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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Legislativas 2015 - A falácia da falta de escolha

Bom dia!

Hoje senti a necessidade de partilhar alguns pensamentos sobre uma das muitas questões polémicas que envolvem o presente (e passados) período eleitoral: a falácia da falta de escolha.

A falácia da falta de escolha é uma história, uma fábula, ou um conjunto de argumentos, dependendo do ponto de vista que, em altura de campanha se espalha como a varíola, com o intuito de beneficiar aqueles que há 41 anos monopolizam a governação de Portugal (PS/PSD), utilizando para isto o mais triste dos argumentos políticos: “O partido X é uma desgraça no que faz, mas os outros não são melhores”.

Ao contrário da varíola, que existe mesmo e parece que é chata, a falácia da falta de escolha é, independentemente da eloquência, tom e volume do orador, não mais do que uma falácia, uma mentira. Hoje vamos desmontar esse apelo à “estabilidade” e à “continuidade” que PS e PSD tanto se esforçam para passar como a única maneira de lhes salvar o empreg…, oh, perdão, o país.

Portugal é uma democracia há 41 anos (possivelmente o único aspecto em que realmente vale a pena apostar na continuidade), tendo atingido o feito a 25 de Abril de 1974, e, desde então, depois de 2 anos de junta de salvação nacional e governos provisórios, eis que se estabelecem em 1976 (até hoje) os governos constitucionais que, à excepção de ano e meio (29 de Agosto de 1978 – 3 de Janeiro de 1980) em que fomos governados por independentes propostos pelo, então presidente, Ramalho Eanes, foram conduzidos ora pelos socialistas do PSD, ora pelos sociais-democratas do PS e, aqui e ali, por um CDS a reboque, sempre que um dos dois partidos não foi capaz de conseguir sozinho uma “maioria estável/absoluta/grande e boa”.

Nestes 39 anos e meio de continuidade mais ou menos estável (parece que volta e meia os próprios pregadores da “estabilidade” e da “continuidade” decidem destabilizar-se uns aos outros, os marotos) Portugal tem seguido, no que diz respeito às contas públicas, um trajecto exemplar, estável e contínuo. Direção? Para baixo.

Segundo os dados divulgados no site da Pordata, o último ano (e único em 50 anos desde 1964 a 2014) em que o estado Português gastou menos do que ganhou foi 1970 e, à excepção desse vergonhoso exemplo, temo-nos mantido num caminho estável e contínuo para a bancarrota.

Fig.1: Equus africanus asinus, um burro, só porque sim.

Em 1975 o estado já gastava o equivalente a mais de 100 milhões de euros do que o que conseguia recolher em receitas, em 1976, a diferença já passava os 200 milhões, em 1984 ultrapassava-se a barreira dos 1000 milhões de euros (quanto é que isto é em escudos?) que o estado gastava, a mais, do que o que tinha para gastar, e em 2002 a balança comercial anual do estado Português acusava um rombo de mais de 5000 milhões de euros. Em 2004, quais campeões (quase fomos, raio dos gregos, sempre à frente) o estado Português quase ultrapassava os 10000 milhões de euros de défice anual, barreira que finalmente venceu em 2009, ano em que atinge a prestigiante marca dos 14057 milhões de euros, marca que, ainda assim é batida em mais de 200 milhões de euros no ano seguinte. Desde então, e porque felizmente houve um governo eleito com o propósito máximo de equilibrar as contas públicas, o estado Português têm vindo a perder, anualmente, só mais de 7000 milhões de euros e o défice encontra-se agora nos 130% do PIB. Estamos safos.

Mas há que reconhecer que nem tudo foi péssimo em 39 anos de continuidade PS/PSD/CDS. Desde 1974 foi construída uma boa rede de ensino, vulgo escola pública, que nos últimos 10 anos vem sendo desmantelada, um bastante razoável serviço nacional de saúde, cada vez mais inacessível aos cidadãos com menos recursos, quilómetros e quilómetros de alcatrão, que permitem ao tio Belmiro e afins, aos deputados e ministros, e aos investidores Chineses e Angolanos uma pista em fantásticas condições e com pouquíssimo trânsito, para esticarem os motores dos seus carros modestos (que também emitem poucos gases poluentes e podem entrar na baixa de Lisboa), tornámo-nos um país turístico, cuja principal mais valia é o baixo preço, produzimos grandes mentes nas artes, no desporto e na ciência, que são das nossas maiores e mais produtivas exportações, e claro, continuamos a ter de maneira muito estável e contínua um óptimo clima e comida fantástica.

Por outro lado, quanto a alternativas políticas, concorrem às eleições legislativas de 2015 (pois, as deste domingo) apenas 20 partidos, pouca diversidade por onde escolher.

Apesar de nem todos os partidos concorrerem em todos os círculos eleitorais, verdade seja dita, nunca houve, como agora, tanta alternativa, para todos os gostos, opiniões e feitios como nas presentes eleições. Desde defensores de marrecos e coxos a quem acha que o Cristiano Ronaldo é o máior há projectos e propostas para defender tudo e mais alguma coisa, inclusive, a espantosa “continuidade” e a também muito popular “estabilidade”.

