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sábado, 23 de janeiro de 2016

TCN Blog Awards 2015

Os TCN Blog Awards são um conjunto de premiações atribuídas, desde 2010, a blogs de cinema e televisão. Este ano, na 6ª edição, o Opina esteve representado na cerimónia de entrega dos prémios, numa sala de cinema repleta de público jovem, onde se comiam pipocas e trocavam comentários entre as várias tribos presentes, que iam d@s bloggers de moda às unhas de gel, passando pel@s fervorosos adeptos de cinema e outros meios de comunicação audiovisual.

O dia foi o invernal dia 9 de Janeiro e o ponto de encontro o Alvaláxia, em Lisboa. Para não apreciadores de futebol é, na terminologia de Marc Augé, um não lugar, um local não humanizado, projectado e construído para a circulação de automóveis e eventos de massas, hostil a peões passeantes.

Assinala-se um registo positivo para um evento que começou e acabou no horário previsto e, do qual, saíram os seguintes vencedores nas várias categorias a concurso:

Melhor Site/Portal/Facebook: Girl on Film Facebook, Sofia Santos;
Melhor Festival: Motelx 2015;
Melhor Distribuidora: Alambique;
Melhor Canal de Cabo: Canais TVCine & Series;
Melhor Reportagem: Cannes2015, por Hugo Gomes, do blogue Cinematograficamente Falando
Melhor Iniciativa: VHS – Vilões, Heróis e Sarrabulho, canal de Youtube
Melhor Rubrica: Posters Caseiros, por Edgar Ascensão, do blog Brain-Mixer
Melhor Ranking/Top: Top 15: Música de Filmes de Terrorhttp://notfilmcritic.blogspot.pt/2015/03/top-15-musica-de-filmes-de-terror.html, por Rita Santos, do blog Not a Film Critic
Melhor Artigo de Televisão: The Daily Show with John Stewart, por Diogo Cardoso, do blog TVDependente
Melhor Artigo de Cinema: Cinema Mudo Escandinavo, por José Carlos Maltez, do blog A Janela Encantada
Melhor Crítica de Televisão: Mad Men, 7ª Temporada, por Mafalda Neto, do blogue TVDependente
Melhor Crítica de Cinema: Mad Max: Fury Road, por Pedro de Alarcão Lombarda, do blog CinemaXunga
Melhor Entrevista: Shlomi Elkabetz, por Aníbal Santiago, do blog Rick’s Cinema
Melhor Blog Colectivo: TVDependente
Melhor Blog Individual: A Janela Encantada, de José Carlos Maltez
Melhor Novo Blogue: Jump Cuts
Melhor Blogger do Ano: Pedro de Alarcão Lombarda, do blog CinemaXunga



Paralelamente decorreu um Quiz para activar o público. Das seis categorias presentes, duas eram (no mínimo) estranhas: Mamas e Nalgas (?) no feminino, claro – destaque que mais pareceram recalque de meninos grandes com adolescências tardias. Nota positiva para o apresentador boa onda que manteve o ritmo e para o Edgar que tanto quanto se percebeu, foi um faz-tudo na organização do evento.

Parabéns a quem trabalhou para que este evento fosse possível, a quem participou e, claro, aos vencedores dos TCN Blog Awards 2015.  


Isabel Passarinho

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Mundos e Profundos - Novo álbum dos Geo

É já amanhã, sábado dia 9 de Janeiro, que os Lisboetas Geo realizam o concerto de apresentação do seu novo álbum: Mundos e Profundos.

O grupo composto por Carlos Alberto Cavaco (guitarra clássica), António Carmo (concertina), Catarina Barão (Cajon), Inês Martins (guitarra clássica) e Marta Lourenço (viola de arco) vai lançar aquele que é o seu 8º trabalho discográfico em 6 anos de actividade.


O grupo junta influências de várias partes do globo num registo de música popular e de improviso que, potenciado pela amplitude de instrumentos ao dispor, e pela capacidades dos virtuosos, se traduz numa música rica em melodias e ritmos que tão bem se sente com a alma como se ouve com os ouvidos.

O concerto realizar-se-á no Le Foyer, Conservatório de Música, em Lisboa, pelas 21:30 e os interessados em conhecer este grupo podem reservar os bilhetes no facebook da banda e/ou dar um salto ao canal de youtube dos Geo onde podem ver alguns (um número considerável) dos seus temas.

Para terminar, deixo-vos o videoclip do tema “Desperta para a vida”, gravado na serra de Sintra.



Não deixem de acompanhar mais um talentoso grupo de músicos Portugueses e amanhã, concerto a não perder às 21:30 em Lisboa.

Nuno Soares

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crónica Social - Na rota dos festivais de Verão

Fora de Tempo. Ainda sobre Festivais de Verão…


Embora o Outono se instale, só agora gozo um período de férias. Férias que, cada vez mais, significam um tempo de distância em relação aos ritmos, aos lugares e às pessoas que preenchem o quotidiano de rotinas marcadas pelo trabalho.

Há já vários anos que dou um destino diferente a este tempo. Diferente porque o orçamento disponível não aconselha viagens de lazer. Mas diferente também porque o lazer já não tem o mesmo significado de oposição ao trabalho.Tento agora conciliar vertentes aparentemente inconciliáveis – descanso, resolução de problemas práticos adiados, outros trabalhos e experiências novas que permitam aprendizagens.

Nesta última vertente tenho beneficiado de uma rede de amigos com quem é possível estar/trocar/colaborar. Gente do Movimento de Transição, da tribo da Permacultura, gente que procura modos de vida ambiental e humanamente mais amigáveis. Nas cidades e fora delas surgem pessoas e famílias que se atrevem a construir vidas que não se centram no emprego e tentam emancipar-se do consumo e dos empréstimos bancários. Está em curso um movimento esperançoso de modos de vida alternativos ao mainstream.  

Gente com capital cultural e educativo, de todas as idades e condição, de filosofias diferentes, com posições críticas face ao capitalismo de casino e comprometidos com a urgência de nos tornarmos mais sustentáveis. Conseguem viver com muito menos dinheiro, alguns deixaram os trabalhos ou estão reformados, voltaram à terra e a economias de subsistência, outros mantem actividades artísticas ou de outro tipo com vínculos liberais. Vivem todos com orçamentos muito mais reduzidos e estão ligados em redes, integrando-se com as comunidades locais de acolhimento.

