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sábado, 10 de setembro de 2016

Jovens Autores - António Limpo

Nascido no ano de graça de 1983 na cidade de Lisboa, António Limpo é um designer gráfico com uma larga envolvência nas artes e na cultura. Para além de trabalho artístico no desenho e na pintura, António Limpo estreou-se no mundo literário com “O Surto” um conto pós-apocalíptico lançado pela Obnósis Editora em 2015.

Convidámos o António para uma entrevista no âmbito da rubrica Jovens Autores para que possam conhecer autor e obra. Esperemos que gostem!

Fig. 1: António Limpo

Opina: Bom dia António! É um grande prazer ter-te aqui hoje comigo. Obrigado por nos concederes esta entrevista!

A primeira coisa que te queria perguntar tem a ver com a tua formação pessoal e profissional. Tu és um homem de artes mas de uma área mais gráfica, do design, da pintura e do desenho. Porque é que um artista plástico e visual acaba por escolher a literatura como forma de expressão?

António: Sabes, eu sempre tive o hábito de ler, ainda que seja muito específico nos livros que escolho, mas é algo que me tem acompanhado ao longo da vida. Gosto bastante de ler, nomeadamente banda desenhada, e de escrever também. “O Surto” acaba por aparecer um pouco do nada, era uma história que eu queria contar e tive que a por em livro. Foi um ímpeto. Eu utilizo normalmente outras formas de expressão artística como a pintura ou o desenho mas, neste caso, a escrita pareceu-me mais adequada. Era escrever o livro ou fazer o filme.

Opina: Para um jovem de trinta e poucos anos não deixa de ser impressionante o percurso e o “rasto” de iniciativas, de projectos, de dinâmicas em que te vais envolvendo, para além das tuas próprias produções na pintura/desenho, trabalhaste no Monstra, Festival de Animação de Lisboa, em 2011, organizaste a Benfic’arte, uma exposição anual que cobre diversas áreas desde as artes plásticas ao cinema, passando pela música e estás à frente da Academia de Artes de Lisboa onde, para além da direção, coordenas os cursos de imagem. A isto juntas a Obnósis Editora, que fundaste, e a escrita. Como é ser artista a tempo inteiro e como é que se consegue estar em todas estas frentes?

António: Eu continuo a achar que há sempre espaço para mais e se a vida permitisse eu seria mesmo só artista plástico mas gosto imenso do que faço e, desde que goste, consigo estar envolvido em vários tipos de trabalho. Eu trabalho muito em design mas também faço ilustração, pintura, desenho, estou à frente da Academia, dou aulas de pintura e desenho na Academia também e claro, tenho a envolvência no mundo da literatura e da escrita através da Obnósis. Gosto de estar metido em vários projectos.

Opina: E é difícil de conciliar tudo isso?

António: Flui tudo normalmente. Se tiver muito que fazer o que faço é meter-me efectivamente ao trabalho e vou fazendo pausas quando acho que estou a precisar. Às vezes tenho que me limitar para não ficar a trabalhar demasiadas horas mas tento fazer um auto-controlo e parar quando sinto que já chega para um dia.

Opina: Que influência teve a tua experiência editorial na Obnósis para a publicação de “O Surto”? Era algo que farias sem ser pela tua mão do ponto de vista editorial ou achas que essa opção condicionaria a tua liberdade criativa? Nesse aspecto existe para ti alguma linha vermelha?

António: Eu quis publicar na Obnósis por, para além de fazer parte da editora, ter liberdade total na criação do livro. Eu acho que não teria dificuldade em publicar “O Surto” noutra editora mas talvez tivesse condicionantes no aspecto gráfico do livro ou limitações no conteúdo, ou o que seja, que não quis ter. A minha linha vermelha é traçada entre aquilo que quero passar e aquilo que me querem deixar passar. Se no caso do livro a editora, fosse ela qual fosse, me tentasse mudar conteúdo, como tirar partes mais violentas ou de qualquer outra maneira deturpar ou limitar a minha maneira de ver as coisas ou a identidade do que escrevi, eu não publicaria através dessa editora.

"A minha linha vermelha é traçada entre aquilo que quero passar e aquilo que me querem deixar passar."

Opina: “O Surto” não tendo uma temática nova, traz ao leitor um género muito pouco explorado em Portugal, o conto pós apocalíptico, com todas as emoções, conflitualidade e tensão que tal implica. Porquê este tema?

António: Eu gosto muito do pós-apocalíptico. A minha formação base é em história de arte e ao estudar as antigas civilizações, que já viveram o seu mundo pós-apocalíptico, que veio dar origem ao nosso, interessei-me muito por esses temas, a queda das civilizações, fosse através de uma epidemia, um desastre natural, uma invasão, o que fosse e é algo que sempre gostei de ver em livros, séries, filmes, jogos. E isto até é coisa que já deu conversa entre amigos, é que este tipo de narrativas, seja em que formato for, nunca ocorre em Portugal. Na versão Americana da coisa há um desastre, há um herói que sozinho salva aquilo tudo, salva o mundo, mas o mundo é sempre a América e no “O Surto” tentei dar ao leitor algo diferente, pensei “não, se isto é uma epidemia a nível mundial Portugal tem tanto interesse como os Estados Unidos, Inglaterra, França ou seja onde for” e daí ter escolhido Portugal e mais especificamente a cidade de Lisboa para “lançar” “O Surto”.

Opina: Como foi a aceitação dos leitores para uma temática que sendo já, por exemplo nos países anglo-saxónicos, algo entre o culto e o mainstream, em Portugal é ainda visto com alguma estranheza, com algo erudito, de um pequeno nicho de escritores/leitores?

António: Os comentários que recebi foram bastante encorajadores, ainda para mais porque, como disseste, muitos dos leitores do “O Surto” têm neste livro o primeiro contacto com o pós-apocalíptico e é bom ver que o resultado foi capaz de captivar mesmo leitores novos a este género literário.

Opina: Que influências da escrita e não só te inspiraram para “O Surto”?

António: Em termos visuais fui bastante inspirado pelo filme “A Estrada”, “28 dias depois” em alguns momentos, “The Walking Dead” é uma influência grande mas não tão directa como as pessoas possam imaginar, porque apesar de “The Walking Dead” acompanhar um grupo de sobreviventes a um cataclismo desta natureza não têm o mesmo tipo de funcionamento nem do lado dos infectados nem dos sobreviventes, sendo nesse aspecto “A Estrada” uma influência maior. Para além destas influências cinematográficas há ainda os jogos, desde os mais antigos que joguei ao crescer e que hoje têm uma conotação quase cómica, com aquele gore dos ano 90, bastante exagerado e claro, há outras, influências indirectas que tenho de estar um bocadinho a matutar para ver de onde vieram. Mas, na generalidade, a realidade é uma inspiração maior do que a ficção.

"No “O Surto” não há heróis e como os personagens são pessoas normais podem morrer até ao último sopro."

Opina: Uma das curiosidades de “O Surto” é passar-se, em parte, na cidade de Lisboa. Achas que essa escolha faz com que, quem conhece a cidade, se conecte de uma maneira diferente com a narrativa ou as dinâmicas seriam semelhantes se este surto se desse numa qualquer cidade fictícia?

