês da Poesia será realizado regularmente de 2 em 2 meses subordinado a uma temática apresentada no primeiro poema de cada mês. O tema deste mês de Outubro é: Saudade. Enviem-nos os vossos poemas por mensagem privada na página de Facebook do Opina ou por comentário aqui no blog. No caso de haver uma enxurrada de poemas, faremos uma pré-selecção e os poemas seleccionados serão publicados, como de costume, aos Domingos. Boas leituras! 

domingo, 18 de setembro de 2016

Nas Asas da Poesia - Floresta lida



Tenho a sensação de ser alecrim
A sensação de ser o relvado
A copa das árvores olham por mim
De caule demasiado enterrado

A sensação de ser minha terra
A sensação de ser lamaçal
Sou também as silvas da serra
Fazem parte do meu visceral

A sensação do muco da lesma
A sensação da trepadeira
Elevo-me ao lado da mesma
Faço sombra à minha beira

Floresço no tempo Presente
Enraizo em espigas de vida
Parado no tempo dormente
De uma floresta já lida

Paulo D. de Sousa

domingo, 4 de setembro de 2016

Nas Asas da Poesia - Somente sementes


Somente
Sementes
Sementes
Somente

Sementes
Somente
Somente
Sementes

Sementes
Somente
Sementes
Somente

Somente
Sementes
Somente
Sementes

Paulo D. de Sousa

domingo, 14 de agosto de 2016

Mês da Poesia: Nas Asas da Poesia - A mar


Os caminhos dão a mar
Eu, tu, ele, nós, vós, eles
Meu amor, só devo a mar
Eu, tu, ele, nós, vós, eles

Maior produtor primário
Chave do nosso correio
Não é nada secundário
Pois a mar vem primeiro

E amor é Roma invertido
E do a mar vem Portugal
Não tem um só sentido
A mar ninguém leva a mal

Reflectido na termoalina
De onde nos diz um olá
Da circulação salina
Em terras de maracujá

Criaste os mares
Navegaste contra a maré
Casaste pares
Até remaste de pé

Tu és o meu herói

Paulo D. de Sousa

P.S: O Mês da Poesia é um desafio interactivo promovido pelo Opina com o objectivo de dar espaço aos nossos leitores para partilharem os seus escritos poéticos. O Mês da Poesia será realizado regularmente de 2 em 2 meses subordinado a uma temática apresentada no primeiro poema de cada mês. O tema deste mês de Agosto é: O Mar. Enviem-nos os vossos poemas por mensagem privada na página de Facebook do Opina ou por comentário aqui no blog. No caso de haver uma enxurrada de poemas, faremos uma pré-selecção e os poemas seleccionados serão publicados, como de costume, aos Domingos. Boas leituras! 

domingo, 24 de julho de 2016

Nas Asas da Poesia - O Inútil

Petrifica o cansaço 
Descreve tudo
O Sado não é aço
É só mundo mudo

Nomeando tudo
Semeando nada
Insapiente surdo
Numa estrada

Bosque de anseios
Climas, suposições
Sapos nos ribeiros
Chovem aflições

Preconceitos na palavra
Em casca de carvalho
E as mágoas da cigarra
Coragem de espantalho

Condensa um ecoar
Gravilha d´azevinho
Do céu um coaxar
São fetos d´alto Minho



Paulo D. de Sousa

domingo, 10 de julho de 2016

Nas Asas da Poesia - Acordar cedo

Acordar cedo
Faz tão bem
Não tem medo
Quem é quem?

Acordar cedo
Arde os olhos
No enredo
Entre folhos.

Acordar cedo
Ai que sono
Indica o dedo
No seu trono.

Acordar cedo
Minha nossa
Não entendo
Ai que coça.