Na minha itinerância fui a Santo André e Lisboa, sempre, com particular destaque para a renovada Mouraria. O período maior fui para a Beira, uma zona lindíssima entre Côja e Avô, entre as Serras do Açor e Estrela. Uma natureza ainda pujante, um património cultural e arquitectónico muito rico e muita gente, nacional e estrangeira a tentar reinventar modos de vida.

Em Agosto participei em dois Festivais que estão também ligados a este Movimento – o Andanças, na Barragem de Póvoas e Meadas em Castelo de Vide e o Bons Sons, na Aldeia Cem Soldos, em Tomar. Existe em Portugal uma razoável oferta, tendo em conta o tamanho do país, de festivais de Verão - arrisco dizer que existem Festivais para todos gostos, bolsos e feitios. Os adolescentes e os jovens adultos são os seus maiores fãs. Mas não são só eles. Também existem frequentadores menos jovens, de todas as idades. Imagino que também as motivações que estão por detrás das escolhas sejam diversas.

Sem enjeitar o valor económico destas iniciativas e uma espécie de efeito Disneylândia com recintos que funcionam como reservas temáticas, mais ou menos tribais, o certo é que vivi em ambientes amigáveis, descontraídos, participativos e com ofertas culturais de grande qualidade. Para mim funcionaram ao jeito de residências artísticas ou melhor dito, foram uma espécie de imersão antropológica em territórios não habituais. Ir a estes Festivais foi garantia de não encontrar pessoas do meu ciclo profissional e até pessoal – até por isso foi refrescante e permitiu conhecer outras formas de entender a vida. Descobrir. Compreender. Aprender.

Admito que, para uma fatia de participantes, o efeito Disney regado a cerveja talvez seja o móbil. Para os mais jovens, imagino que os festivais sejam uma espécie de ritual de iniciação ou de passagem em que experimentam sobreviver fora do controlo parental e do apoio familiar. Ou ensaiam tempos de vida de casal e/ou de grupo. Claramente, uns conseguem melhor que outros. Estes Festivais criam reservas de bom trato, de amizade, de alargamento de horizontes culturais, de possibilidades protegidas de experimentação. São organizados colaborativamente por associações que defendem e praticam valores que me são caros - claramente são contextos de educação não formal.

Brevemente:

§  FESTIVAL ANDANÇAS

Foi a vigésima edição, a terceira no Alentejo, perto de Castelo de Vide; sendo que a maioria dos Festivais anteriores foram em S. Pedro do Sul.

A Associação que promove este Festival é a PédeXumbo, de Évora. Sobre o conceito que está na génese deste Festival, pode ler-se no site:
O Andanças é um festival que promove a música e a dança popular enquanto meios privilegiados de aprendizagem e intercâmbio entre gerações, saberes e culturas. Com um olhar dos dias de hoje, o Andanças propõe-se reavivar hábitos sociais de viver a música retomando a prática do baile popular através de múltiplas abordagens às danças de raiz tradicional, portuguesas e do mundo, com vista à recuperação das tradições musicais e coreográficas, fundindo-as com elementos contemporâneos.´

 

 A Associação PédeXumbo promove desde 1998 a música e a dança tradicional.
Uma equipa profissional dedica-se à recuperação e divulgação destas práticas culturais, através de registos, coproduções, criações artísticas, investigação e através do ensino formal e informal destinado a todas as idades. A PédeXumbo também organiza festivais em todo o país e programa regularmente no seu próprio espaço, em Évora, oficinas, concertos e bailes para vários públicos.

O cartaz dos sete dias (3 a 9 de Agosto) tem uma programação ininterrupta e com propostas múltiplas desde as 10h até às 3 ou 4 da manhã. Espalhado por um recinto natural fantástico, tem um forte compromisso de sustentabilidade ecológica.
Uma das intenções é promover a visão sistémica e de ciclo-de-vida dos processos de produção e consumo, de produtos e serviços, com objetivos idealizados de "zero desperdício", procurando fechar ciclos – à escala local, regional, e nacional –, e contribuir para um consumo e modos de vida mais sustentáveis. (…) a demonstração e partilha de melhores práticas ambientais, sociais e económicas contribui para o desenvolvimento de uma consciência e de uma cultura mais sustentáveis. Até porque muitas vezes nos esquecemos de pensar nas consequências das nossas ações e de procurar ativamente alternativas. No Andanças, a forte adesão dos participantes às práticas adotadas confirma esta aposta.
 

De facto, viver o Andanças é isto. O encontro e a partilha. Dançar, ouvir música, atrever-se a tocar um instrumento, a pintar, a construir qualquer coisa, a participar num coro mandado. Fruir, da paisagem, do ambiente, dos debates, da música que se toca por todo o lado, de estar em comunidade e em paridade. De celebrar a vida.
De resto, é mais fácil viver o espírito deste Festival do que contar como foi.