António: Seria certamente diferente. Teria que fornecer muitos mais elementos da própria cidade que, neste caso, não senti necessidade. Mesmo para quem não conhece a cidade, hoje com tecnologias como o Google maps, qualquer pessoa pode conhecer os locais por onde a acção passa e construir as imagens da narrativa na sua cabeça com muito mais facilidade.

Opina: No “O Surto” a morte é uma constante. Não é o descartar de tantos personagens relevantes um risco no longo prazo? Não temes que alguns leitores se sintam emocionalmente defraudados e que abandonem a leitura ou percam o interesse por terem parte do elo de ligação com a obra quebrado com o desaparecimento de personagens com relevo no enredo?

António: Esse ponto é algo que eu não gosto na maior parte das obras do género. O herói sobrevive sempre, os personagens próximos do herói sobrevivem sempre, quando alguém tem que morrer, morre o personagem mais secundário possível, geralmente estereotipados e clichés, largamente irrelevantes para o desenrolar da história. No “O Surto” não há heróis e como os personagens são pessoas normais podem morrer até ao último sopro.

Fig. 2: "O Surto" de António Limpo, lançado em 2015

Opina: O que e para quando podemos esperar continuação?

António: Talvez para 2017. Parte da história já está escrita e posso-te avançar que vão passar alguns anos e que a narrativa vai dar muitas voltas com novas realidades e novas personagens.

Opina: Onde podem os leitores seguir o teu trabalho?

António: Podem fazê-lo na página da Obnósis Editora ou nas redes socias. “O Surto” está também disponível na loja online da FNAC, da Bertrand e da Wook pelo que se colocarem “O Surto” no Google encontrarão certamente uma destas páginas.  


por Nuno Soares




quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Rubrica Jovens Autores

Depois de ter passado pelo Algarve e pelo Alentejo onde entrevistámos Iris Palmeirim de Alfarra, Miguel Brito de Oliveira e Roberto Leandro a rubrica "Jovens Autores" traz-nos em breve o escritor Lisboeta António Limpo, autor do conto pós-apocalíptico "O Surto". 

Fig. 1: António Limpo

Não percam!


terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Jovens Autores - Roberto Leandro

Nascido em Outubro de 1986 em Albufeira, o poeta Roberto Leandro publicou pela primeira vez um livro de poesia em 2011, "Ver no Verso" de seu nome, livro este que marcou a materialização de uma paixão que o acompanha desde cedo. 

Publicou ainda "Poesia em Combustão" em 2012 e "imagem d'escrita" já no final de 2014, onde dá um salto e alia poesia e fotografia na mesma obra. 

Com uma carreira cultural e artística com presença na música, no teatro, no texto humorístico e claro na poesia, Roberto dá a conhecer a sua pessoa e trabalho nesta entrevista para a rubrica Jovens Autores do Opina. 

Fig 1: Roberto Leandro

Opina: - Roberto, boa tarde! Deixa-me agradecer-te por concederes esta entrevista ao Opina e dizer-te que é um grande prazer rever-te!

A primeira pergunta que te quero fazer é: porquê poesia? Fazendo parte de uma geração com hábitos de leitura pouco enraizados e, consequentemente, com poucos hábitos de escrita, não é frequente encontrar quem se dedique a este estilo e que persevere ao ponto de produzir não um, mas três livros de poesia. Porquê escrever poemas?

Roberto: Neste caso acho que se pode dizer que não fui eu que escolhi a poesia, mas sim a poesia que me escolheu. Cresci rodeado de música popular, dos dizeres, provérbios, quadras, lendas, e a minha educação foi sempre acompanhada por essas sabedorias do senso comum. O meu ouvido foi desde muito cedo treinado para aquela melodia muito própria da poesia. Tenho tendência para escrever poesia com uma métrica certa, com rima, não por ser uma pessoa muito formal, mas porque me agrada a musicalidade que a poesia tem. Fascinam-me as palavras, e acho que a poesia é a arte da palavra. Em poesia precisas mais das palavras, porque não tens uma extensão tão grande para definir aquilo que sentes ou pensas. Tens um verso, uma quadra, um poema para dizer uma imensidão de coisas. A poesia é mais repentista, é mais crua e, às vezes, cruel. Comparativamente com a prosa, não é que não tenha ornamentos, que os tem, mas se tu não és verosímil com o que estás a fazer, se não és sincero, mais vale não fazeres nada. A partir do momento em que o poeta abre a capa do seu trabalho, abre corpo e alma e por isso é que para mim não é muito fácil publicar poesia, apesar dos três livros. Essa nudez é a razão pela qual acho que a poesia é crua e pode ser cruel, pois estás a colocar aos olhos de outros aquilo que escreveste para ti, com muito menos temperamento que a prosa, alvo de escrutínios e elações erradas ou demasiado certas. Por outro lado, acho que este é um lado essencial da poesia; ser frontal, crua, para que te dês a conhecer e para que as pessoas a vejam como é: não uma jarra de flores, mas uma realidade cheia de emoções, na qual os ornamentos devem ser postos pelos leitores. 

Opina: Tu lançaste o teu primeiro livro “Ver no Verso” em 2011, mas o teu percurso nas artes da escrita começou muito antes, num ambiente rico em música, com os teus textos para peças teatrais, os sketches humorísticos, etc. És capaz de identificar os momentos do teu caminho que achas fulcrais para teres desenvolvido essa paixão, essa necessidade de desenvolveres este trabalho que hoje desenvolves?

Roberto: Olha, um factor marcante foi o de na minha família haver várias pessoas ligadas à música popular, pessoas com este repentismo, com a facilidade de rimar, de fazer sorrir os outros, de contar uma anedota ou apenas de comunicar de forma interessante um sentimento; portanto lidei sempre com pessoas muito expressivas, apesar de eu, por timidez, não deixar na altura aflorar os meus sentimentos e aquilo que ia indagando. Na primária tive a sorte de poder começar a exprimir o que sentia, porque apareceu a escrita com os seus desafios: os ditados, a leitura expressiva para os colegas, tudo aquilo para mim era uma copa do mundo e tinha que ser perfeito. Claro que, a par da exigência, o acompanhamento e carinho das professoras nessa altura foram fundamentais para estimular a minha criatividade e a minha paixão pela escrita. Ter estado no Conservatório de Música de Albufeira e aí perceber o ritmo da música, o som das notas, a sua voz muito própria, fez com que eu percebesse que o mesmo acontece com as palavras. Ouvia uma canção e pensava: porque é que ele cantou aquela palavra daquela maneira e não doutra? E se alguma palavra era mal pronunciada eu percebia logo, ainda hoje isso me faz confusão. Se ouvir uma palavra cuja métrica, sonoridade ou sentido não são bem aplicados na letra, fico logo preso naquele detalhe e não ouço mais nada... A formação musical acompanhou-me sempre muito. Mais tarde, no secundário, comecei a perceber o que era a poesia e a conhecer os seus autores. Fiz teatro, o que também puxou muito por mim e despertou-me a atenção para textos em diferentes formatos, e ao mesmo tempo para o sentido de comunicar, de chegar com uma mensagem a algum lado.