Em todo o caso, para que se conheça e para que se possa votar com a consciência de que sabe a quem e para quem se está a dar não só dinheiro como o governo do país, deixo-vos uma lista dos partidos que concorrem nestas eleições, os links para os respectivos programas e os nomes dos cabecilhas:
 
AGIR – Coligação PTP-MAS
Líder – Joana Amaral Dias
Programa eleitoral: aqui




Bloco de Esquerda
Líder – Catarina Martins
Programa eleitoral: aqui






CDU – Coligação PCP-PEV
Líder – Jerónimo de Sousa
Programa eleitoral: aqui





Juntos Pelo Povo
Líder – Nuno Moreira
Programa eleitoral: aqui







Livre/Tempo de Avançar
Líder – Rui Tavares
Programa eleitoral: aqui




Nós Cidadãos
Líder – Mendo Castro Henriques
Programa eleitoral: aqui






Partido Cidadania e Democracia Cristã
Líder – Tânia Avillez
Programa eleitoral: aqui




Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses
Líder – Garcia Pereira
Programa eleitoral: aqui




Partido da Terra
Líder – José Manuel Silva Ramos
Programa eleitoral: aqui





Partido Democrático Republicano
Líder – Marinho e Pinto
Programa eleitoral: aqui








Partido Nacional Renovador
Líder – José Pinto-Coelho
Programa eleitoral: aqui







Partido Popular Monárquico
Líder – Gonçalo da Câmara Pereira
Programa eleitoral: aqui







Partido Socialista
Líder – António Costa
Programa eleitoral: aqui




Partido Unido dos Reformados e Pensionistas
Líder – António Mateus Dias
Programa eleitoral: aqui




Pessoas-Animais-Natureza
Líder – André Lourenço e Silva
Programa eleitoral: aqui





Portugal à Frente – Coligação PSD-CSD
Líder – Pedro Passos Coelho
Programa eleitoral: aqui





Divirtam-se e no Domingo não deixem de ir votar por falta de alternativa.



Nuno Soares

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

(des)ligado

Hoje falaremos de (des)ligado, a curta-metragem de estreia do jovem realizador algarvio Diogo Simão.

(des)ligado desafia o espectador a acompanhar um carrossel de emoções vertiginosas, mal contidas e controladas de uma mente doente à procura de si mesma e perdida dentro de si. Esta obra faz da tensão e do drama, não sem um sub-reptício toque de humor, os seus principais trunfos e, mesmo para quem não tem especial predilecção pelo estilo cinematográfico em que se insere, poderá surpreender pela simplicidade da estrutura e facilidade em ser vista, talvez porque o tal omnipresente toquezinho de humor ajude a digerir as cenas mais gráficas.



Acima de tudo, sobressai o modo profissional, exigente e atento aos detalhes, com que esta equipa de jovens talentos portugueses, com recursos limitados, foi capaz de produzir esta curta.

(des)ligado terá a sua estreia no Farcume – Festival Internacional de Curtas-Metragens de Faro (26 a 29 de Agosto), onde participará na categoria de “Ficção”.

O trailer, disponível desde o início do mês pode ser visto aqui.

Uma pequena amostra de uma obra realizada, produzida, escrita, representada e musicada por jovens autores portugueses.

Vale a pena conhecer!


Nuno Soares

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Festival Jota 2015

O Festival Jota, o maior festival de música cristã do país, começa hoje à noite e estende-se até Domingo, em Montenegro, Faro. Depois de Guarda e Viseu terem recebido o festival, respectivamente, em 2013 e 2014, este ano as centenas de participantes que acompanham este festival rumam a Sul, até ao Parque Natural da Ria Formosa, onde, para além da música, contam com diversos worshops/actividades desportivas, artísticas e culturais que dão a conhecer quer a cidade de Faro, quer a própria Ria e proporcionam experiências diferentes das do quotidiano da maioria das pessoas.


Em termos musicais, o cartaz desta edição junta jovens talentos nacionais como Xpression Cross, que espalham a mensagem de Cristo num registo rock, e os Godstones, num estilo mais Pop, a bandas internacionais como os Britânicos Crossbeam e o Espanhol Nico Montero. Nem a música electrónica foi esquecida, com a presença do Algarvio DJ Zoon

Os bilhetes ainda se encontram à venda, no recinto, com preços a partir de 3€, o que torna este festival uma opção económica, para crentes e não crentes, para um fim-de-semana de música e outras actividades, bem perto da praia e do sol do Algarve.

Para mais informações, o Festival Jota 2015 tem aqui o seu site.

E para ouvirem algumas das bandas presentes podem seguir os links abaixo:

Banda Jota
Claudine Pinheiro
Yeshua

Nuno Soares


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Viragem – O primeiro álbum de Pedro Limpo

Pedro Limpo é um compositor e músico Português, natural de Lisboa, que se encontra em trabalho de preparação para o seu primeiro álbum, “Viragem”, o qual junta música urbana Portuguesa com as letras do poeta Algarvio Roberto Leandro.

Alguns dos temas, disponíveis no soundcloud, revelam as influências rítmicas do jazz, misturadas com uma voz e sonoridade acústicas bem ao jeito da música popular Portuguesa, e um toquezinho daquele swing tão característico do Brasil, que confere ao trabalho de Pedro Limpo uma leveza sonora que se mistura de maneira harmoniosa com a profundidade dos poemas que canta, em bom português.


Para além da voz e guitarra de Pedro Limpo, “Viragem” conta com a bateria de André Mota, o contrabaixo de André Ferreira, as teclas de Diogo Santos e o clarinete de Cátia Teles.

Pedro Limpo e a sua equipa têm uma campanha de angariação de fundos (1500€ dos quais já conseguiram 801€) para ajudar a custear a edição deste seu primeiro álbum, “Viragem”, e quem contribuir, tem direito a recompensas pelo apoio que vão desde bilhetes de concerto e cds a um concerto privado com a banda e um jantar, dependendo, claro, do valor contribuído para a causa.

Oiçam, se gostarem partilhem e, se puderem apoiem!

A música Portuguesa a dar cartas!