Paulo D. de Sousa

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Nas Asas da Poesia - Quadra do S.João de Braga

Em Braga São João é sardinha
Meu manjerico com sede
Ao ver os teus gigantones
Deixas-me num caldo verde


Paulo D. de Sousa

domingo, 8 de maio de 2016

Nas Asas da Poesia - Um dia serei a Antártida

Quero dormir na Antártida
Esconder caimbras e assaduras
Tornando um apátrida
Em livros sem ranhuras

Não me movo, não prejudico
Escrevo sem ser profeta
Ouço a vida e calo o bico
Sem ter mensagem secreta

Não destruindo passo a criar
Está frio mas quero a Antártida
Para as lágrimas congelar
E aceitar-me sendo a sátira

Progresso torna-nos presos
Eu sou árvore e montanha
Corações saem-se ilesos
Do meu que não tem lenha

Não serei a fogueira
Para coração arrefecido
Aquecer sem fronteira
Num vácuo desmedido

Um dia serei a Antártida



Paulo D. de Sousa

quarta-feira, 30 de março de 2016

Desafio de Aniversário: Crónica Social - Entre a linha e a Parede

Em Braga observo rabiscos nas paredes sujas dos prédios. Esses rabiscos efémeros, ou duradouros que pertencem às cidades, à nossa história, à nossa cultura, à criança que declarou o amor pela paixão que tinha, aos amigos que brincaram com mensagens escritas nos muros da escola, à rebelia de um protesto político, à rebeldia de uma “crew”.
Os “rabiscos” estão incluídos na nossa liberdade de expressão, a qual é protegida pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.

Foto de um original do Banksy

O graffiti surge na pré-história sob a forma de arte rupestre. Este tipo de expressão humana tomava várias formas, inscrições, desenhos a sangue em rochas, muros e paredes.
Gravura rupestre em Vila Nova de Foz CôaPortugal

Graffiti (do italiano graffiti, plural de graffito)é o nome dado às inscrições feitas nas paredes do Império Romano. É uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade. Este tipo de expressão pode ser usada com vários propósitos e objectivos.
O graffiti surge, na década de 70, nos bairros de Nova Iorque. As formas mais antigas são os tag´s que já eram utilizados nos anos 30, pelos gangues americanos, para limitação de território. Esta "moda" ressurge entre os jovens provenientes dos guetos negros e os bairros pobres dos EUA, acompanhando movimentos culturais que florescem das ruas, os quais incluem o hip-hop e o rap, na esfera musical, e o breakdance na dança. O fenómeno atingiu a Europa nos anos 80.
Foto de um tag famoso de Tracy 168

Foto de um original de Basquiat

Em Portugal, o graffiti surgiu no final da década de 80 continuando a manifestar-se até hoje.

Foto de um original de Homem Mudo

Foto de um original de João com Z

O graffiti faz parte da legislação portuguesa:  http://www.pgdlisboa.pt/leis/lei_mostra_articulado.php?nid=1972&tabela=leis. No entanto estas leis não andam a ajudar o planeamento urbano, como confirma esta notícia do diário de notícias: http://www.dn.pt/portugal/interior/lei-incapaz-de-combater-a-realizacao-ilegal-de-graffiti-4136792.html. As câmaras municipais são até hoje, incapazes de lidarem com a linha ténue que diferencia esta arte de rua, com o ato de pichação que é o ato de escrever ou rabiscar sobre muros, fachadas de edifícios, asfalto de ruas, ou monumentos, usando tinta em spray aerossol, dificilmente removível, stencil, ou mesmo rolo de tinta. Isto traz consequências negativas relativamente à liberdade de expressão. Por exemplo, o graffiti de Nomen criado em Março de 2013 censurado pela câmara municipal de Oeiras.

Foto de um original do Nomen


Fenómeno de pichação na parede do muro da Igreja de S.Vítor, Braga.