Opina: O teu trabalho tem algo que, ao primeiro contacto, me salta à vista e que vejo como singular. Tu és um escritor, um poeta, que mais do que escrever, expressa e explora não só emoções mas conceitos. Acho de particular interesse os temas, capas e a maneira, que a meu ver, me parece extremamente cuidada, pensada, refletida mesmo, com que elaboras tudo isto de maneira a proporcionar uma experiência mais completa, mais coesa, quase como uma história que queres contar em verso, mas com a certeza de que quem está a ler entende o que lê não só pela força das palavras mas por todo o enredo cénico/temático que crias à volta dos poemas. Isto é intencional? E se sim o que está por trás desta maneira de comunicar? O que pretendes ao escrever assim?

Roberto: Acaba por ser sempre intencional, apesar da organização dos poemas no livro ser aleatória porque, como te dizia, não sou muito formalista nessas coisas, mas a mensagem que passa é claramente intencional, independentemente da natureza do que se quer passar. O “Ver no Verso” foi um livro de reflexões e de exposição do autor, o “Poesia em Combustão” já foi no sentido de chegar a alguns alvos mais afastados da poesia, a públicos distintos. Tens alguns poemas que não te farão sentido nenhum, mas que para alguém com 15, 16 anos fazem todo o sentido, assim como outros para nós ainda não estão no tempo, ainda não estão maturados, mas para alguém da geração dos nossos país ou dos nossos avós, que têm uma ligação mais forte com a poesia erudita ou com a poesia popular, fazem todo o sentido, encaixam como uma luva. Aquilo que eu pretendo é que as pessoas que não têm por hábito ler poesia descubram que a poesia é simples e multifacetada, que há sempre um poema que nos agrada, mesmo que seja um entre mil. E nesse detalhe se sintam confortáveis e reconfortadas na poesia. Tento que com os meus poemas e as temáticas abordadas neles as pessoas se revejam e tenham nesse discurso a sua própria voz. Hoje as pessoas não se expressam, não falam, não criticam.

"Tento que com os meus poemas e as temáticas abordadas neles as pessoas se revejam e tenham nesse discurso a sua própria voz."

Opina: Os teus três livros, apesar de terem sido publicados num relativamente curto espaço de tempo, trazem ao leitor, para além de três conceitos diferentes, três fases distintas da tua vida e consequentemente três Robertos em diferentes estados de maturidade, enquanto autor e enquanto pessoa. Como descreverias as tuas três obras e que pontos enaltecerias em cada uma delas? E já agora, a mudar algo, o que mudarias?
  
Roberto: No caso do “Ver no Verso” e do “Poesia em Combustão”, que são livros mais próximos, os poemas foram escritos nos meus 18, 19 anos, numa fase de mudança de região, acabado de chegar a Lisboa, a confrontar-me com a fase universitária e com uma realidade metropolitana, foi quase um choque de civilizações. Claro que tenho poemas publicados pelos quais nunca tive grande empatia, porque ou retratam um período difícil da minha vida ou são simplesmente temáticas sobre as quais eu gostava de não ter que falar, como algumas problemáticas sociais que nos pesam e entristecem. O primeiro livro tem poemas mais seleccionados, mais vocacionados para quem gosta de ler poesia, para quem escreve poesia ou para quem, de uma forma geral, gosta de pensar na vida, para quem sabe que, para todas as coisas que fazemos e dizemos existe um reverso e é preciso ver para além daquilo que é aparente. O “Poesia em Combustão” é um livro sobre as emoções, sobre o que sentimos, desde o nosso lume brando até às nossas explosões, e tenta acompanhar os 8 e os 80, em termos etários. Em balanço, reconheço que poderia ter apostado num livro mais preciosista, mais bonito, com poemas mais seleccionados; mas o livro não pode agradar a gregos e a troianos…E apesar de alguns leitores acharem alguns poemas mesquinhos, infantis, alguns até preocupações fúteis sobre a vida, temos que ir aos que estão um passo atrás de nós para que esses possam avançar, e temos que tentar estar um passo à frente para chegar aos que estão mais longe, para que esses possam vir ter connosco e ensinar-nos. O livro funciona um bocadinho como uma corrida de estafetas, como uma passagem de testemunho, recebemos alguma coisa de quem está atrás de nós mas não vamos ficar com ela, vamos passá-la a alguém. O “imagem d’escrita” é algo diferente, é uma vontade de trazer pela mão várias pessoas, mostrar, mais do que o meu trabalho, o trabalho de outros, porque reparei que as pessoas não só têm dificuldade em expressar os seus sentimentos, quando lêem, quando interpretam ou quando sentem alguma coisa, como também quem descreve, produz ou fotografa, sente muitas vezes dificuldade em mostrar aquilo que faz. Tentei juntar um grupo de pessoas que têm talento mas são amadoras, no sentido de gostarem daquilo que fazem e de porem o capital cultural à frente do capital financeiro. Aqui, os poemas não foram escolhidos por mim, mas pelos fotógrafos, e a palavra de ordem é liberdade, liberdade artística para cada um, fotógrafos, designer, editora, declamador, escolherem o que e como vão fazer e, pelo exercício dessa liberdade, dão a sua identidade ao livro. Penso que isso tem feito deste livro uma plataforma de emoções. As pessoas não têm ficado indiferentes ao livro, porque se sente em cada página que há emoção, e era isso que eu queria atingir, mostrar que todas as artes e personalidades se combinam.

Opina: Este teu “imagem d’escrita” e a mudança de abordagem que ele representa, mesclando poesia e fotografia, poderá ser uma transição para algo diferente, alguma mudança de estilo no teu trabalho?

Roberto: A ideia é, futuramente, trabalhar a poesia pela canção, continuar a colaborar com o Pedro Rodrigues, porque acho que a poesia tem que ter sempre alguma coisa que depois lhe dê asas, não pode só ficar num livro. A música dá-lhe muita força, dá-lhe uma voz muito própria. Não abandono a possibilidade de voltar a trabalhar com fotografia, mas só se for convidado para isso, porque para mim os projectos têm que ser sempre diferentes, inovadores.

"...pretendo que as pessoas que não têm por hábito ler poesia descubram que a poesia é simples e multifacetada, que há sempre um poema que nos agrada, mesmo que seja um entre mil. E nesse detalhe se sintam confortáveis e reconfortadas na poesia."
   
Opina: Quais os feedbacks que recebeste de cada um dos teus livros? Houve alguma das obras que tenha tido mais impacto que as outras?

Roberto: Tirando os que foram queimados ou usados como calços para mesas e estantes, ou até mesmo como base para copos, utilização em que o “Ver no Verso” se destaca por ser pequenino e de capa dura, até estiveram bem, os livritos… O “Ver no Verso”, por ser o primeiro livro teve muito impacto, foi a surpresa e também a qualidade do livro em si, a capa dura, o formato, os poemas seleccionados… O segundo livro, o grande triunfo que teve foi divulgar as canções, pois já tem vários poemas musicados, teve o mérito de divulgar o trabalho da capa, de uma designer amiga, e resultou muito bem, teve grande impacto no público, em nichos específicos. Este último livro é muito recente, saiu há dois meses, ainda estamos a apreciar o impacto no público, mas já vendeu 40% da tiragem, e as coisas estão a correr bem tendo em conta que somos pequenos e insignificantes no mercado nacional.