Nuno Soares 

sábado, 18 de julho de 2015

“Um amigo é coisa para a Vida” dos Mundopardo - Vídeoclip

Depois de terem apresentado, em Maio de 2015, o single “Um amigo é coisa para a vida” como um dos temas a integrar o 2º álbum do grupo, os Mundopardo brindaram os seus seguidores com o primeiro videoclip da banda, deste mesmo tema, que está disponível no Youtube desde o início da semana.

Fig. 1: Mundopardo

Apresentado pouco antes do evento, os Mundopardo já tiveram oportunidade de testar esta música nos grandes palcos, tendo sido tocada na XXX Semana Académica do Algarve, onde abriram o concerto de Anselmo Ralph.


Para quem quiser ficar a par das novidades, concertos e percurso deste promissor grupo de pop/rock nacional, os Mundopardo têm uma página no facebook que podem aceder aqui.  



Nuno Soares

segunda-feira, 22 de junho de 2015

The Codfish Band - Devil's Tongue

A nova banda da cena Rock nacional, os “The Codfish Band”, fazem-se aos palcos para apresentar o seu primeiro álbum “Devil’s Tongue” com um concerto de estreia na FNAC de Alfragide, já no dia 25 de Junho (5ª feira), às 21h, e outro, no dia 27 de Junho (Sábado), às 23h15m, no “Starway Club” em Cascais.


A banda é composta pelo quarteto Luigi Afonso (voz e guitarra), Miguel Ros Rio (guitarra), Nuno Escabelado (baixo) e Pedro Kystos (percurssão), e estes rapazes já têm o videoclip do singleHit the road” disponível no Youtube.


É ainda de dizer, que o álbum “Devil’s Tongue” está disponível na FNAC, a partir de hoje. Podem seguir a banda, os seus concertos, e novos lançamentos pelo Facebook do grupo.



Uma banda a acompanhar!

Nuno Soares

quinta-feira, 11 de junho de 2015

De Mim para Mim - Carolina Tendon

Título – De Mim para Mim
Autor – Carolina Tendon
Editor – João Pina
Data de edição – Setembro de 2014
Data da publicação original – Junho de 2014

Hoje trago-vos um livro que não é como os outros e, não o é, porque para além de ser, como diz a autora, um livro de mensagens ao invés de um livro com mensagem, é também um livro com uma história muito particular.

Fig. 1: Capa do "De Mim para Mim" de Carolina Tendon

Carolina é uma jovem entusiasta pela vida, cheia de energia, alegria, ambições e projectos. Estudou veterinária em Évora, dançou até não poder mais, escreveu desde cedo o que lhe ia na alma, e com a tinta da imaginação coloriu um mundo que aos poucos foi montando em seu redor, um mundo alegre e vivaço, à sua medida, não sem sacrifício, mas que com esforço e aprendizagem a levou pelos caminhos que percorreu, que há que dizer, não foram poucos.

Carolina faleceu em Fevereiro de 2014, tinha 22 anos, e o resto… bem o resto (um bocadinho) está no parágrafo que acabaram de ler. Carolina partiu sem aviso, partiu porque sim, mas o pequeno mundo que foi construindo com a sua imaginação e expandindo com as suas vivências, conquistas, desilusões, alegrias e tropeções não a acompanhou na sua viagem, pelo menos não todo, criando, talvez, uma ponte etérea e eterna entre aquilo que deixou feito e aquilo que inspirou e inspirará a fazer.

Após a morte de Carolina, o seu namorado Pedro Pinto, e a família da Carolina juntaram força, inspiração, coragem, uma determinação sem limites e um amor a toda a prova, para reunirem os escritos da Carolina e publicarem o “De Mim para Mim”, um livro póstumo em que dão a conhecer mais do que o que ela escreveu, a própria Carolina.

Esta obra, de 144 páginas, junta poemas, pequenos textos e pensamentos, que a Carolina escreveu ao longo da sua vida, desde os seus 10 anos e que, sem dúvida, surpreendem pelo domínio do verso e pela clareza de pensamento em jovem de tão tenra idade. Tudo isto é acompanhado por fotografias e imagens, nem todas tiradas pela Carolina, mas relacionadas consigo ou com o conteúdo dos seus textos, como que um complemento tanto da obra como da autora. “De Mim para Mim” contém ainda, as mensagens póstumas dos seus familiares, do namorado e de uma amiga-irmã, e que elevam este livro a uma verdadeira, imponente, emocionalmente gigante mas não derradeira, homenagem à vida e ao espírito muito particular de Carolina, aos seus sonhos e ideais.

Fig. 2: Mapa das apresentações do "De Mim para Mim"

Desde o lançamento, no 23º aniversário de Carolina, a 21 de Junho de 2014, o “De Mim para Mim”, já correu o país de Norte a Sul, pelas mãos do namorado Pedro, que incessante e incansavelmente, continua a edificar e a levar ao mundo, o mundo que, ele como ninguém partilhou, idealizou e começou a construir com Carolina Tendon.  

Um livro a adquirir, uma história a conhecer, uma pessoa a não esquecer!


Nuno Soares

sábado, 6 de junho de 2015

Festival Eurovisão da Canção: representação cultural do país ou desperdício de dinheiros públicos?

Mais um ano passado, mais um fracasso da representação Portuguesa no Festival Eurovisão da Canção, certame único a nível europeu que junta anualmente, há 60 anos, talentos musicais dos quatro cantos da europa.

Aproveitando a deixa da apresentadora Joana Teles, que disse, e muito bem, que este festival, quando apareceu, fazia parar o país, urge aos organizadores, promotores e financiadores (vulgo, povo português) da participação nacional no festival da canção, perceber o porquê de tal sucesso e interesse se ter esbatido ao longo das décadas em Portugal. Esse processo de entendimento seria sem dúvida, um bom começo para que se possa mudar, melhorar e corrigir, o modelo medíocre e ineficaz que vem sendo usado de há uns anos a esta parte.