§  FESTIVAL BONS SONS

Esta sexta edição do festival que se assume ser da música portuguesa decorreu no terceiro fim-de-semana de Agosto, na Aldeia de Cem Soldos, perto de Tomar. É organizado pela associação cultural local SCOCS e pretende ser uma plataforma de divulgação da música portuguesa, quer a consagrada, quer os projectos emergentes.
Mais do que um festival de música portuguesa, o BONS SONS é uma experiência única. A Aldeia de Cem Soldos é fechada e o seu perímetro delimita o recinto que acolhe 8 palcos, cada um dedicado a uma linha programática, perfeitamente integrados nas suas ruas, praças, largos, igreja e outros equipamentos.
Além desta característica, o BONS SONS promove uma relação de proximidade com o seu público, envolvendo a população na realização do Festival. São os habitantes que acolhem e servem os visitantes, numa partilha especial entre quem recebe e quem visita, proporcionando a vivência ímpar de um evento musical. A selecção criteriosa do programa, o recinto único que é Cem Soldos e o envolvimento da população na realização do Festival são marcas que distinguem o BONS SONS da oferta cultural nacional. A par da formação de públicos, o BONS SONS tem como principal meta o desenvolvimento local através da fixação dos mais jovens e da potenciação da economia local.
Quando chegamos e colocamos a pulseira somos convidados a fazer parte da aldeia, a partilhar os seus lugares e a conhecer os seus habitantes e tradições. Durante 4 dias vivem-se os palcos de música, as exposições, as conversas e as variadas actividades que animam ruas e largos.
Hoje, com cerca de 1.000 habitantes, Cem Soldos tem um verdadeiro espírito comunitário e mantém as suas tradições vivas e actuais, registando grande envolvimento nas actividades locais, como é o caso da animada Festa da Juventude em Agosto, a peculiar Festa da Aleluia na Páscoa e a poderosa fogueira de Natal. Em 1192, no reinado de D. Sancho I, já existia registo do lugar de Cem Soldos. Conta-se, numa versão da história, que o nome de Cem Soldos deriva de ter havido nesta povoação um destacamento militar de cerca de cem homens, aos quais, periodicamente, eram enviados “100 soldos” para o pagamento dos seus serviços.
 

O Sport Club Operário de Cem Soldos (SCOCS) é a associação cultural local que, desde 1981, tem por missão promover o bem-estar social, cultural, desportivo e recreativo da população, privilegiando o desenvolvimento mútuo da Associação e da Comunidade nestas vertentes. O SCOCS tem assegurado a criação de uma dinâmica social excepcional, sendo responsável pelo envolvimento comunitário, formação e empreendedorismo de muitos jovens de Cem Soldos, cujo resultado mais mediático é o festival que se tornou nacional: o BONS SONS.
O ambiente é miscenizado entre os habitantes autóctones mais antigos e mais recentes (já é muito difícil encontrar verdadeiros rurais nas nossas aldeias), as tribos artísticas, muitos jovens adultos maioritariamente com pronuncias do centro e do norte, os estrangeiros jovens e menos jovens que vêm pela música, pelos artistas de renome e/ou pelo projecto da Aldeia. O objectivo final deste festival é o de retribuir à aldeia o esforço e o envolvimento, com aplicação das verbas em iniciativas sociais e culturais que beneficiam a sua comunidade.
A par do papel de formação de públicos, o BONS SONS tem como principal meta o desenvolvimento local, através da fixação dos mais jovens e da potenciação da economia local. Assim, faz parte de um plano maior que tem como base a valorização e a capacitação da população local, a criação de postos de trabalho e a promoção do espírito comunitário.


Isabel Passarinho

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

EDP Cool Jazz 2015 - An Evening With Mark Knopfler

O dia 28 de Julho marcou o regresso de Mark Knopfler aos palcos portugueses, em continuação do seu tour de lançamento de “Tracker”, o seu novo álbum. E foi com casa cheia que o Estádio Municipal de Oeiras recebeu o ex-guitarrista dos Dire Straits juntamente com a sua banda que já o vem acompanhando há largos anos.


Num concerto que durou aproximadamente duas horas, Knopfler optou por mostrar inicialmente algumas canções da sua carreira a solo, tanto do seu novo álbum “Tracker”, como dos menos recentes “Privateering” e “Cal”. Apesar de não ter perdido a sua genialidade e de ter actuado como sempre habituou, o público mostrou-se algo tímido e pouco reactivo nesta fase inicial do concerto, talvez devido a um menor conhecimento destes novos temas.

No entanto, a multidão entrou em êxtase quando a banda começou a tocar temas antigos dos Dire Straits como Romeo and Juliet, Sultans of Swing, Telegraph Road e Your Latest Trick. Após o tradicional encore, também com temas clássicos de Knopfler, o público ainda tentou que o músico voltasse ao palco, mas desta vez o músico não correspondeu.

Um excelente espectáculo, protagonizado por excelentes músicos.

Luís Brito

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Festival Jota 2015

O Festival Jota, o maior festival de música cristã do país, começa hoje à noite e estende-se até Domingo, em Montenegro, Faro. Depois de Guarda e Viseu terem recebido o festival, respectivamente, em 2013 e 2014, este ano as centenas de participantes que acompanham este festival rumam a Sul, até ao Parque Natural da Ria Formosa, onde, para além da música, contam com diversos worshops/actividades desportivas, artísticas e culturais que dão a conhecer quer a cidade de Faro, quer a própria Ria e proporcionam experiências diferentes das do quotidiano da maioria das pessoas.


Em termos musicais, o cartaz desta edição junta jovens talentos nacionais como Xpression Cross, que espalham a mensagem de Cristo num registo rock, e os Godstones, num estilo mais Pop, a bandas internacionais como os Britânicos Crossbeam e o Espanhol Nico Montero. Nem a música electrónica foi esquecida, com a presença do Algarvio DJ Zoon

Os bilhetes ainda se encontram à venda, no recinto, com preços a partir de 3€, o que torna este festival uma opção económica, para crentes e não crentes, para um fim-de-semana de música e outras actividades, bem perto da praia e do sol do Algarve.

Para mais informações, o Festival Jota 2015 tem aqui o seu site.

E para ouvirem algumas das bandas presentes podem seguir os links abaixo:

Banda Jota
Claudine Pinheiro
Yeshua

Nuno Soares


segunda-feira, 22 de junho de 2015

The Codfish Band - Devil's Tongue

A nova banda da cena Rock nacional, os “The Codfish Band”, fazem-se aos palcos para apresentar o seu primeiro álbum “Devil’s Tongue” com um concerto de estreia na FNAC de Alfragide, já no dia 25 de Junho (5ª feira), às 21h, e outro, no dia 27 de Junho (Sábado), às 23h15m, no “Starway Club” em Cascais.


A banda é composta pelo quarteto Luigi Afonso (voz e guitarra), Miguel Ros Rio (guitarra), Nuno Escabelado (baixo) e Pedro Kystos (percurssão), e estes rapazes já têm o videoclip do singleHit the road” disponível no Youtube.