Opina: Há pouco falámos do quão cedo se enraizou em ti a poesia e da influência da música na tua obra, que influências tens em cada uma destas artes que contribuíram para a maneira como hoje trabalhas ambos os temas?

Roberto: Fui muito influenciado, quer em termos melódicos quer em termos de texto escrito, pelos fados da Amália Rodrigues, pelo David Mourão Ferreira, Alexandre O’Neill, Fernando Pessoa, principalmente o ortónimo e, a minha veia mais popular, mais vernácula, vem do António Gedeão e do António Aleixo. Tenho ainda muitas influências da música popular lusófona, como o cante alentejano, as cantigas do campo e a bossa nova.

Fig 2: O mais recente livro de Roberto Leandro, lançado em Outubro de 2014

Opina: Roberto é difícil publicar um livro de poesia em Portugal? Para além da parte da escrita, claro. Os teus três livros tiveram diferentes editoras, World Art Friends, Chiado e Obnósis. Até que ponto é o mundo editorial recetivo para um jovem poeta. Sentes-te e sentiste-te apoiado pelas editoras com quem trabalhaste?

Roberto: Bem, na primeira não me senti minimamente apoiado e por isso é que depois mudei. Quando tu tens um livro em que não decides a tiragem, não decides a capa, não decides a quantidade de poemas nem o preço de venda e tens uma margem de 10%, as coisas ficam complicadas. Para além da margem de lucro reduzidíssima, nunca fizeram as correcções que pedi em futuras edições, foi sempre um diálogo muito frio, muito abandalhado e revelador de muita falta de experiência da parte de quem deveria elucidar-me e acompanhar-me. Depois trabalhei com a Chiado Editora, mais conhecida. Queria uma editora que estivesse mais perto de mim (Lisboa), para acompanhar melhor o processo. Em todo o caso, vi que não conseguiam suprir todas as necessidades que eu tinha a nível de divulgação, mas foi já um incremento porque o livro ficou disponível on-line, ficou disponível em várias livrarias de todo o país e isso facilitou o acesso dos meus leitores àquela obra. Respondendo à primeira pergunta, é sempre fácil publicar se tiveres dinheiro para gastar ou se encontrares uma editora pequena que publique tudo, e dessas há dúzias, aliás esse é um grande problema actualmente. No caso do “imagem d’escrita”, tinha sido criada muito recentemente a Obnósis, uma editora de pessoas com quem trabalho e por quem tenho grande afecto, e sei que são pessoas genuinamente interessadas em publicar livros com qualidade, de autores que não teriam grande possibilidade de publicar por questões financeiras ou por falta de “status social”. Poderá bem ser uma parceria para o futuro, a julgar pelo excelente entendimento até agora.

Opina: E por falar em futuro, que projectos podem os leitores esperar, da tua pessoa?

Roberto: O melhor é irem acompanhando e estarem atentos. Nos próximos tempos vou continuar a acompanhar os músicos com quem trabalho, mas procurarei estar sempre envolvido em vários projectos, seja na organização de eventos, seja noutras escritas, revisões, crónicas, etc. Tenho uma necessidade intrínseca de desenvolver este tipo de trabalho. Mas posso adiantar que, possivelmente, o próximo livro que sair, que não há-de ser para já, não será em poesia.

Opina: E para terminarmos, qual é a melhor maneira de um leitor interessado acompanhar os teus projectos?

Roberto: Através da página do Facebook do “imagem d’escrita” https://www.facebook.com/pages/Imagem-descrita/371985962956515?ref=ts&fref=ts, da minha página pessoal, ou através da própria editora, a Obnósis http://www.obnosiseditora.pt/index.php, onde também podem adquirir o livro.

por Nuno Soares



P.S: A próxima apresentação do "imagem d'escrita" será na FNAC de Albufeira a 21 de Março! Não percam!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Rubrica Jovens Autores

Depois de em 2014 ter trazido ao Opina a escritora de literatura fantástica Iris Palmeirim de Alfarra e o romancista Miguel Brito de Oliveira a rubrica "Jovens Autores" regressará em breve com o poeta Albufeirense Roberto Leandro, autor do recentíssimo "imagem d'escrita". 

Fig 1: Roberto Leandro
Mantenham-se atentos!

Opina

domingo, 26 de outubro de 2014

Liebster Award

Ora bem, o post de hoje é um tanto ou quanto diferente do habitual. Em vésperas de amanhã falaremos do Liebster Award. Ahn? O quê? Eu é que sou..? Possivelmente, sim... Para os mais desinformados, como nós, que desconhecíamos o teor/existência do "award", passamos a explicar que o Liebster Award é uma corrente de nomeações, de bloggers para bloggers, com o objectivo de divulgar blogs pouco conhecidos.

Posto isto, porquê escrever sobre este assunto? Porquêêêê?! Efeito alucinogénico colectivo? Não. Economia a crescer? Não. Falta de assunto para escrever? Não. Ébola? Não.

Na verdade, o Opina - Espaço de Divulgação Cultural foi nomeado para o Liebster Award por três blogs, a quem deixamos o agradecimento e a referência, a ver:

Notas de Rodapéhttp://www.notasderodape.pt/ A quem deixamos o agradecimento por terem sido os primeiros (aaah a primeira vez...) a nomear o nosso blog.

Coco&Jeans http://cocojeans.blogspot.pt A quem agradecemos por ter sido o segundo blog a nomear o Opina e a quem garantimos que no decorrer deste blog (com algum esforço do Egídio Desidério e cenouras como recompensa) nos absteremos de fazer qualquer comentário relacionado com cocó e calças. 

Karochinhaa Secret's http://karochinhaa.blogspot.pt/ A quem felicitamos por ter sido a terceira alma a presentear-nos com a sua nomeação e a quem asseguramos que os segredos da Karochinhaa estão seguros connosco (mais cenouras). 

Findas as formalidades, resta-nos responder às perguntas colocadas (aproveitamos para dizer que responderemos às do Notas de Rodapé, porque foram os primeiros, e porque de outra maneira teríamos que responder a 173 perguntas o que demoraria o seu tempo e gastar-nos-ia as impressões digitais). 

São elas:

1) Descreve-te em 5 palavras:

Diana LairesComo é que se pode ser ambiciosa e preguiçosa simultâneamente? E juntar a isso um elevado nível de distracção e gosto por música barulhenta? Só se safa mesmo o facto de comer queijo compulsivamente!

Egídio Desidério: Lindo, fabuloso, gostoso, brilhante e... fantástico.

Nuno Soares: Até em uma só: eu.

Rafael Nascimento: Não gosto de me descrever.


2) O que te levou a ter um blog/página:

Diana LairesO que me levou? O Nuno, claro! Que é chato e acha que eu posso dizer coisas interessantes...! Esses acontecimentos podem levar algum tempo a acontecer, mas quando algo me inspira escrevo sobre isso automaticamente!

Egídio Desidério: Fama, Fortuna e Sexo.

Nuno Soares: O gosto pela escrita e a necessidade de encontrar espaços na net que divulgassem temas culturais e novos autores que, não tendo, de todo, falta de qualidade, têm tantas vezes falta de divulgação.

Rafael Nascimento: Um desafio.