Mas cada coisa a seu tempo. Comecemos por onde se deve, o princípio; o Festival RTP da Canção, que escolhe, através de júri (os compositores das músicas a concurso) e do voto popular, o representante nacional no Festival Eurovisão da Canção.


Fig. 1: A vencedora do Festival RTP da Canção 2015 - Leonor Andrade

E porque nem tudo é desgraça, começo por salientar um ponto positivo na edição de 2015 do Festival RTP da Canção, a inclusão de banda em palco que dá, para além de credibilidade (e bem que ela é precisa), o ar de que realmente se trata de um festival de música na televisão, ao invés de uma montra de jingles publicitários.

Parabéns pela iniciativa e pela coragem de querer melhorar e tornar o festival mais autêntico.

Infelizmente, outras apostas não correram tão bem.

O conceito de dar espaço a novas e velhas glórias do festival na abertura do mesmo, permitindo que estas apresentem os anfitriões da gala, está interessante e podia acrescentar valor ao programa, se dois pressupostos simples fossem cumpridos: o primeiro, é que se tratam de glórias do festival (Suzy?) e o segundo, é que conseguem articular palavras e fazer frases com nexo (Suzy?). Felizmente, na 2ª semi-final, o par composto por Lúcia Moniz e Eládio Clímaco fez muito melhor figura, em ambos os capítulos, do que a parelha Suzy – António Calvário, que abriu a 1ª semi-final.

Em termos musicais, o Festival RTP da Canção, apresentou-nos 12 músicas de 12 intérpretes nacionais, nas quais quero destacar pela positiva um interessante equilíbrio entre a aposta em jovens talentos (a mais nova intérprete, Rita Seidi, tem 17 anos), e nomes conhecidos e muito mais experientes como Adelaide Ferreira e Simone de Oliveira. Pela negativa destaco a falta de diversidade musical, apostando-se, mesmo comparando com outros anos, em receitas gastas e datadas, que já nem o nosso pequeno Portugal entusiasmam, e a falta de vontade, coragem ou saber para desenvolver a fundo os conceitos apresentados, nomeadamente a nível cénico, caindo-se na monotonia e vulgaridade, raramente aproveitando as potencialidades dos temas apresentados. Exceptuando um honroso par de músicas, faltou carácter, força e acima de tudo espectáculo, a músicas que, de resto, até conseguiram, em alguns casos, trazer a palco boas vozes, boas letras e composições interessantes.

“Lisboa, Lisboa” foi a música de Sara Tavares e Kalaf Epalanga a que Rita Seidi deu voz. Com uma ritmicidade muito própria e dando uso às influências africanas, este tema apresentou-se como uma música quente, bem-disposta e fácil de ouvir, o que não fez dela uma grande candidata ao prémio ou uma canção fenomenal por valor próprio. Uma letra longe de ser extraordinária (talvez pela urgência em ser feita, como disse a Sara) e a necessidade de uma voz mais cheia, dinâmica e potente (quiçá a da Sara), que, sem desmérito para a intérprete, Rita Seidi não tem, deitaram por terra as ambições deste grupo de trabalho.

Miguel Gameiro, dos Pólo Norte, compôs uma música interessante, com uma base mais rock, que com uma interpretação algo insegura de Leonor Andrade na semi-final, conseguiu ainda assim chegar à final, onde, com mais confiança na voz, fez por ganhar uma viagem a Viena. Claramente mais confortável nos registos mais baixos da música mas sem destoar nos agudos, mesmo após uma subida de tom, Leonor trouxe à música um ar de, quase Amor Electro, faltando à voz a capacidade de encher o palco com a sua presença e pecando por uma notória falta de investimento em produção cénica, que foi aliás, uma das grandes limitações da maior parte das participações neste festival.

Filipa Baptista foi a eleita por Augusto Madureira para interpretar o seu tema “A noite inteira”, num registo de pista de dança. Filipa teve a falta de sorte ou de gosto (ou as duas), de ir ao Festival RTP da Canção representar Suzy, a vencedora do ano anterior. Tudo na sua interpretação fez lembrar a actuação de Suzy em 2014 (à excepção do peito). Letra medíocre, ritmo e melodias banais e uma… coreografia/interacção com um dançarino, que nos põe a pensar se estes profissionais são devidamente pagos por aquilo que têm que passar. Filipa não tem, de todo, má voz, mas nesta actuação foi só isso que teve a seu favor.

Fig. 2: Filipa Baptista in Suzy 2

Nuno Feist e Nuno Marques da Silva foram compositor e letrista de uma das poucas obras que arrancou aplausos espontâneos entre a audiência do programa. “Outra vez Primavera” contou com uma composição interessantíssima, óptima interpretação musical, e uma fantástica, potente, e bastante expressiva voz de Yola Dinis, tudo acompanhado por uma letra digna de ser chamada poema. Infelizmente, e apesar de se ter apurado na 1ª semi-final, o fado de Yola não conseguiu nem o voto do público, nem o dos compositores (?) e ficou-se pelo 4º lugar na final nacional.

Foi o sobrinho de José Cid que compôs e interpretou “Tu tens uma Mágica” mas podia ter sido o septuagenário cantor, pois Gonçalo Tavares é uma cópia a papel químico de Cid (que colaborou na fantástica letra), sem a franja e com 30 anos a menos. Mas as diferenças acabam aí. Uma frase repetida durante 3 minutos, 4 acordes no piano com uma ritmicidade e melodia que nos levam 30 anos para trás (o que não é necessariamente bom), e os tiques de cabeça, fizeram-me sentir num lagar. Curiosamente, esta obra conseguiu o voto do júri, quer na semi-final, quer na final, o que, de todo, não abona a favor dos compositores.