É ainda de dizer, que o álbum “Devil’s Tongue” está disponível na FNAC, a partir de hoje. Podem seguir a banda, os seus concertos, e novos lançamentos pelo Facebook do grupo.



Uma banda a acompanhar!

Nuno Soares

sábado, 6 de junho de 2015

Festival Eurovisão da Canção: representação cultural do país ou desperdício de dinheiros públicos?

Mais um ano passado, mais um fracasso da representação Portuguesa no Festival Eurovisão da Canção, certame único a nível europeu que junta anualmente, há 60 anos, talentos musicais dos quatro cantos da europa.

Aproveitando a deixa da apresentadora Joana Teles, que disse, e muito bem, que este festival, quando apareceu, fazia parar o país, urge aos organizadores, promotores e financiadores (vulgo, povo português) da participação nacional no festival da canção, perceber o porquê de tal sucesso e interesse se ter esbatido ao longo das décadas em Portugal. Esse processo de entendimento seria sem dúvida, um bom começo para que se possa mudar, melhorar e corrigir, o modelo medíocre e ineficaz que vem sendo usado de há uns anos a esta parte.

Mas cada coisa a seu tempo. Comecemos por onde se deve, o princípio; o Festival RTP da Canção, que escolhe, através de júri (os compositores das músicas a concurso) e do voto popular, o representante nacional no Festival Eurovisão da Canção.


Fig. 1: A vencedora do Festival RTP da Canção 2015 - Leonor Andrade

E porque nem tudo é desgraça, começo por salientar um ponto positivo na edição de 2015 do Festival RTP da Canção, a inclusão de banda em palco que dá, para além de credibilidade (e bem que ela é precisa), o ar de que realmente se trata de um festival de música na televisão, ao invés de uma montra de jingles publicitários.

Parabéns pela iniciativa e pela coragem de querer melhorar e tornar o festival mais autêntico.

Infelizmente, outras apostas não correram tão bem.

O conceito de dar espaço a novas e velhas glórias do festival na abertura do mesmo, permitindo que estas apresentem os anfitriões da gala, está interessante e podia acrescentar valor ao programa, se dois pressupostos simples fossem cumpridos: o primeiro, é que se tratam de glórias do festival (Suzy?) e o segundo, é que conseguem articular palavras e fazer frases com nexo (Suzy?). Felizmente, na 2ª semi-final, o par composto por Lúcia Moniz e Eládio Clímaco fez muito melhor figura, em ambos os capítulos, do que a parelha Suzy – António Calvário, que abriu a 1ª semi-final.

Em termos musicais, o Festival RTP da Canção, apresentou-nos 12 músicas de 12 intérpretes nacionais, nas quais quero destacar pela positiva um interessante equilíbrio entre a aposta em jovens talentos (a mais nova intérprete, Rita Seidi, tem 17 anos), e nomes conhecidos e muito mais experientes como Adelaide Ferreira e Simone de Oliveira. Pela negativa destaco a falta de diversidade musical, apostando-se, mesmo comparando com outros anos, em receitas gastas e datadas, que já nem o nosso pequeno Portugal entusiasmam, e a falta de vontade, coragem ou saber para desenvolver a fundo os conceitos apresentados, nomeadamente a nível cénico, caindo-se na monotonia e vulgaridade, raramente aproveitando as potencialidades dos temas apresentados. Exceptuando um honroso par de músicas, faltou carácter, força e acima de tudo espectáculo, a músicas que, de resto, até conseguiram, em alguns casos, trazer a palco boas vozes, boas letras e composições interessantes.

“Lisboa, Lisboa” foi a música de Sara Tavares e Kalaf Epalanga a que Rita Seidi deu voz. Com uma ritmicidade muito própria e dando uso às influências africanas, este tema apresentou-se como uma música quente, bem-disposta e fácil de ouvir, o que não fez dela uma grande candidata ao prémio ou uma canção fenomenal por valor próprio. Uma letra longe de ser extraordinária (talvez pela urgência em ser feita, como disse a Sara) e a necessidade de uma voz mais cheia, dinâmica e potente (quiçá a da Sara), que, sem desmérito para a intérprete, Rita Seidi não tem, deitaram por terra as ambições deste grupo de trabalho.

Miguel Gameiro, dos Pólo Norte, compôs uma música interessante, com uma base mais rock, que com uma interpretação algo insegura de Leonor Andrade na semi-final, conseguiu ainda assim chegar à final, onde, com mais confiança na voz, fez por ganhar uma viagem a Viena. Claramente mais confortável nos registos mais baixos da música mas sem destoar nos agudos, mesmo após uma subida de tom, Leonor trouxe à música um ar de, quase Amor Electro, faltando à voz a capacidade de encher o palco com a sua presença e pecando por uma notória falta de investimento em produção cénica, que foi aliás, uma das grandes limitações da maior parte das participações neste festival.

Filipa Baptista foi a eleita por Augusto Madureira para interpretar o seu tema “A noite inteira”, num registo de pista de dança. Filipa teve a falta de sorte ou de gosto (ou as duas), de ir ao Festival RTP da Canção representar Suzy, a vencedora do ano anterior. Tudo na sua interpretação fez lembrar a actuação de Suzy em 2014 (à excepção do peito). Letra medíocre, ritmo e melodias banais e uma… coreografia/interacção com um dançarino, que nos põe a pensar se estes profissionais são devidamente pagos por aquilo que têm que passar. Filipa não tem, de todo, má voz, mas nesta actuação foi só isso que teve a seu favor.

Fig. 2: Filipa Baptista in Suzy 2

Nuno Feist e Nuno Marques da Silva foram compositor e letrista de uma das poucas obras que arrancou aplausos espontâneos entre a audiência do programa. “Outra vez Primavera” contou com uma composição interessantíssima, óptima interpretação musical, e uma fantástica, potente, e bastante expressiva voz de Yola Dinis, tudo acompanhado por uma letra digna de ser chamada poema. Infelizmente, e apesar de se ter apurado na 1ª semi-final, o fado de Yola não conseguiu nem o voto do público, nem o dos compositores (?) e ficou-se pelo 4º lugar na final nacional.