3) Não sais de casa sem...

Diana LairesIa dizer as chaves de casa mas seria mentira... Ipod, aquela coisa obsoleta que concorre com os androids para ouvir musica.

Egídio Desidério: Uma boa dose de charme.

Nuno Soares: Sem mim. Tudo o resto, inclusive coisas realmente úteis como chaves, carteira e afins, seriam um desafio imenso à minha capacidade de distracção e, possivelmente, aldrabice.

Rafael Nascimento: A roupa vestida.

4) A aventura da tua vida é/foi...

Diana Laires: Todos os dias incertos, todas as fugas da rotina, todos os passeios por sítios desconhecidos.

Egídio Desidério: Olhar-me ao espelho.

Nuno Soares: A minha vida.

Rafael Nascimento: Vivê-la o melhor que possa.

5) Ainda me falta fazer...

Diana Laires: Ir ao México!

Egídio Desidério: Obrar a fazer o pino... espera, essa não... aaaaah... ir a um concerto do Frederico Mercúrio e os Rainha.

Nuno Soares: Acho que dava uma lista demasiado grande para este post, assim fico-me por uma viagem à Nova Zelândia.

Rafael Nascimento: Umas quantas voltas ao mundo.

6) Qual é a tua marca favorita?

Diana Laires: Independent.

Egídio Desidério: Renova.

Nuno Soares: Uma marca de nascença que tenho na perna esquerda.

Rafael Nascimento: Nunca pensei nisso… Talvez a 20th Century FOX.

7) Qual é a característica que mais gostas nas pessoas?

Diana Laires: Sentido de humor... move montanhas!

Egídio Desidério: Admirarem e bajularem a minha pessoa!

Nuno Soares: Sentido de humor, espírito crítico e altruísmo.

Rafael Nascimento: Serem genuínas.

8) Qual é a tua cidade de sonho?

Diana Laires: Lisboa. E não me posso queixar de ter um sonho tão pertinho de mim!

Egídio Desidério: Enxobregas e Faro no Yukon, Canadá.

Nuno Soares: Ainda não conheci.

Rafael Nascimento: Santiago do Chile (talvez).

9) O que levas na mala?

Diana Laires: A máquina fotográfica.

Egídio Desidério: Batom, eye liner e verniz.

Nuno Soares: Faço um esforço por não usar mala.

Rafael Nascimento: A máquina fotográfica.

10) O que achas do blog que te nomeou?

Diana Laires: Não conhecia mas já dei uma vista de olhos por alguns artigos e vou passar a segui-lo!

Egídio Desidério: São uns fofuscos.

Nuno Soares: Não conhecia antes da nomeação mas adorei ver que há gente interessada e a fazer um óptimo trabalho no que diz respeito à divulgação cultural! É certamente um blog a seguir! P.S: Parabéns ao José Miguel pelo gosto musical. R.E.M. são, sem sombra de dúvidas, uma banda épica! António Variações, dispensa palavras, estás muito lá. Têm um óptimo blog, continuem!

Rafael Nascimento: Não conheço. Vou ver!


E assim termina a nossa saga, agora passamos a batata aos seguintes blogs para que respondam também eles às questões e nomeiem os blogs que por bem acharem:


De novo, agradecemos aos blogs que nos nomearam Notas de RodapéCoco&JeansKarochinhaa Secret's! Deseja-mo-vos as maiores felicidades, saúde, uma enxurrada de filhos e que não apanhem constipações ou ébola durante o inverno. 

Tudo de bom,

Opina



P.S: Recomendações do Liebster Award para os nomeados:

Responder a todas as perguntas;
Referir o link do blogue que te nomeou;
Nomear entre 5 a 10 blogues com menos de 200 seguidores;
Obrigatório informar os blogues da nomeação;
Fornecer aos blogues nomeados o link para a publicação em causa (para que lhes seja explicado o que devem fazer).

terça-feira, 1 de abril de 2014

Jovens Autores - Miguel Brito de Oliveira

Miguel Brito de Oliveira nasceu em Moura em 1988 e depois de um percurso bastante diversificado que passou pela rádio e pelo teatro, eis que se estreia, em 2011, aos 22 anos, Mulheres Coragem, a primeira obra de sua autoria. 

Desde então Miguel não mais parou de escrever e o jovem autor tem-se envolvido em diversos projectos literários, em prosa e em poesia, entre os quais contam-se a participação com um conto na colectânea Contos nos is (2011), das Edições Macalfa, poemas nos compêndios Inversus (2011) e Poética I (2012) da Edições Macalfa e da Editorial Minerva respectivamente. 

Mais recentemente Miguel Brito de Oliveira assinalou a sua presença na obra Stories do Alentejo (2013) da Lugar da Palavra Editora, editora que também publicou Mulheres Coragem, obra que envolve 12 autores alentejanos e que caracteriza em vários contos a região que lhe dá nome.

Miguel aceitou amavelmente o convite do Opina para partilhar connosco um pouco da sua história, percurso e perspectivas futuras enquanto jovem escritor português.

Fig 1: Miguel Brito de Oliveira e a sua obra de estreia Mulheres Coragem

Opina: Miguel bem-vindo! Obrigado por teres aceite o convite do Opina e por te juntares a nós nesta entrevista.

Começando por falar um pouco de ti e do teu percurso, deixa-me perguntar-te: com 25 anos repletos de aventuras e experiências integradas num caminho ímpar, participação em teatro, rádio, música, fizeste a recruta no exército, tens um livro já publicado, outros dois em co-autoria, participação numa mão cheia de projectos literários tanto em prosa como em poesia. Queres partilhar connosco quem é afinal Miguel Brito de Oliveira?

Miguel: Não é fácil para mim definir-me a mim enquanto pessoa. Parece que quando nos tentamos definir a nós próprios fica sempre a faltar qualquer coisa e ao mesmo tempo temos tendência para acrescentar mais do que somos na descrição. Ainda assim arrisco dizer que me acho um puto, um rapaz pequeno com uma vontade de viver, conhecer e saber mais que não cabe em mim. Vejo-me como uma pessoa que quer mais, mais desafios, mais conhecimento, mais experiência de vida. Falando do meu percurso, o gosto pela rádio, televisão, teatro, musica e qualquer outra forma de arte ou comunicação surgiram desde muito novo quando dei os primeiros passos no teatro, área que acabou por marcar uns bons anos da minha vida entre peças de teatro, animações e formações na área artística. Aos 15 anos, acabei por criar problemas com os meus pais, pois havia decidido ir viver sozinho para outra cidade, à procura de cumprir o objetivo de então. Felizmente ganhei, e acabei por cursar comunicação social numa escola profissional que me possibilitou posteriormente viver essas experiências fascinantes em rádio e televisão. Depois desta experiência que muito me fez crescer, veio uma fase menos boa em que fiquei parado, algo que não é meu. Surgiu então a ideia de alistar-me nas fileiras do Exército Português e acabei por juntar o desejo que sempre tive de conquistar a minha boina com a necessidade de ocupação. Hoje, afirmo com todas as letras que essa experiência, com toda a sua intensidade e exaustão foi a melhor escola que eu poderia ter na vida. A literatura é outro campeonato. É qualquer coisa que me faz viver, abstrair, minimizar e sobressair num único momento e numa única ação. O lançamento do Mulheres Coragem marcou a minha estreia num mundo novo, que há muito vinha a preparar e, desde então, não tenho parado e agarro todas as oportunidades de fazer mais com o único objetivo de crescer e ser melhor. 