Adelaide Ferreira foi Adelaide Ferreira. A sua presença trouxe, tal como a de Simone de Oliveira, uma maturidade diferente ao festival. No entanto, ao contrário de Simone, que chegou à final, a música que Adelaide trouxe consigo, não conquistou os Portugueses. “Paz” tinha uma mensagem mas faltou-lhe a força e a elaboração para a fazer chegar ao público. Nem a postura e voz expressiva, nem a habilidade teatral da cantora compensaram uma música regular, que não encaixou particularmente bem no conceito do festival e que não puxou pela voz de Adelaide como outros temas que interpreta.

E assim se fecha a 1ª semi-final.

Fig. 3 - Yola Dinis, uma grande cantora

A 2ª trouxe-nos uma melhor apresentação, mais natural e fluída, com a dupla Sílvia Alberto – José Malato, e alguns temas interessantes.

Começando por “Quando a lua volta a passar” de Sebastião Antunes. Tenho que confessar que Sebastião tem uma sonoridade que me apraz, gosto da influência country presente nos seus trabalhos, e da maneira particular de cantar histórias através da música. No entanto, desta feita, Sebastião não foi feliz na escolha da intérprete. Rubi Machado não soube ou não conseguiu soltar-se e dar a leveza, alegria e agilidade que a música exigia, tendo resultado num estranho contraste entre uma composição viva e dinâmica interpretada por uma cantora pesada e mortiça na sua voz.

Churky usou a potente voz de José Freitas para dar vida a um blues ao estilo de Elvis Presley que, sendo diferente do habitual no programa, mostrou bom serviço e mais que mereceu o lugar na final nacional. A lamentar fica a produção cénica que, neste programa, parece consistir exclusivamente em gente a dançar em fundo. Não acrescenta nada a esta música, não encaixa no estilo musical e é foleiro que dá dó, inovem.

Teresa Radamento interpretou “Um fado em Viena” de Fernando Abrantes e Jorge Mangorrinha, um fado-valsa de composição simples e melodia alegre. A voz acompanhou de maneira razoável, tímida a princípio, mas crescendo em confiança ao longo da música. Apesar da música se ouvir bem, Teresa Radamanto, não é uma voz genial, e as suas limitações são evidentes na canção. Cenicamente pobre.

Simone de Oliveira apresentou um belo poema de Tiago Torres da Silva, com uma composição à altura por Renato Júnior. Simone fez valer a sua experiência, segurança inabalável e grande carisma. A apontar fica a opinião de que, o que a música tem em harmonia não tem em força para acompanhar a grande expressividade de Simone. Uma música, não obstante, interessantíssima, com todo o potencial para vingar fora do festival.

Fig. 4 - Cheia de garra e expressividade, Simone de Oliveira

Héber Marques compôs e Filipe Gonçalves cantou “Dança Joana”, um tema num registo pop, bem ao jeito do festival da canção. De longe, o mais expressivo dos intérpretes (exceptuando talvez Simone, mas num registo completamente diferente), com muito à vontade, interactividade e presença em palco. Apesar do cheiro a verão, uma letra pouco inspirada pode ter pesado contra “Dança Joana”, que não passou da semi-final.

O tema “Maldito tempo” de Carlos Massa foi desqualificado por não cumprir os regulamentos do concurso pois, apesar de original, não era inédito, o que, estando para além de argumentação (o regulamento factualmente foi incumprido), é uma pena, pois a voz de Diana Piedade é um portento, a interpretação foi fluída e enérgica e o duo cénico com um dos músicos, deu uma dinâmica a este nível que faltou às restantes apresentações.

De toda esta mescla saiu como vencedora Leonor Andrade com “Um mar que nos separa”. Não foi a melhor composição, letra, voz ou actuação do festival, mas, foi a representante escolhida. Na actuação em Viena, Leonor Andrade até nem se portou mal, cantando com confiança e esforçando-se para interagir com o público mas sem ter o carisma de uma Lúcia Moniz e com uma péssima escolha de indumentária e postura que, vá-se lá saber porquê, parecia sugerir uma improvável e pouco conseguida mistura entre rock e fado. A música interessante e a voz que não envergonha esbarraram no vazio cénico que engoliu Leonor, e resultou numa prestação muito abaixo de alguns dos seus concorrentes e na consequente eliminação na semi-final do Festival Eurovisão da Canção.

Fig. 5 - Conchita Wurst, cantor Austríaco, vencedor do Festival Eurovisão da Canção em 2014

Nas últimas 10 participações (de 2004 em diante pois tivemos um interregno em 2013), Portugal chegou à final apenas em 3 (2008, 2009 e 2010), e vai sendo tempo de a RTP repensar o modelo de recrutamento (e quiçá até o de seleção) que aplica. Abrir as portas a mais compositores, através de concurso e pré-seleção, poderia trazer mais e melhores temas, géneros musicais e intérpretes, em contraponto como o actual sistema de convite de compositores, sabe-se lá sujeito a que critérios (ou falta deles). Este seria, a meu ver, um ponto de partida, não só para renovar o interesse dos Portugueses, que passariam a associar mérito e qualidade a uma presença no festival, como para melhorar as miseráveis classificações frequentemente obtidas pelos nossos representantes.

Num certame internacional em que se investe dinheiro público, quer-se o melhor que se faz musicalmente em Portugal, um país recheado de excelentes compositores, músicos e intérpretes, algo que não é possível com este modelo de portas fechadas.