Foi o sobrinho de José Cid que compôs e interpretou “Tu tens uma Mágica” mas podia ter sido o septuagenário cantor, pois Gonçalo Tavares é uma cópia a papel químico de Cid (que colaborou na fantástica letra), sem a franja e com 30 anos a menos. Mas as diferenças acabam aí. Uma frase repetida durante 3 minutos, 4 acordes no piano com uma ritmicidade e melodia que nos levam 30 anos para trás (o que não é necessariamente bom), e os tiques de cabeça, fizeram-me sentir num lagar. Curiosamente, esta obra conseguiu o voto do júri, quer na semi-final, quer na final, o que, de todo, não abona a favor dos compositores.

Adelaide Ferreira foi Adelaide Ferreira. A sua presença trouxe, tal como a de Simone de Oliveira, uma maturidade diferente ao festival. No entanto, ao contrário de Simone, que chegou à final, a música que Adelaide trouxe consigo, não conquistou os Portugueses. “Paz” tinha uma mensagem mas faltou-lhe a força e a elaboração para a fazer chegar ao público. Nem a postura e voz expressiva, nem a habilidade teatral da cantora compensaram uma música regular, que não encaixou particularmente bem no conceito do festival e que não puxou pela voz de Adelaide como outros temas que interpreta.

E assim se fecha a 1ª semi-final.

Fig. 3 - Yola Dinis, uma grande cantora

A 2ª trouxe-nos uma melhor apresentação, mais natural e fluída, com a dupla Sílvia Alberto – José Malato, e alguns temas interessantes.

Começando por “Quando a lua volta a passar” de Sebastião Antunes. Tenho que confessar que Sebastião tem uma sonoridade que me apraz, gosto da influência country presente nos seus trabalhos, e da maneira particular de cantar histórias através da música. No entanto, desta feita, Sebastião não foi feliz na escolha da intérprete. Rubi Machado não soube ou não conseguiu soltar-se e dar a leveza, alegria e agilidade que a música exigia, tendo resultado num estranho contraste entre uma composição viva e dinâmica interpretada por uma cantora pesada e mortiça na sua voz.

Churky usou a potente voz de José Freitas para dar vida a um blues ao estilo de Elvis Presley que, sendo diferente do habitual no programa, mostrou bom serviço e mais que mereceu o lugar na final nacional. A lamentar fica a produção cénica que, neste programa, parece consistir exclusivamente em gente a dançar em fundo. Não acrescenta nada a esta música, não encaixa no estilo musical e é foleiro que dá dó, inovem.

Teresa Radamento interpretou “Um fado em Viena” de Fernando Abrantes e Jorge Mangorrinha, um fado-valsa de composição simples e melodia alegre. A voz acompanhou de maneira razoável, tímida a princípio, mas crescendo em confiança ao longo da música. Apesar da música se ouvir bem, Teresa Radamanto, não é uma voz genial, e as suas limitações são evidentes na canção. Cenicamente pobre.

Simone de Oliveira apresentou um belo poema de Tiago Torres da Silva, com uma composição à altura por Renato Júnior. Simone fez valer a sua experiência, segurança inabalável e grande carisma. A apontar fica a opinião de que, o que a música tem em harmonia não tem em força para acompanhar a grande expressividade de Simone. Uma música, não obstante, interessantíssima, com todo o potencial para vingar fora do festival.

Fig. 4 - Cheia de garra e expressividade, Simone de Oliveira

Héber Marques compôs e Filipe Gonçalves cantou “Dança Joana”, um tema num registo pop, bem ao jeito do festival da canção. De longe, o mais expressivo dos intérpretes (exceptuando talvez Simone, mas num registo completamente diferente), com muito à vontade, interactividade e presença em palco. Apesar do cheiro a verão, uma letra pouco inspirada pode ter pesado contra “Dança Joana”, que não passou da semi-final.

O tema “Maldito tempo” de Carlos Massa foi desqualificado por não cumprir os regulamentos do concurso pois, apesar de original, não era inédito, o que, estando para além de argumentação (o regulamento factualmente foi incumprido), é uma pena, pois a voz de Diana Piedade é um portento, a interpretação foi fluída e enérgica e o duo cénico com um dos músicos, deu uma dinâmica a este nível que faltou às restantes apresentações.

De toda esta mescla saiu como vencedora Leonor Andrade com “Um mar que nos separa”. Não foi a melhor composição, letra, voz ou actuação do festival, mas, foi a representante escolhida. Na actuação em Viena, Leonor Andrade até nem se portou mal, cantando com confiança e esforçando-se para interagir com o público mas sem ter o carisma de uma Lúcia Moniz e com uma péssima escolha de indumentária e postura que, vá-se lá saber porquê, parecia sugerir uma improvável e pouco conseguida mistura entre rock e fado. A música interessante e a voz que não envergonha esbarraram no vazio cénico que engoliu Leonor, e resultou numa prestação muito abaixo de alguns dos seus concorrentes e na consequente eliminação na semi-final do Festival Eurovisão da Canção.

Fig. 5 - Conchita Wurst, cantor Austríaco, vencedor do Festival Eurovisão da Canção em 2014

Nas últimas 10 participações (de 2004 em diante pois tivemos um interregno em 2013), Portugal chegou à final apenas em 3 (2008, 2009 e 2010), e vai sendo tempo de a RTP repensar o modelo de recrutamento (e quiçá até o de seleção) que aplica. Abrir as portas a mais compositores, através de concurso e pré-seleção, poderia trazer mais e melhores temas, géneros musicais e intérpretes, em contraponto como o actual sistema de convite de compositores, sabe-se lá sujeito a que critérios (ou falta deles). Este seria, a meu ver, um ponto de partida, não só para renovar o interesse dos Portugueses, que passariam a associar mérito e qualidade a uma presença no festival, como para melhorar as miseráveis classificações frequentemente obtidas pelos nossos representantes.

Num certame internacional em que se investe dinheiro público, quer-se o melhor que se faz musicalmente em Portugal, um país recheado de excelentes compositores, músicos e intérpretes, algo que não é possível com este modelo de portas fechadas.