Opina: E Miguel, achas que essa tua dinâmica de ser, essa vontade de querer ser mais, de querer ter mais mundo foi cultivada em ti pelas experiências que foste vivendo? Reconheces alguma experiência, destas que falámos ou outras, específica na tua vida, que tenha feito um click e que tenha vincado essa tua personalidade de querer sair mais de ti e absorver mais do que o mundo tem para te oferecer?

Miguel: Repara, há muitos momentos na minha vida que me marcaram e que foram um molde essencial nos meus valores, modelos e carácter, no entanto, eu acho que não é única e exclusivamente uma questão de experiência de vida mas que é algo da tua própria natureza. Quando as pessoas têm a vontade de crescer por dentro vão ter mais tendência a valorizar o ser do que o ter. E isso acho que é algo que nasce contigo, que tem que estar em ti.

Opina: E com tantos interesses e solicitações do mundo da escrita como concilias tudo isso com uma vida académica ativa, afinal estás no 3º ano da Licenciatura em Turismo da Universidade do Algarve, fazes parte do Concelho Fiscal e do Senado Académico da mesma universidade, do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Gestão, Hotelaria e Turismo, com os exames, família, namoro e tudo mais?

Miguel: Acho que acima de tudo é uma questão de gestão de tempo. Sinceramente não consigo ver como uma perspectiva realista para mim o que algumas pessoas fazem de pôr em primeiro lugar os seus projectos e depois a família e as relações amorosas. Nós conseguimos ir longe sozinhos, mas acompanhados sabe melhor. E claro que, quando queremos atingir determinados objectivos precisamos de combustível, de força de vontade, de motivação e que se estiveres sozinho no mundo é muito difícil chegares onde queres, porque não tens apoio de ninguém. Há momentos de fraqueza que qualquer ser humano tem e tu sabes que tens esse apoio nos teus amigos, na tua namorada, na tua família. E tendo esse apoio é egoísmo dizer que primeiro está a tua vida profissional e só depois a tua vida pessoal. A minha vida pessoal, o que sou, com a ajuda de todos os que me apoiam e uma boa gestão de tempo são essenciais para conseguir conciliar todas as minhas actividades. Sou apologista de quem algum dia disse: Se tiveres de escolher entre o mundo e o amor, escolhe o amor e com ele conquista o mundo.

"Acima de tudo Mulheres Coragem é fruto de uma vontade enorme de escrever."

Opina: Falando um pouco da tua obra de estreia Mulheres Coragem queria perguntar-te, quanto tempo demoraste a escrevê-la, quais as principais dificuldades e porquê a guerra colonial como tema? Sendo um tema recorrente não só na literatura portuguesa como no cinema, no teatro, sendo um tema cultural forte em Portugal não é muito comum nos autores mais jovens, porquê esta escolha?

Miguel: Este tema é um tema que devia ser muito mais falado por todos, é um tema que faz parte de nós portugueses, é uma fase da história que influenciou e muito o rumo de Portugal hoje em dia. Eu sempre gostei imenso de história e a nossa história somos nós, as pessoas, e esse interesse levou-me a escrever um romance numa página importante da história de Portugal. O facto de ter estado no exército também ajudou um pouco a que esta fosse, das várias épocas históricas que me interessam particularmente, a escolhida para este primeiro romance, senti que era a escolha correcta. Respondendo à tua outra pergunta eu comecei a escrever o Mulheres Coragem, sem te conseguir precisar exatamente o momento, mais ou menos aos dezasseis anos e terminei com vinte e um, acabando por publicar aos vinte e dois. Houve obviamente várias interrupções, não foram cinco anos contínuos de escrita, e ainda acabei por cortar uma boa parte da obra e reescrever outras tantas páginas porque no fim do processo, não me identificava já com partes que haviam sido escritas há mais tempo, o que me obrigou a fazer quase que uma reciclagem, um corta e cola e reescreve de parte da obra. Em termos de dificuldades, de desafios, os maiores foram por em palavras as ideias que eu tinha, de forma a conseguir transmitir ao leitor exatamente o que queria e fazer com que os meus dedos acompanhassem o meu pensamento. Às vezes é muito complicado. Tens pensamentos a mil à hora, estás a pensar num rumo na história muito rápido, e fazer com o que os teus dedos escrevam ao mesmo ritmo que o teu cérebro desenvolve as ideias é muito complicado.

Opina: Miguel muitos autores reconhecem a sua experiência pessoal, a sua vivência como uma importante fonte de inspiração para os conteúdos do que escrevem, tão ou mais valiosa que uma fonte bibliográfica tradicional. Sentes isso no teu caso ou vês como a principal mais-valia em termos de criação do conceito a exaustiva pesquisa bibliográfica que certamente fizeste sobre o tema antes de o escreveres?

Miguel: Eu não acho que nós nos devamos limitar à nossa experiência, aliás, nem acho que isso seja possível. Quem quer criar tem que conseguir conciliar as duas coisas, quer a experiência pessoal quer a pesquisa bibliográfica. No meu caso, em Mulheres Coragem, tive que fazer bastante pesquisa bibliográfica porque, claro está, eu não estive na guerra do ultramar. No entanto, a pessoa que sou influencia obviamente os personagens que criei, a maneira como se relacionam uns com os outros e com o mundo. Se eu fosse diferente tudo seria, certamente, de outra maneira. Acredito nesse equilíbrio e que a tua natureza, a tua maneira de ser, as tuas experiências e vivências influenciam sempre o que escreves e a maneira como escreves.

Opina: Uma coisa que não posso deixar de te perguntar pois está relacionada com a temática deste livro mas também de outros textos teus, como o poema És Mulher, em que é bem patente a admiração pelo género feminino, essa homenagem que também fazes em Mulheres Coragem e que ora está num plano mais etéreo, mais inalcançável, quase celestial, ora está num nível bem mais terreno, invocando os prazeres carnais e a relações, por vezes conturbadas, entre homem e mulher. Queres explicar-nos um pouco a importância desta dicotomia nos textos que produzes?

"Acho que é preciso realçar a verdadeira força do género feminino na nossa sociedade."

Miguel: Não escondo de forma alguma a admiração e o respeito que tenho pelas mulheres. Acho que é preciso realçar a verdadeira força do género feminino na nossa sociedade. Eu acho que hoje ainda se subestima muito a força das mulheres e que em muito sítio, muita gente ainda considera o género masculino, o forte, o que não é verdade. Tenho grande admiração por aquela força que se mostra sem levantar um braço ao invés da força física. As mulheres têm uma capacidade que os homens não têm de conseguir ser mulher, amante, esposa, mãe, irmã, filha, uma polivalência de carácter, uma capacidade de transformação imediata, de regeneração e de perseverança incrível que as ajuda a ser o que querem.

Opina: É este um livro escrito com a emoção de quem escreve uma obra pela primeira vez e quer mostrar ao mundo o que lhe vai na alma, ou pelo contrário, é uma obra premeditada e exaustivamente analisada antes, durante e depois de ser escrita, com um sentido filosófico e reflexivo, com alguma mensagem subjacente?