Se o Festival RTP da Canção é um programa de entretenimento, o que se exige da televisão pública, é que garanta entretenimento de qualidade e, assim, certamente, os Portugueses responderão em conformidade, com o seu apoio e entusiasmo que, de resto, é bem visível noutros países europeus que continuam a investir forte na sua representação no Festival Eurovisão da Canção, com ganhos não só culturais, mas também económicos.

Até lá, estamos condenados a deitar dinheiro ao desbarato e a vermos a nossa representação musical, ficar à sombra de grandes colossos da música europeia, como o Chipre, o Azerbaijão, Montenegro ou a Arménia.

Urge a mudança.

Nuno Soares



sábado, 2 de maio de 2015

Novo single dos Mundopardo – Um amigo é coisa para a vida

A banda Farense “Mundopardo” lançou um novo single intitulado “Um amigo é coisa para a vida”, o primeiro tema a ser apresentado do que há-de ser o 2º álbum desta banda formada em 2013, por Ricardo Silva (voz, guitarra e cavaquinho), Pedro Rodrigues (baixo), João Cardoso (guitarra) e Fábio Silva (percussão, teclado e voz), aos quais se juntou mais tarde o baterista Paulo Franco.

Depois de, em Maio do ano passado, terem lançado o álbum de estreia “A Pequena Metrópole”, chegou a hora escolhida para revelar os resultados dos últimos meses de ensaios, com o lançamento do “Um amigo é coisa para a vida” e com a promessa, em recente entrevista à Rua Fm, de estrear outros temas na XXX Semana Académica do Algarve, onde farão a abertura do concerto de Anselmo Ralph, na sexta-feira, dia 15 de Maio.


Este single dá-nos as primeiras impressões sobre este novo projecto dos “Mundopardo” que, mantendo-se fiel à origem, traz algumas mudanças em relação ao “A Pequena Metrópole”, que, diz Ricardo Silva, se devem às diferentes condições que hoje a banda dispõe, nomeadamente contar com um baterista a tempo inteiro e poder libertar Fábio Silva para o sintetizador e assim explorar novas sonoridades.

Em todo o caso, com novas e velhas sonoridades, os “Mundopardo” estão em cena, têm o seu “Um amigo é coisa para a vida” disponível gratuitamente no soundcloud e na sua página de facebook e estarão, muito em breve, em Faro, na XXX Semana Académica do Algarve.

É de acompanhar!

Nuno Soares

sábado, 18 de abril de 2015

Não podemos deixar morrer o Lince Ibérico! (outra vez)

A 25 de Fevereiro de 2015, foi libertado o terceiro casal de Lince Ibérico (Lynx Pardinus) em território nacional, a primeira meia dúzia desde a extinção da espécie do nosso lado da fronteira, na década de 90. A 12 de Março, Kayakweru, a fémea desse casal, foi encontrada morta, sem causa exterior aparente. Um mês depois, veio a público a causa da morte de um dos felinos mais ameaçados do mundo: envenenamento.

Foi breve a vida em liberdade de Kayakweru. Ela nasceu em território nacional, perto de Vale Fuzeiros, uma pequena localidade montanhosa no concelho de Silves, no Algarve, em 2013, fruto do trabalho de conservação empreendido pelo Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), que desde 2009, cria e prepara estes animais para a sua futura introdução em habitat natural. Lá, como nos restantes 4 centros do programa de conservação Ex-situ do Lince Ibérico (todos em Espanha), constrói-se todos os dias, uma parte crucial do futuro desta espécie, um futuro que se quer de recuperação, em oposição à extinção, que apesar dos progressos feitos nos últimos 10 anos, teima em não sair do horizonte.  


Foi breve a vida em liberdade de Kayakweru. Terminou-a um acto criminoso: a utilização de veneno como forma de extermínio, proibida por lei em Portugal1. Apesar de o mal estar feito, e de um precioso animal, raro, único e nosso (de Portugal e Espanha), ter morrido por acção humana, é preciso entender que esta morte não é, nem pode ser considerada, apesar das dificuldades inerentes a um projecto de conservação desta natureza, uma situação “normal”, “espectável” ou “aceitável”. Urge distinguir, morte acidental causada por mão humana, como infelizmente já aconteceu em Espanha, um atropelamento numa estrada não iluminada, de morte criminosa, causada pela utilização de substâncias ilegais para o efeito pretendido: matar. 

É igualmente inaceitável a inércia e condescendência das nossas instituições que, perante um problema recorrente em Portugal (a morte por envenenamento de vida selvagem), tardam em aplicar metodologias que previnam (como a educação para a temática e o maior envolvimento dos sectores económicos com mais impacto nestas problemáticas), fiscalizem, investiguem e punam os responsáveis por tais actos. 

Revolta-me a falta de gestão estratégica de recursos, o gasto de tantos milhões de euros em preservar o ambiente e as espécies autóctones, porque (espera-se) se reconhece o valor ambiental, cultural e económico de espécies como esta, para depois deixar ao acaso, e sem qualquer tipo de meio de prevenção, de monitorização ou de intervenção, que permita actuar legalmente contra os culpados quando os “azares” acontecem.


Revolta-me que um ministro do ambiente (e provavelmente o engenheiro electrotécnico com mais impacto na conservação ambiental em Portugal) que se dá ao trabalho de ir soltar uma promessa eleitor… um animal em vias de extinção, não trabalhe com o seu ministério em soluções preventivas e correctivas para este tipo de situações, não garanta que este, como tantos outros casos semelhantes no nosso país, não acaba arquivado e esquecido sem consequências para os culpados e não se pronuncie sobre o assunto, deixando aos que trabalham directamente nesta área e a todos os cidadãos que, não o fazendo, apoiam, divulgam e se indignam (e benditos sejam) com este tipo de passividade para com actos criminosos, nada mais do que a esperança de que no futuro, num dia de nevoeiro, alguém em posição para fazer essa diferença, faça o trabalho que lhe compete: zelar pela conservação do nosso património natural, pela boa gestão do dinheiro investido na sua preservação, e acima de tudo, pela não complacência para com actos criminosos.