Como qualquer tipo de arte, o graffiti possui vários estilos. Eis alguns exemplos:

Stencil por Mr. Brainwash


Rubikcubism por Invader


Graffiti 3D por Eduardo Relero 

                Um marco importante na história da arte, para o graffiti, foi a nomeação de Banksy para Oscar de melhor documentário com o filme “Exit Through The Gift Shop”.
                 À medida que fui escrevendo esta crónica mudei radicalmente a minha posição sobre o graffiti, antes de a fazer tomava uma posição de rejeição relativamente aos tags, ou à pichação. Contudo, agora que a termino, considero o tag e a pichação parte da arte do graffiti. Os “rabiscos” tornaram-se linhas e as linhas tornaram-se numa arte com vários estilos. São o reflexo da mais pura simplicidade de uma pessoa, ou artista. Tal como outras artes, o graffiti está repleto de emoções humanas que em forma de tinta respiram com as paredes das nossas cidades, seja ódio, protesto, amor, ou amizade, todas elas importantes para a nossa liberdade de expressão.
As câmaras municipais e os cidadãos, têm assim nas mãos a responsabilidade de intervir quanto ao planeamento urbanístico da sua cidade, só assim esta arte urbana se expressará na sua melhor forma, sem limites.
               

 Paulo D. de Sousa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nas Asas da Poesia - Júlia

Queres o quê para sobremesa?
Queres kiwi, ou uma banana?
Queres o sabor da framboesa?
Portas-te bem esta semana?

Queres correr e saltar?
Passamos pelo parquinho
A tenda vamos montar
Vamos dormir no ninho

Nadar pelas estrelas
Entre sonhos d´algodões
Borboletas queres vê-las?
Dançar com mergulhões?

Vamos olhar de alto
Das cavalitas do papá?
Vamos dar um salto
Para um-dó-li-tá?

Cantar as janeiras
Dar a mão à mamã
Dá-te umas soneiras
Debaixo da lã




Paulo D. de Sousa

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Nas Asas da Poesia - Soneto do Silêncio

Pedúnculos assobiam
Em tom terreno cresciam
Florescem quatro ruídos
Alecrins sustenidos

Raízes possuem acorde
Entoam e berram fiorde
Músicas são rústicas
Argilas acústicas

Dão Iúlas sem harmonia
Sons na serra do chinfrim
Avelã de melodia

Ritmo em terra de jasmim
Cântico da pradaria
Colcheia regando o jardim


Paulo D. de Sousa

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Nas Asas da Poesia - Bonito Serviço 3

Vim da anilha alhada em pólen
O plástico é ninho de centopeias
Onde nascem as bactérias do cólon
Arborizam ramadas de gotas cheias

Estou num parafuso embrulhado
Abrindo intempéries de caracol
Onde colmeias orvalham piado
Cinzeiro luz nesga de girassol

Sarjeta de rato apodrece marmota
Ribeiras de ferrugem enlamada
Sou o defecar de uma comporta
Encarpeto uma lesma enroscada

Saltarei heras de parede rasteira
Farei dos aviões uns talos
Da cinza germinará obreira
Plantarei morcegos em ralos

E quando o pimento queimar
Cristaleira em caruma de chão
Os vermes irão colonizar
As magnólias da minha mão



Paulo D. de Sousa

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Nas Asas da Poesia - Bonito Serviço 2

Vim da anilha alhada em pólen
O plástico é ninho de centopeias
Onde nascem as bactérias do cólon
Arborizam ramadas de gotas cheias

Estou num parafuso embrulhado
Abrindo intempéries de caracol
Onde colmeias orvalham piado
Cinzeiro luz nesga de girassol

Vidro entroncado p´ra furar rio
Transpirando metal platinado
Sou a flora na face d´um fio
Um sobreiro emoldurado

Envasarei florestas em botas
Escutarei abelhas onduladas
Alaparei profundas bolotas
Num silvado de enxurradas

E quando o pimento queimar
Cristaleira em caruma de chão
Os vermes irão colonizar
As magnólias da minha mão


Paulo D. de Sousa