Se o Festival RTP da Canção é um programa de entretenimento, o que se exige da televisão pública, é que garanta entretenimento de qualidade e, assim, certamente, os Portugueses responderão em conformidade, com o seu apoio e entusiasmo que, de resto, é bem visível noutros países europeus que continuam a investir forte na sua representação no Festival Eurovisão da Canção, com ganhos não só culturais, mas também económicos.

Até lá, estamos condenados a deitar dinheiro ao desbarato e a vermos a nossa representação musical, ficar à sombra de grandes colossos da música europeia, como o Chipre, o Azerbaijão, Montenegro ou a Arménia.

Urge a mudança.

Nuno Soares



segunda-feira, 27 de abril de 2015

Jam session - Jazz com Sotaque no "Setenta e 1"

Hoje fazemos divulgação a um evento cultural do outro lado do Atlântico!

A residência artística “Setenta e 1”, de São Paulo, Brasil, convida os amantes de jazz a visitarem Campo Limpo, na zona Sul, para uma Jam session onde todos são convidados a participar.


Os guitarristas Adriano Matos e Pedro Arnt, os “Jazz com Sotaque” estarão por lá para encher o espaço de ritmos tradicionais brasileiros com a beleza improvisada do jazz.

É já amanhã, 28 de Abril, entre as 18:00 e as 23:35. A não perder!


Opina

P.S: Para saberem mais sobre o espaço cultural “Setenta e 1” visitem a página https://www.facebook.com/events/1060947320600798/

E para acompanharem os “Jazz com Sotaque” podem seguir o link https://www.facebook.com/jazzcomsotaque

terça-feira, 7 de abril de 2015

Missão: Preservar o Algarvio

Foi no passado dia 7 de Março a cerimónia de lançamento do livro “Heróis à moda doAlgarve” no auditório da ESGHT (Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo) da Universidade do Algarve. O evento teve início com um momento musical no qual foi apresentada uma dupla composta por Bruno e Garlito em que é feita uma combinação entre as sonoridades da harmónica e da guitarra. Para além da musicalidade, a mensagem transmitida também é algo a ter em conta, uma vez que se foca num tema que, inexplicavelmente, não é muito abordado em música: o que nós, seres humanos, estamos a fazer ao nosso planeta e alerta-nos para que deveríamos ter mais cuidado com o mesmo, visto que se trata da nossa casa e não temos outro para onde ir.
Na apresentação do livro, propriamente dita, inicialmente foi dada a palavra ao representante da editora “Lugar da Palavra”, que enquadrou o livro na colecção “Heróis à moda do…” e explicou a importância da mesma na preservação do património linguístico português, bem como a cada um dos 5 autores, que não só nos apresentaram o respectivo conto como, durante a mesma, divertiram a plateia com animados momentos de stand-up comedy.


Durante as intervenções dos 6 oradores ficou bem patente que no processo de concepção e escrita deste livro, foi-lhe dado o importante papel de preservar a riqueza linguística de uma região na qual, numa deslocação de apenas uma dezena de quilómetros (às vezes até menos) podemos encontrar diferentes particularidades ao nível do vocabulário. Actualmente, com o avanço da tecnologia, estas particularidades têm-se vindo a perder não só no Algarve como em todo o país uma vez que as gerações mais jovens, com os computadores, tablets, smartphones e o acesso à internet, têm acesso a informação mais globalizada. Assim sendo, nos dias que correm, jovens da mesma faixa etária apresentam um vocabulário muito semelhante, sejam eles de que região do país forem (algo que não se verificava há poucas gerações).
No caso particular do Algarve, além deste avanço, o facto de ser uma região que recebe milhares de turistas por ano leva a que seja necessária a utilização de uma linguagem mais standardizada, para que todos a possam entender. Deste modo, os regionalismos ficam com um espaço cada vez mais reduzido, tanto que as gerações mais jovens já não os usam (ou usam pouco), nem estão familiarizadas com grande parte dos mesmos. Assim sendo, corre-se o risco de, dentro de uma ou duas décadas, se perder a riqueza linguística desta pequena região no Sul do nosso país.


Posto isto, o livro “Heróis à moda do Algarve” deve ser destacado pelo importante papel que, por certo, irá ter na preservação do património linguístico do Algarve e, consequentemente, de Portugal.

Marco Gago

terça-feira, 3 de março de 2015

Lançamento do "Heróis à Moda no Algarve"

É com grande prazer e orgulho que anuncio que é já este Sábado (dia 7) que será lançado o livro “Heróis à Moda do Algarve” do qual sou co-autor.

Esta “obra” é um conjunto de contos que, com um toque de boa disposição, leva o leitor a conhecer um pouco mais do Algarve, das suas localidades, das suas festas, das suas gentes, mais ou menos ilustres (mas sempre muito autênticas), dos seus comes, dos seus bebes, das suas ânsias e preocupações, dos seus desejos e paixões e, acima de tudo, dos seus falares!

O Heróis promete levar os leitores em aventuras várias, espalhadas pelo Barlavento, pelo Sotavento e até além-fronteiras, onde, nos dias que correm, não é difícil encontrar Algarvios em diáspora, levando sempre, ao que parece, a sua terra no coração (e doces na mala).

“Heróis à Moda do Algarve” faz ainda um importante levantamento linguístico de regionalismos Algarvios, compilados no “Dicionário Marafado” incluído no livro, para melhor entendimento de quem, por ventura, não esteja familiarizado com alguns dos termos utilizados ou quem, por falta de secura, já não seja capaz de os recordar.



A leitura recomenda-se arejada e à sombra, à temperatura ambiente, na companhia de presunto, mel, queijo de figo, vinho, feijoada de choco, medronho, tarte de alfarroba, de amêndoa, chouriço, doce fino, ameijoas na cataplana, sopa de lingueirão, favas, melosa, bacalhau recheado, xerém, dom rodrigo, morgados, doce de chila, arroz de tamboril, licores variados e tremoços.

Os autores e editora não se responsabilizam por gargalhadas, engasgos, sufocos, torções e contorções, levitações, luxações, estrabismo, espasmos, queda de cabelo, refluxo, olhos cansados, ataques de espirros, suores frios, quentes ou mornos, papeira, varicela, micoses múltiplas, gonorreia e/ou distúrbios do sistema digestivo que a leitura deste livro possa propiciar.