Deixem lá o nevoeiro, queremos os nossos bichos de volta!

Nuno Soares 

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Bitcho Bravo

Titulo – Bitcho Bravo
Autor – Ricardo Rodrigues
Editora – Publicações Dom Quixote
Data de edição – 2006


“Bitcho Bravo” é o livro de estreia do jornalista Ricardo Rodrigues e conta, em jeito traçado entre a reportagem e o conto, a história verídica de Francisco Álvares, biólogo português, que durante dez anos viveu no Gerês transmontano numa demanda pelo melhor entendimento do lobo ibérico.

Ricardo conta-nos a história deste estudioso e aventureiro e o que o levou a uma região tão isolada, quase que parada no tempo, como tantas vezes faz lembrar o testemunho de Francisco ou o “Chico dos lobos” como é chamado na narrativa, o seu interesse pelo animal, o acompanhamento e o profundo grau de conhecimento que adquiriu sobre as alcateias da região e o entusiástico fascínio pela componente social do lobo, espelhada pelas aldeias e vilas da região.



Durante 187 páginas “Bitcho Bravo” leva-nos no encalço do Chico dos Lobos por montes e vales da dura paisagem transmontana onde o bitcho ainda é rei. Seguindo esses trilhos esquecidos entramos em contacto com séculos de história, mito e lenda, que tocam, ainda que de maneira superficial, na profunda e frequentemente conflituosa relação entre populações locais e o lobo.

A escrita de Ricardo é simples tornando a leitura quase tão leve como os passos dos animais que pretende retratar e o livro lê-se e vive-se com bastante intensidade talvez pelos relatos baseados numa experiência real, muito emotiva, sentida e acima de tudo vivida.

Uma boa leitura sobre um tema e num formato pouco vulgares,

Classificação:






Nuno Soares

sexta-feira, 13 de março de 2015

O Jogo da Imitação - The Imitation Game

O Jogo da Imitação, filme dirigido pelo Norueguês Morten Tyldum, estreou em Portugal a 15 de Janeiro, trazendo consigo uma boa impressão da crítica internacional que lhe valeu inúmeras distinções em vários prémios cinematográficos, entre os quais 8 nomeações nos “87th Academy Awards” (onde ganhou a categoria de melhor argumento adaptado), 5 nomeações nos “72nd Golden Globe Awards” e 9 nomeações da “British Academy of Film and Television Arts”.

Fig 1: Alan Turing

Este filme, um thriller biográfico focado na vida e obra de Alan Turing (Benedict Cumberbatch), matemático Inglês cujo trabalho foi essencial na viragem da 2ª Guerra Mundial a favor dos Aliados, começa a sua narração em 1952, onde um recém-detido Alan Turing, acusado de homossexualidade (crime no Reino Unido de então), expõe o seu percurso ao julgamento do detetive que acompanha o seu caso.

Assim, Turing lidera uma analepse que nos leva por mais de uma década, até aos primórdios da Grande Guerra, em que o Reino Unido se encontra isolado na Europa contra a toda-poderosa Alemanha de Hitler, lutando para manter desimpedido o Canal da Mancha, a sua última defesa contra o invasor Alemão, enquanto tenta desesperadamente, com o auxílio dos Estados Unidos da América, resolver um grave problema de abastecimento que pode deixar o país à mingua.

À altura, uma das maiores deficiências na estratégia militar dos Aliados, consistia na sua incapacidade de descodificar as comunicações Alemãs protegidas pelo Enigma, um poderoso aparelho de codificação considerado indecifrável. Movido pelo desafio de um problema sem solução, Alan Turing abandonou a sua vida de académico em Cambridge, e rumou a Bletchley Park, onde estava sediada a equipa de criptografia das forças armadas às ordens do comandante Alastair Denniston (Charles Dance).

Fig 2: A equipa de criptografia de Turing

O grosso do filme descreve as aventuras e desventuras desta equipa de criptógrafos na sua demanda pela descodificação do Enigma, explorando a fundo o génio e o carácter ímpar de Turing que lhe valeu fricções e desacatos com colegas e superiores, viajando ocasionalmente à infância do matemático, à génese de tudo, para que se conheça o âmago do seu “eu”, e permitindo ainda explorar um romance (ainda que fictício) com Joan Clarke (Keira Knightley). A narrativa é preenchida constantemente por uma boa dose de drama e conflitualidade, que ao fim e ao cabo caracterizam a vida e personalidade de Turing, mas fá-lo com brilhantismo, ao ponto, de o filme ser capaz de manter o interesse, a fluidez e a intensidade durante os seus 114 minutos e proporcionando por isso, uma boa experiência cinematográfica, capaz de entreter.

O Jogo da Imitação abre ainda espaço à reflexão sobre o modo como a sociedade integra, ou não, indivíduos, que como Turing, possuíam um distinto brilhantismo e que, não obstante, foram julgados e condenados por serem dissonantes da maioria.

Turing faleceu em 1954, aos 41 anos, menos de 2 anos depois de ter sido condenado a castração química por actos homossexuais.

Fig 3: Um dos momentos de tensão do filme que Turing é acusado de ser um espião ao serviço da URSS

Um bom filme, a história de um indivíduo, no mínimo, intrigante e, uma excelente interpretação de Benedict Cumberbatch como Alan Turing.