Miguel: Acima de tudo Mulheres Coragem é fruto de uma vontade enorme de escrever. Tendo eu gosto por literatura senti vontade de escrever, de criar algo meu, ao invés de estar a vida toda como leitor, eu quis conhecer o papel do escritor também. Mulheres Coragem foi o marco inicial de todo um objectivo que eu quero seguir ao longo da minha vida, a necessidade de eu mostrar ao mundo uma das minhas facetas e ao mesmo tempo uma grande satisfação pessoal, uma realização, a maneira de eu dizer a mim mesmo “fui capaz de fazer”. Acho que isto responde.

Opina: E que feedback tens tido de leitores e da editora?

Miguel: O feedback tem sido muito positivo. As pessoas que leram fizeram-me chegar críticas bastantes construtivas sobre a maneira de escrever, as características específicas da obra, o final, que é bastante próprio, e é sempre bom ouvir o que as pessoas nos têm para dizer sobre o que escrevemos. O feedback da editora foi, também ele, positivo e, para uma estreia, acho que quer as críticas quer as vendas foram bastante razoáveis.

Opina: Para quando a 2ª edição?

Miguel: Ainda não te sei dizer quando. Ela sairá com certeza mas, de momento, estou envolvido noutros projectos que também não me permitem dedicar tanto tempo quanto seria preciso a essa questão. No entanto, os leitores conseguem ainda adquirir o livro on-line no site da “FNAC”, da “Wook” e da “Lugar da Palavra” editora. 
Fig 2: Stories do Alentejo
Opina: E falando de outra aventura, esta mais recente, em que participas como co-autor, Stories do Alentejo, podes falar-nos um pouco sobre o que consiste este projecto e na tua participação específica neste livro?

Miguel: O projecto Stories do Alentejo é um projecto que conta com 12 autores, todos eles alentejanos, coordenados pelo Luís Miguel (Luís Miguel Ricardo), em que cada um ficou responsável por retratar culturalmente uma zona específica do Alentejo em termos de gastronomia, eventos culturais de relevo, monumentos, lugares a visitar e principalmente a gíria tão característica do Alentejo. Eu fiquei com as aldeias ribeirinhas, as aldeias em torno da barragem do Alqueva e optei, neste conto, por usar o humor o que ajudou a enriquecer e diversificar um projecto maioritariamente informativo e de promoção cultural mas aberto a vários géneros de escrita. No entanto, tenho que destacar que esta experiência foi para mim uma grande escola não só em termos de escrita, mas enquanto pessoa, uma grande partilha de experiências, uma hipótese de conhecer e contactar com escritores maduros, de obter grandes referências e que inclusive me deu para aprender coisas fascinantes sobre o Alentejo. É também muito gratificante ver que o Stories do Alentejo está a superar as expectativas dos autores, já marcamos presença em programas de televisão como A praça da Alegria e Portugal no Coração e está a ser uma maneira fantástica de levarmos ao país o que de melhor há no nosso Alentejo.

Opina: E planos para o futuro mais próximo? Os leitores podem esperar algum novo livro de tua autoria?

Miguel: Estou a trabalhar num outro projecto em co-autoria, também ele muito gratificante, em que estou a desempenhar funções diferentes do que tenho desempenhado nas publicações em que tenho participado. No entanto, não vou adiantar muita informação, posso apenas avançar que, em princípio, ainda este ano sairá novo projecto para o mercado. Outros estão a ser pensados, mas já nada para 2014.

Opina: Miguel qual a melhor maneira para que quem lê esta entrevista possa seguir o teu trabalho?


Miguel: Através do facebook. As pessoas podem seguir a minha página https://www.facebook.com/miguel.b.deoliveira e eu terei todo o gosto em responder a quaisquer dúvidas que possam ter.

por Nuno Soares

terça-feira, 18 de março de 2014

Rubrica Jovens Autores

É com grande prazer que o Opina anuncia que a próxima entrevista da rubrica Jovens Autores contará com a presença de Miguel Brito de Oliveira, um jovem autor natural de Moura que aos 22 anos lançou o seu primeiro trabalho literário: "Mulheres Coragem".

Fig 1: Miguel Brito de Oliveira
Assim, o Opina lança o desafio aos seus leitores para que, tal como aquando a entrevista a Iris Palmeirim de Alfarra, nos façam chegar as questões que gostariam de ver colocadas ao autor entrevistado!

Resto de uma boa semana!

Opina

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Jovens Autores - Iris Palmeirim de Alfarra

Nascida em Braga a 30 de Abril de 1993, Iris Palmeirim de Alfarra publicou em 2011, aos 18 anos, a sua primeira obra, Shinegow, primeiro volume de uma saga com o mesmo nome, lançada pela Chiado Editora.

Hoje, aos 20 anos, Iris estuda Biologia Marinha na Universidade do Algarve e aceitou o convite do Opina para partilhar connosco algumas das suas vivências e opiniões sobre o que é ser uma jovem escritora em Portugal.
Fig 1: Iris e a capa de Shinegow, desenhada por si
Opina: Iris em primeiro lugar deixa-me agradecer-te por teres aceite o convite do Opina e por estares hoje connosco nesta entrevista. 

A primeira pergunta que gostava de te colocar tem a ver com o teres lançado um livro tão cedo. Não sendo inédito, não é frequente ver-se jovens de 18 anos escreverem e lançarem obras literárias. Foi difícil lançar Shinegow?

Iris: Obrigado também pela oportunidade de divulgação. Na verdade não foi difícil. Eu comecei por fazer uma pesquisa na internet sobre publicações de livros e dei com a página do IGAC (Inspecção Geral das Actividades Culturais) na qual a obra tem de ser registada. A partir daí foi enviar o livro para várias editoras, a Chiado Editora aceitou a publicação e eu, claro, fiquei em pulgas e aceitei a oferta. O processo demorou-me cerca de dois meses, a parte da procura, do registo e do envio, e cerca de um ano, no total, a contar com a correção, a parte mais morosa e difícil.

"Uma coisa que descobri em relação à escrita... ...é que com uma folha em branco e uma caneta nós temos o poder de fazer tudo..."

Opina: Iris como e porquê começa uma jovem, aparentemente, com interesses tão díspares, afinal estudas na área das ciências naturais, a escrever literatura juvenil fantástica, e tão cedo? Quando é que te deu esse “click”?

Iris: Bem essa história é uma que normalmente não se deve contar aos mais novos <risos>. Eu sempre fui uma rapariga muito distraída nas aulas, e algures no meu nono ano estava numa aula muito aborrecida em que já não sabia o que havia de fazer e, com mais duas amigas, começamos com a ideia de escrever uma história. E porquê uma história? Uma coisa que descobri em relação à escrita, porque antes não gostava de escrever, é que com uma folha em branco e uma caneta nós temos o poder de fazer tudo, podemos criar, temos as leis da natureza na nossa mão. E eu achei aquilo tão divertido que comecei a escrever com as minhas amigas e trocávamos folhas, cada uma com o seu pedacinho de história e era uma paródia. Às tantas comecei a levar aquilo mesmo a sério e a passar tudo a computador, mas o “click”, o começo de tudo, foi mesmo na tal aula muito aborrecida.