Por último, resta dizer que o lançamento será às 15:30 no auditório da ESGHT (Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo) da Universidade do Algarve (Campus da Penha), contando com a presença dos 5 autores e da editora “Lugar da Palavra”, responsável pela publicação.

O livro encontrar-se-á disponível no local do lançamento e nas lojas Fnac e Bertrand.

Até lá,


Nuno Soares

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O ressurgimento de Ramp na escuridão da Toca

A edição do festival: RAMPAGE Fest Tour 2014 satisfez novamente as delícias dos tímpanos metaleiros do Minho. Os já míticos Ramp, banda nacional em atividade desde 1989, percursores do melhor que o metal “tuga” tem à disposição, picaram o ponto na TOCA (Trabalho de uma Oficina Cultural e Associativa), situada nas antigas salas de cinema do Bragashopping, em Braga.


A banda vimaranense de death metal Skinning e a banda do Porto Blame Zeus, já indiciavam que o concerto principal seria recheado de riffs e solos à old-school. Ao se apresentarem ao público com uma set-list estruturada, por um lado com o intuito de criar um ambiente metal underground, e por outro lado direccionada para o público de Braga, com o tema “Anjinho da Guarda” a ser tocado, uma readaptação do original de António Variações, natural de Amares em Braga, formando laços mais pessoais entre o público e a banda. Para além disto, o já esperado clássico “Alone” também se inclui no repertório.

No concerto principal o vocalista dos Ramp, Rui Duarte, igual a si mesmo, é bastante acolhedor e receptivo a um público bracarense com uma casa semi-vazia. Ao seu lado estava o Ricardo, solista do momento com semelhanças a Kirk Hammett dos Metallica. Com a ajuda de Tó Pica, as melodias de guitarra conjugam-se com a marcha da bateria de ritmo loud com seguimentos de blast beats, interpretada por Paulo Martins que completa o compasso com o baixista José Sales. A banda assim nunca nos deixa de bater com os tempos certos de uma onda heavy metal que jamais soa anacrónica.

Envolvido por um ambiente propício ao headbanging, com direito a crowdsurfing, para além de euforia suficiente para suscitar pequenos mosh pits, provenientes de quatro dezenas de pessoas. O cheiro a metal “fundido”, fosse do shredding das cordas de guitarras e de baixo, fosse dos pratos da bateria levantavam um aroma a rancor no ar que seguia a metralhada da banda. A qualidade dos Ramp como músicos, acompanhada pelo talento técnico dos operadores de som, luz, projecção deram um equilíbrio que se tornou uma vantagem para este tipo de evento. Esta banda provou que ainda é capaz de vingar e entreter um público alternativo, contrariamente ao esperado de um projecto musical que não produz nada de novo desde 2009.

Paulo D. de Sousa

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

La Bohème

“La Bohème” a ópera do final do século XIX escrita pelo compositor italiano Giacomo Puccini com roteiro dos seus compatriotas Luigi Illica e Giuseppe Giacosa está em palco no London Coliseum pelas mãos da English National Opera (ENO) de 29 de Outubro até 6 de Dezembro.

Esta peça transporta os espectadores até à cidade de Paris, na década de 1830, e narra o romance desavindo entre Rodolfo, um poeta falido e Mimi, uma costureira de frágil saúde. O ambiente, altamente dinâmico e mutável durante o decorrer dos actos, oscila entre a disposição irreverente e boémia que se vive no apartamento de Rodolfo, que este partilha com Marcello, um pintor de parcas posses, Schaunard, um músico sem um tostão e Colline, um filósofo financeiramente deprimido; e o romance improvável com Mimi, inicialmente cheio de paixão e loucura mas que se torna frio e distante quando o ciúme toma conta de um atormentado Rodolfo.

O café Momus, espaço alegre, quente e cheio de vida, onde a amada de Marcello, Musetta, encanta os locais com a sua voz, entre outros atributos, contrasta profundamente com o drama do casal amigo, vivido nas ruas geladas do inverno parisiense.


 O acompanhamento musical assim como o impressionante cenário contribuem de maneira decisiva para a imersão do público nesta montanha russa de emoções, onde, ora se ri alegre e despreocupadamente, ora se angustia pela inevitável e trágica perda, sempre presente, entre os casais Rodolfo-Mimi e Marcello-Musetta, seja pela periclitante saúde de Mimi, seja pela obstinação de Musetta e consequente desespero de Marcello.

Marcello e Musetta, interpretados respectivamente por George von Bergen e Jennifer Holloway, inserem na peça uma comicidade e leviandade que complementa de maneira deliciosa o bem mais trágico, não obstante, igualmente cativante casal, Rodolfo e Mimi, a quem David Butt Philip e Angel Blue deram vida.


Há ainda a salientar a qualidade de todo o elenco, não só como actores, mas também como cantores, donos de vozes impressionantes e que tornam “La Bohème” pela ENO um espectáculo digno de nome.

Classificação:





Nuno Soares

terça-feira, 28 de outubro de 2014

"Shinegow – A Ilusão" sai a 1 de Novembro

É mesmo verdade! Iris Palmeirim de Alfarra, a autora de Shinegow, já tinha confirmado em entrevista ao Opina o lançamento do seu próximo livro ainda em 2014 e, não faltando ao prometido, o facto consuma-se no próximo dia 1 de Novembro, às 16 horas, no Instituto Português do Desporto e Juventude, no Parque das Nações em Lisboa.

Fig 1: A autora Iris Palmeirim de Alfarra
Esta nova obra da autora é a continuação do primeiro livro da saga Shinegow mas, chegou ao Opina, não será o último, pelo que Iris e o seu mundo fantástico continuarão à solta durante os próximos tempos. Iris conta com uma nova editora, a Edições Mahatma e com prefácio escrito pelo humorista Nuno Markl, que estará também presente no evento de lançamento!

Fig 2: Informação sobre o lançamento de "Shinegow - A ilusão"
Para além da costumeira aventura, da surpreendente magia e da, agora prometida, ilusão o que mais trará este novo volume da saga Shinegow? 