Classificação:






Classificação dos leitores - Um bom filme - 

Obrigado a todos os que nos deixaram a sua classificação deste filme!

Nuno Soares


The Imitation Game

The Imitation Game is the latest biographic movie of the 20th century British mathematician, Alan Turing, who was of major importance to decode the enigma machine, responsible for the encryption of German communications during World War II.   

Pic 1: Alan Turing (Benedict Cumberbatch)

The movie starts in 1952 in a police interrogation room, where an under investigation (charged for homosexuality) Alan Turing (Benedict Cumberbatch), leads the audience through a flashback to the war years. Turing hold nothing from the detectives, and soon we are in the early Second World War, the allies losing badly, the United Kingdom facing a severe supply problem and a total incapability to crack the, otherwise easily intercepted, German radio communications.

Moved by the challenge of a unsolved and apparently, impossible to solve, problem, Turing left his academic life in Cambridge to join the cryptography team under the direction of commander Alastair Denniston (Charles Dance), in charge of decoding the enemy messages. Soon both the genius and the very particular personality of Turing take over the scene, fuelling a riot between his co-workers.

Pic 2: Turing with his machine

The next couple of years are an interesting mix of sweat, blood and tears, in their desperation to achieve a result that keeps eluding them even after the changes in the team, made by Turing, in which he recruited is wife-to-be Joan Clarke (Keira Knightley) and the development of Turing machine, a proto-computer that, in Turing’s view, was the only possibility to break enigma coding capabilities.

Drama, tension, treason, tragedy but also joy, friendship, achievement and an almost love story, fill the searching years for a solution that was eventually achieved and which changed the course of the war. During this process we sporadically go even further back in time, to Turing’s childhood, where we are introduced to a badly adapted but brilliant Alan Turing, with a strong but tragic friendship and the building up of Alan’s strong although eccentric personality.

Pic 3: With Joan Clarke (Keira Knightley)

Some took offense in the cinematographic liberties taken by the Norwegian director Morten Tyldum and accused him to distort history, but the majority of the critics were pretty receptive and the movie received high ratings in the speciality sites as IMBd (8.2/10), Rotten Tomatoes (7.7/10) and Metacritic (73/100) among other reviewers both on and offline. The gross income was also impressively high reaching recently the mark of 180 million dollars worldwide (to cover production cost around 14 million dollars) what makes The Imitation Game the most profitable independent movie in 2014. It was also nominated for several prizes including 5 Golden Globe Awards and 9 British Academy of Film and Television Arts nominations, including “Best Film” and “Best Director”.

I’ve found it a very interesting movie, both for the veridical (even if adulterated) story of an, at least, unique character and for the entertaining experience of the movie itself. Tyldum and his team were able to make a fluid and entertaining movie, with content and some deepness, with emotion and drama without excessive sadness or melancholy. Probably due to the amazing performance of Benedict Cumberbatch as Alan Turing a, not easy life in a not pretty tale, was able to preserve a colourful and dynamic atmosphere that never brings the movie to a standstill swamp of boredom, keeping the things interesting from beginning to the very end. The movie brings also space for reflection about how society treated and still treats, incomparably bright, although maladapted or different in any way, individuals like Alan Turing.

Rating:






Readers Rating - Entertaining - 


Thank you to all for rating this movie!


Nuno Soares

terça-feira, 3 de março de 2015

Lançamento do "Heróis à Moda no Algarve"

É com grande prazer e orgulho que anuncio que é já este Sábado (dia 7) que será lançado o livro “Heróis à Moda do Algarve” do qual sou co-autor.

Esta “obra” é um conjunto de contos que, com um toque de boa disposição, leva o leitor a conhecer um pouco mais do Algarve, das suas localidades, das suas festas, das suas gentes, mais ou menos ilustres (mas sempre muito autênticas), dos seus comes, dos seus bebes, das suas ânsias e preocupações, dos seus desejos e paixões e, acima de tudo, dos seus falares!

O Heróis promete levar os leitores em aventuras várias, espalhadas pelo Barlavento, pelo Sotavento e até além-fronteiras, onde, nos dias que correm, não é difícil encontrar Algarvios em diáspora, levando sempre, ao que parece, a sua terra no coração (e doces na mala).

“Heróis à Moda do Algarve” faz ainda um importante levantamento linguístico de regionalismos Algarvios, compilados no “Dicionário Marafado” incluído no livro, para melhor entendimento de quem, por ventura, não esteja familiarizado com alguns dos termos utilizados ou quem, por falta de secura, já não seja capaz de os recordar.



A leitura recomenda-se arejada e à sombra, à temperatura ambiente, na companhia de presunto, mel, queijo de figo, vinho, feijoada de choco, medronho, tarte de alfarroba, de amêndoa, chouriço, doce fino, ameijoas na cataplana, sopa de lingueirão, favas, melosa, bacalhau recheado, xerém, dom rodrigo, morgados, doce de chila, arroz de tamboril, licores variados e tremoços.

Os autores e editora não se responsabilizam por gargalhadas, engasgos, sufocos, torções e contorções, levitações, luxações, estrabismo, espasmos, queda de cabelo, refluxo, olhos cansados, ataques de espirros, suores frios, quentes ou mornos, papeira, varicela, micoses múltiplas, gonorreia e/ou distúrbios do sistema digestivo que a leitura deste livro possa propiciar.

Por último, resta dizer que o lançamento será às 15:30 no auditório da ESGHT (Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo) da Universidade do Algarve (Campus da Penha), contando com a presença dos 5 autores e da editora “Lugar da Palavra”, responsável pela publicação.

O livro encontrar-se-á disponível no local do lançamento e nas lojas Fnac e Bertrand.

Até lá,


Nuno Soares