Opina: E em termos de referências Iris? Onde foste e vais buscar a tua inspiração para escrever? O que te motiva? Há bastantes autores que referem a sua vivência pessoal em diferentes cenários culturais como um factor de enriquecimento dos seus imaginários e obras. Achas que o facto de teres vivido em cidades tão diferentes social e culturalmente como Braga, Paris, Lisboa e Faro tem alguma influência na maneira como escreves ou achas indiferente para a tua identidade como escritora?

Iris: Acho que o meu percurso é bastante relevante para a minha formação enquanto escritora pois mesmo falando de inspiração eu vou buscar muita coisa a acontecimentos da minha vida, a coisas que vi, que vivi, a lembranças, mas é difícil dizer o que seria diferente em mim ou na minha maneira de escrever se as coisas tivessem sido diferentes, não faço mesmo ideia. Falando do que me motiva, as minhas inspirações são várias. Começou por ser a amizade que tinha com uma colega que escrevia comigo mas acima de tudo e, com o tempo, o poder transmitir uma série de mensagens sobre coisas que vivenciei e que acho importante passar às pessoas tornou-se a principal razão e o que mais motiva para continuar a escrever. 

"... poder transmitir uma série de mensagens sobre coisas que vivenciei e que acho importante passar às pessoas tornou-se a principal razão e o que mais motiva para continuar a escrever."

Opina: Iris falando de Shinegow, a tua obra publicada, passaram quase três anos desde a data da publicação, com muitas experiências de divulgação pelo meio, idas a escolas, entrevistas, apresentação do livro na Fnac, participação no Ignite Algarve. Que balanço fazes deste período e que mudanças trouxe à tua vida a publicação de Shinegow?

Iris: Esse período foi muito importante para me subir a auto-estima. Eu por ser muito distraída, nunca fui uma excelente aluna, e tinha a auto-estima um bocado baixa. Para além disso a experiência foi muito enriquecedora e engraçada para mim. Eu quando lancei o livro fui a cerca de dez, onze escolas, entre Braga, Lisboa e o Algarve e o que mais gostei, o momento que mais piada achei, sendo sempre interessante e divertido ir falar com miúdos, foi quando cheguei a uma escola, a um anfiteatro, creio eu para falar com três turmas do 5º ano e todos os miúdos terem uns papeizinhos e eu reparar que eles tinham feito um trabalho de pesquisa sobre mim, entrevistas que me tinham feito, o meu percurso, fotografias e um rapaz perguntar-me “A sua comida favorita é lasanha não é?” e eu ficar com um ar “Como é que ele sabe isto?” e realmente ter que admitir que lasanha é uma das minhas comidas preferidas <risos>. E estes momentos também me fazem continuar a escrever, claro. 

Opina: E qual o feedback que tens tido dos teus leitores? Sentes que aquilo que queres passar é percepcionado por quem lê Shinegow?

Iris: Sinto que normalmente a coisa passa. Apesar de que, por exemplo, nestes momentos de divulgação muitos dos miúdos ainda não tinham lido o livro, uns sim, outros ainda não, mas sem saber com certeza se eles perceberam bem as mensagens que quero transmitir acredito que, mais cedo ou mais tarde, vão pensar no assunto e que inconscientemente a mensagem é transmitida. Em termos de feed-back, até agora, só tenho tido bons feed-backs, os mais jovens normalmente dizem que gostam muito, alguns leitores mais velhos já me disseram que às vezes a questão dos nomes é algo confusa, por haver mudanças de nomes e que isso implicava que se voltasse atrás para ver quem é quem e isso é algo que mudará no segundo livro, adiantando um bocadinho, será um livro de muita mudança, Shinegow dará uma grande volta.

Opina: Uma coisa que te queria perguntar antes de voltarmos ao segundo livro tem a ver com o facto de hoje estares a meio de uma licenciatura que nada tem a ver com literatura ou com o conteúdo do que escreves, no domínio do fantástico, e por isso mesmo pergunto-te, como é conciliar a escrita com as obrigações académicas, familiares e os outros interesses para além da escola, da escrita e da família?

Iris: Não é fácil. Especialmente em épocas de exames é quase impossível. Eu tento manter uma rotina de escrever um bocadinho todas as noites mas nem sempre consigo. Às vezes estou cansada, outras apetece-me fazer outras coisas, mas dentro do possível consigo manter um determinado ritmo e hoje a coisa está encaminhada. 

Opina: 3 anos após a publicação e com uma tiragem de 550 exemplares, dos quais restam certamente poucos ou nenhum, é expectável para breve uma segunda edição de Shinegow? Se sim, haverá mudanças? Quais?

Iris: Eu espero bem que sim. Pelo menos, vou lutar para que isso aconteça, apesar de achar que, neste momento, é essencial para divulgar mais a obra a publicação do segundo volume, é a chave fundamental para aumentar o alcance de Shinegow. Ainda assim, se houvesse a oportunidade de amanhã lançar uma segunda edição haveria pequenas coisas que escaparam a cinco revisões do livro e que mudaria, pequenos erros ocasionais, e talvez pôr sempre os dois nomes das personagens, um entre parêntesis, para tornar mais fácil a leitura. Há ainda um erro, completamente ao lado, que me vieram dizer, que é o facto de eu falar do euromilhões numa rapariga que vive na América <risos>. Essas pequenas coisas. Acho que alterações de fundo não são de esperar. 

"Não tenho uma data definida mas tenciono acabar este ano e mais tardar em Dezembro já estar a lançar o livro." 

Opina: E para quando a aguardada continuação? Tens alguma data idealizada?

Iris: Não tenho uma data definida mas tenciono acabar este ano e mais tardar em Dezembro já estar a lançar o livro. Ainda há muito a desenvolver mas estou já a meio do livro, que será maior que o último parece-me, e estou confiante que, correcção incluída, é algo para estar pronto, no máximo, até ao fim de 2014.

Opina: E planos para o futuro, para além de Shinegow?

Iris: Eu por enquanto estou mais focada em acabar a saga Shinegow mas já me surgiram algumas ideias e escrevi, há um par de anos, um pequeno texto, mais metafórico, sobre o aprisionamento que eu sinto nas aulas e que pretendo publicar. A ideia é lançar uma crítica ao nosso ambiente de escola de maneira simples de modo a que seja acessível ao público mais jovem. Nesta fase o que estou há já algum tempo a procurar é um ilustrador que trabalhe a parte gráfica do texto.

Opina: Como e ondem podem os leitores saber notícias e ir acompanhando Shinegow e o teu percurso literário?

Iris: O facebook é a melhor plataforma para seguirem. O Shinegow tem uma página própria alojada no link https://www.facebook.com/Shinegow 

por Nuno Soares

Mensagem do Opina: O Opina deseja agradecer à Iris Palmeirim de Alfarra por nos ter concedido esta entrevista, a primeira da rubrica Jovens Autores, aos que nos fizeram chegar sugestões e questões a colocar, e deixamos o desafio a leitores e autores que queriam ver determinado trabalho/escritor evidenciado nesta rubrica a entrarem em contacto com o Opina. A todos um muito obrigado!
Opina