Para os que quiserem acompanhar a autora, a saga e os eventos de divulgação, Shinegow está no Facebook em: https://www.facebook.com/Shinegow


Nuno Soares

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Poeta albufeirense Roberto Leandro lança em breve "imagem d'escrita"

“imagem d’escrita” é o terceiro livro do jovem poeta albufeirense Roberto Leandro que, após o lançamento de “Ver no Verso” (2011) e “Poesia em Combustão” (2012), volta a publicar, desta feita sobre a égide da Obnósis Editora.

Esta nova obra funde de maneira particular duas artes com grande capacidade de expressar emoções, neste caso a poesia, a cargo de Roberto Leandro, e a interpretação fotográfica da mesma, entregue pelo autor a quatro fotógrafos, a ver: Vanessa Ideias, Rui Aires, Luísa Correia e Isabel Brinca.

Fig 1: Roberto Leandro

Pelo material já divulgado pelos promotores do projecto através da sua página de facebook, dir-se-ia que Roberto tentou reinventar a sua maneira de comunicar com os seus leitores, de se expressar, de transmitir emoções, pensamentos e mensagens através desta simultânea concordância entre a fotografia e a poesia que, ao mesmo tempo, aumenta a abrangência da interpretação dando ao fotógrafo a liberdade de projectar através da sua arte o que lhe foi anteriormente transmitido pelo verso lido.

Abaixo, podem ler um dos poemas que compõem o livro assim como a sua interpretação fotográfica, neste caso, de Vanessa Ideias:


Esta obra, que chegará ao público já no início do mês de Outubro, tem lançamento marcado para o dia 5, às 18 horas, no auditório Carlos Paredes em Benfica e terá também sessões de divulgação em Albufeira, no restaurante Cepa Velha pelas 18 horas do dia 18, em Faro, no dia 22 de Novembro no Palácio do Tenente, em hora a anunciar posteriormente e, em Pedrogão Grande em data e local ainda por definir. Estes eventos contarão ainda com o acompanhamento musical de Pedro Limpo Rodrigues e declamação por Paulo Moreira, do grupo ACTA.

A melhor das sortes para os 5 autores e para este promissor projecto!


Nuno Soares

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Jane Goodall no Woburn Safari Park

Foi no passado sábado, dia 27, que a famosa bióloga, antropóloga e activista dos Direitos Humanos, Jane Goodall, esteve presente no Woburn Safari Park, nos arredores de Londres, para uma palestra que reuniu cerca de duas centenas de pessoas, entre os quais, amigos, colegas, e certamente muitos admiradores.

Nesta palestra intitulada “Gombe and Beyond” a cientista falou do seu percurso pessoal e profissional, do seu prematuro interesse pelos animais, de como chegou a África e começou a trabalhar com Louis Leakey, um arqueólogo britânico que, entre outros feitos, proporcionou a Jane Goodall não só o seu primeiro emprego em solo africano, como a base da sua formação e experiência nas áreas da biologia e antropologia. Foi também a pedido de Leakey que Jane enveredaria mais tarde pelo estudo de chimpanzés (que a tornaria mundialmente famosa), pois este tinha interesse em encontrar paralelismos entre o comportamento destes símios e o da espécie humana como prova de um ancestral comum.

Jane continuou o seu relato durante cerca de uma hora, durante a qual levou a audiência por uma viagem que uniu a universidade de Oxford, onde Jane fez o seu doutoramento, sem qualquer tipo de estudo académico prévio, até às profundezas das florestas africanas, em particular a que inclui o Gombe Stream National Park, na Tanzânia, onde há 55 anos, estuda as populações locais de chimpanzés. Com uma incrível capacidade de descrição, quase como uma contadora de histórias, Jane Goodall transportou-nos até vários momentos icónicos, como a primeira observação registada de um chimpanzé a utilizar ferramentas para caçar térmitas, ponto-chave na investigação inicial de Goodall e um marco que levou a comunidade científica a ter que ponderar muitas definições e conceitos biológicos e comportamentais sobre o homem, os restantes animais e o que os distingue.

Fig 1: Jane Goodall e dois residentes do Gombe Stream National Park, Tanzânia
Esta incomparável jornada abarcou ainda a vida de Jane Goodall como activista dos Direitos Humanos que remonta, pelo menos, a 1977, aquando a fundação do Jane Goodall Institute, instituto espalhado por várias dezenas de países em todos os continentes e que promove a educação ambiental, proteção de espécies ameaçadas e gestão sustentável dos recursos naturais. Foi também tema de conversa o programa Roots&Shoots, fundado pela cientista, e que envolve cerca de 8000 grupos de crianças e jovens, dispersos pelo globo, que trabalham activamente para o desenvolvimento ambiental e social das comunidades em que estão inseridos.

Finda toda esta partilha de experiências e acontecimentos, seguiu-se uma sessão de perguntas e respostas, e uma sessão de assinaturas que muitos quiseram levar para casa a abrilhantar um dos livros da autoria de Goodall.

Como curiosidade fica a nota de que, em resposta a uma das perguntas colocadas pela audiência sobre o que pretendia Jane fazer agora que atingira os 80 anos, se pensava em assentar arraiais e aproveitar os seus últimos anos em paz e repouso ou se, pelo contrário, preferia continuar a sua rotina de investigadora, educadora e mensageira da paz das Nações Unidas enquanto a saúde lhe permitisse, Jane respondeu que, curiosamente, ao longo da sua vida tem vindo a descobrir mais e mais coisas que considera importantes fazer e que, por isso mesmo, a sua tendência será fazer cada vez mais e não menos.

Fig 2: Jane Goodall e a sua mascote Mr. H (de Hope - Esperança)
Assim sendo, esta não será certamente a última vez que se ouvirá falar de Jane Goodall que continua o seu périplo pelo mundo a investigar, a educar e a espalhar uma mensagem de paz, de mudança e de um desenvolvimento equilibrado e sustentável.

Um inesquecível evento, uma pessoa fantástica, uma personalidade ímpar.


Nuno Soares